Mister Brum brilha em abertura do festival

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Guitarrista rouba a cena no primeiro dia do Bonito Blues & Jazz Festival em homenagem ao parceiro Renato Fernandes e lidera show explosivo da banda Quebra Torto

Por Rodrigo Teixeira
MATULA CULTURAL

Aos poucos, a Villa Rebuá foi recebendo um público animado para os dois shows que abriram a programação da terceira edição do Bonito Blues & Jazz Festival. O primeiro foi uma homenagem ao bluseiro Renato Fernandes com ex parceiros do líder da banda Bêbados Habilidosos falecido em fevereiro deste ano. O segundo show foi da banda Quebra Torto (ex Coice de Mula), formada pelos “dinossauros” João Bosco (bateria), Marcos Yallouz (baixo), Fábio Brum (guitarra), Alexandre Cavalheri (teclado) e Marcelo Souza (voz e guitarra). Em ambas as apresentações um gigante no palco: o guitarrista Fábio Brum.

A homenagem a Renato Fernandes reuniu no palco o guitarrista Luís Ávilla, o baixista Marcelo Rezende, o saxofonista Júlio Bellucci, o baterista Zé Fiuza e o gaitista Clayton Salles. A emoção estava a flor da pele, tanto entre os músicos como na plateia. Com a difícil missão de assumir o vocal para interpretar as 20 músicas previstas no set list, Luís Ávilla se saiu melhor em seus solos, revelando-se um guitarrista melodioso e preciso. Destaque para a presença de Marcelo Rezende, fundador da banda Bêbados Habilidosos e dono de uma levada segura no contrabaixo e os solos econômicos de Júlio Bellucci.

Na verdade, a obra de Renato Fernandes já se impõe por si só. A banda, no caso, precisa executar as músicas com os arranjos originais e jogar para o público cantar as canções. Foi o que aconteceu. Impossível não notar a força das letras de Renato, cantadas em alto som pelo público. “Se você sempre fez amor com a pessoa certa, você nunca vai saber o que é o blues!” Os petardos etílicos em forma de letras seguiram até o final do show. “Se o nó na garganta não quer desatar, isso é o blues!”, sentencia Renato na canção. “Eu nunca mais vou ficar sóbrio, só para ver a sua cara de ódio”, gritava a plateia já embalada por solos feitos por um Fábio Brum em transe.

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A surpresa foi a performance de Clayton Salles, já conhecido como gaitista, mas mostrando cada vez mais seu lado de cantor e carisma para se comunicar com a plateia. “Mulher apaixonada e pé na bunda, rima com uísque de segunda.” O show seguiu com vários clássicos de Renato, como “Vampiro”, “Mosca de Bar”, “Mutantes”, “Vendi Minha Alma ao Blues” e “Cerveja”, em um tributo digno a verdadeira legião de fãs que Renato Fernandes deixou em Mato Grosso do Sul. Com a plateia quente, veio em seguida a banda Quebra Torto.

No palco, veteranos fundadores da cena roqueira sul-mato-grossense. Destaque para a furiosa presença de João Bosco, baterista lendário do rock de MS, com passagens nas germinais Zutrick, Euphoria, Alta Tensão e Blues Band. Surrou a bateria em uma performance libertadora, depois de ter passado por uma fase difícil, em que deixou o grupo O Bando do Velho Jack antes do final recente da banda e estava “perdido” procurando novos pares. Achou! Incrível também, a performance do baixista Marcos Yallouz. Com seu velho Rickenbacker de quatro cordas, este carioca que adotou o Matão cria linhas matadoras, tem uma técnica incrível e ainda canta muito bem. O tecladista Alexandre Cavalheri, o Fralda, aparece na hora certa com seus solos melodiosos e cheios de malandragem e Marcelo Souza tem garra e vontade acima da média nos vocais. Que time!

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No repertório clássicos do rock, músicas autorais e pérolas, como “Êxodo”, canção resgatada do finado Alex Batata, herói do rock de MS assassinado em 1997. Emoção por todos os lados. O som foi acabando lá pela três da manhã, com Fábio Brum especialmente endiabrado depois de praticamente 3 horas em cima do palco, deixando várias pessoas da plateia vidradas em seus solos. Dono de uma presença de palco impecável, um visual desleixado, sem camisa, muitas tatuagens e todas as malandragens de um roqueiro maduro, Fábio Brum provou no palco do Bonito Festival que, sem dúvida, está entre os principais guitarristas de blues do Brasil da atualidade. E o melhor, ele não está nem aí para isso.

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