Entrevista Lizoel Costa

Rodrigo Teixeira e Lizoel Costa (Foto: Daniella Zanetti)

Rodrigo Teixeira e Lizoel Costa (Foto: Daniella Zanetti)

Entrevista com Lizoel Costa em dezembro de 2013 para o jornal O Estado de Mato Grosso do Sul.

Por Rodrigo Teixeira

Lizoel: Minhas duas avós eram aquidauanenses, minha bisavó era corumbaense, só meu trisavô era um português com uma francesa que chegou em Corumbá no século 19. Então quer dizer, eu sou enraizado aqui, minha família é toda enraizada aqui em Mato Grosso do Sul.

Rodrigo: Então como você foi para São Paulo?

Meu pai era militar, do exército. Ele foi transferido, rodamos muito, fui para Porto Velho, Rondônia, a gente morou em Rondônia quando ainda era Território Federal de Rondônia, então imagina. Foi com 14 anos, nessa época eu estava começando a entrar nesse pique de música, eu era muito amigo do Vandir (Barreto), que me ensinou meus primeiros acordes, comecei a aprender.

Isso foi em que ano mais ou menos?

Isso foi em 70, 69, 70. Um moleque né? Vandir já tocava muito bem e eu nem pensava em ser músico. Aí a gente foi para Porto Velho, fomos transferidos pra lá com meu pai e foi onde eu realmente comecei a tocar, porque eu conheci o pessoal lá do bairro, da vila, comecei tocando bateria, acho engraçado quando digo isso para os outros. Eu queria ser baterista porque eu não sabia tocar, aí quando comecei a pegar os primeiros acordes do violão larguei mão da bateria.

Isso tudo em Porto Velho? Em que ano foi isso?

Porto Velho, em 70 que morei lá. Morei dois anos. Aí em 72 morei 2 meses em Brasília, porque grande parte da minha família materna é de lá, meus avós maternos são de Brasília, e meu pai foi crescendo em Ribeirão Preto, São Paulo. Nós ficamos em Brasília até meio do ano, e em 1972, tempo chato na minha vida, eu era adolescente e em Brasília não acontecia nada, aí a gente foi para Ribeirão e foi uma época que gostei muito. Um ano e meio de ribeirão.

Não foi lá onde você encontrou o Bosco? Como é essa história com o Bosco aí?

O Bosco, ex-baterista de O Bando do Velho Jack, nós somos conterrâneos. Eu estava em uma loja de discos e você contava nos dedos quem não gostava de rock naquela época. Eu estava em uma loja comprando um disco acho que do Deep Purple e ele estava indo comprar um disco do Led Zeppelin e começamos a falar dos discos, aí falei ‘eu toco’, e ele ‘eu também, eu toco bateria’, e ele ‘de onde você é?’ e eu ‘sou de Campo Grande’ e ele ‘ah, não acredito!’, e ficamos amigos. E realmente o primeiro trabalho que comecei a tocar, um quarteto, foi com o Bosco.

Tinha nome?

Tinha vários, na verdade eu não lembro. Eu estava terminando o ginásio e a gente chegou a tocar em um colégio que eu estudava com outros amigos lá de Ribeirão, o Igor e o Marcos Carpini, e o Bosco já tocava muito bem naquela época enquanto a gente estava patinando. O Bosco, a gente alugou uma casa ali e tinha um cara que tinha um conservatório e estudava todos os instrumentos e a gente alugava para ensaiar, uma coisa meio louca. Foi em Ribeirão que eu comecei realmente a tocar, em Porto Velho foi uma coisa meio simples.

Eu já gostava Rodrigo, quando estudava no Dom Bosco, já gostava muito de ler. A nossa geração gostava de ler e escrever. Eu classifico o jornalismo como várias gerações, tem aquela geração que gostava de escrever, sentar em uma máquina de escrever e escrever um texto. Aí outra geração já tinha a coisa da TV, que encantava mais os jornalistas. Até porque a mídia televisiva eletrônica tomou conta, então hoje qualquer criança nasce sabendo olhar para uma câmera e a nossa tinha essa coisa do jornal. Então assim, desde criança meu pai lia muito, desde criança meu pai em Campo Grande sempre comprava ou o Jornal do Comércio ou O Globo, ou a folha de são Paulo. Então é uma coisa que vem me influenciando desde cedo, então o jornalismo foi uma coisa natural, depois de Ribeirão a gente foi para Fortaleza no Ceará, onde eu fiz uma coisa mais profissional, começando a tocar, sei que foram dois anos nesses lugares que passamos. De fortaleza em 76 a gente veio para São Paulo. Aí de São Paulo nós ficamos muito tempo (seu pai?), meu pai, e aí nós fomos para a Capital. Entrei na Cásper Líbero em 1979, depois de várias faculdades, de entrar e sair, acabei fazendo o que eu queria fazer.

E você encontrou o pessoal do Língua…?

Conheci todo o pessoal lá. Foi engraçado porque eu entrei no meio do ano de 79, no vestibular de 79, eu e o Carlos Castelo, que é o compositor do Língua, o cara que faz a maioria das músicas do Língua. E o Laerts, o Pituco e Guca eram um semestre antes da gente e eles estavam recepcionando os calouros. E era assim, eles já tinham aquela coisa de fazer humor com a música, e aí nós acabamos ficando amigos. O grupo começou na faculdade, foi assim que a coisa começou e foi uma química tão legal que todo mundo tinha essa coisa de fazer humor mais político.

O “metaleiros” é do Festival da Globo 80 e…? 85? Ali o grupo já tinha lançado disco já né?

Já. Tinha dois discos lançados, aliás, tava lançando o segundo disco.

Você acabou virando mais músico profissional antes de cair no mercado do jornalismo, o que foi…?

Eu comecei a tocar profissionalmente em 77, eu trabalhei em banco, no Unibanco e sai pra ser músico, eu toquei na noite muito tempo. Quando eu conheci o pessoal do Língua, eu já tinha carteira de músico, já tocava na noite. Eu fazia shows com um ator transformista em São Paulo, fazia um show de humor. Quer dizer, eu já tinha essa ligação com o humor. O “Juraio” que é o ator, não sei nem por onde ele anda hoje mas era um cara muito engraçado. Em 1983 eu cheguei a tocar com ele no SBT, ficamos um ano. Tinha um programa chamado Alegria 83 no SBT, eu cheguei a tocar e ele fazia um quadro de humor e eu toquei um tempo. Nessa época eu já estava no Língua.

Na verdade você fundou o Língua também?

Eu fui um dos fundadores. Na verdade…

Em que ano era?

Foi em 79, 80. 80 vamos dizer assim. O Laert fez o “Laert, Sarrohumor e seus cúmplices”. Foi o primeiro nome da banda. Ele tinha uma revista chamada “Sarrohumor”, um fanzine de humor. Naquela época era mimeografado e ele vendia nos shows. E o Laert era conhecido como Sarrohumor, e ficou. E a gente começou a se aglutinar para fazer esse grupo. O grupo foi se formando, na verdade foi esse núcleo formador né. Era eu, o Laert, o Carlos Castelo, o Guca e o Pituco, que hoje está no Japão, cantor de Bossa Nova no Japão.

E você começou a trabalhar com jornalismo mesmo lá em São Paulo também?

Sim, mas não viver de jornalismo. Acho que profissionalmente só quando eu voltei para Campo Grande.

Depois do festival da Globo deu uma popularizada no grupo né.

Eu acho que a gente estava no momento certo e da forma errada, eu sempre digo isso, acho que o Língua não aproveitou muito a maré daquela época. Eu lembro que também teve tanta coisa acontecendo. Quando a gente lançou o terceiro disco, que a gente estava afim de arrebentar mesmo, veio o plano cruzado, veio… eu lembro que no dia que nós fomos fazer o lançamento do disco, não tinha matéria prima por causa do congelamento e coisa e tal, não tinha, foi uma loucura. Aquilo derrubou tanto a gente… (Rodrigo: que foi o começo do Collor…), não, foi antes, Sarney, final dos anos 80. Até 87, 88, a coisa começou a ficar pesada economicamente no país e tal. As pessoas não queriam investir em nada e aí a coisa começou a degringolar.

E aí que você decide vir para cá? Porque você decidiu vir para cá?

O grupo acabou, chegou final de 87 e começo de 88 e nós reunimos e falamos “vamos parar”. Nós decidimos. Não dava mais para voltar a tocar na noite, viver de música e tal. Não estava mais com esse pique. Foi quando eu falei “pô, sabe de uma coisa, será que vou trabalhar com jornalismo?”. Eu não tinha terminado a faculdade, fiquei devendo uma matéria na Casper e não me formei lá, fui me formar aqui em Campo Grande na Uniderp. Inclusive na Uniderp eu voltei em 2002, prestei o vestibular no meio do ano, ia fazer os 4 anos. Mas consegui pegar todo o histórico na Casper e consegui fazer em 1 ano e meio.

Você voltou em 88, já veio para trabalhar em jornalismo ou não?

Eu vim para ficar um tempo, tinha minha família, até uma segurança, minha família já tinha voltado para cá, meu pai e minha mãe já estavam morando aqui, eu vim mas com o propósito de voltar para São Paulo, mas fui ficando. Comecei em 1989, conheci o Robson de Oliveira, ele tinha uma equipe, um grupo de pessoas, era a Valéria Leite, Conceição, tinha uma série de pessoas que faziam música, que faziam teatro, o Junão, uma série de gente na TVE antiga, Sandra Menezes. Conhecia esse pessoal e o Robson me chamou para o Grupo oficina, de teatro, musica e comecei a trabalhar com eles. Era uma forma, eu estava muito desanimado…

E rolava um astral aqui em 88…

E eu voltei e comecei “posso misturar jornalismo com a arte” e tava rolando. Fiquei 1 ano na TVE e depois eu comecei a colaborar, lembro que tinha o jornal executivo shop, da dona Iracema, comecei a escrever uma coluna e a pegar gosto pelo jornalismo, que foi uma coisa que eu sempre gostei e a musica me deixou de lado. Isso foi em 91, 92, aí 93 o Alex Fraga me chamou, eu entrei no jornalismo profissionalmente em Campo Grande, no diário, pelas mãos do Alex que me convidou. Final do ano de 92, ele era editor do caderno de cultura do Diário da Serra, aí eu fui e foi legal, acho que foi uma forma que as pessoas começaram a conhecer meus trabalhos.

Quanto tempo ficou lá?

Seis meses. Aí fui para a TV Campo Grande, do SBT, o Bosco Martins me chamou para lá, e também para o Correio do Estado. Mas ai o Correio do Estado era para fazer polícia e eu não gostava muito.

Você também tinha uma coluna na Crítica, né…? como era isso? Como era a história do Jack Banana?

Jack Banana foi na TV Educativa.

Fala um pouco. Era um personagem…?

Foi nesse grupo Oficina. A TVE não pegava muito bem mas tinha uma turma boa, criativa, tinha o Leandro, o Isaac de Oliveira, Danielle Camargo que hoje é pintora famosa em São Paulo, uma gente louca e ótima. Aí o Robson falou, ele me conhecia do Língua de Trampo “você é humorista, cria um personagem”, aí tinha um DJ numa rádio dessas, o Nuninho, acho que era a Capital, e era o Bacana, era um cara que falava pelos cotovelos, aí eu fazia uma certa homenagem pra ele, eu criei o Jack Banana, pegando aquela figura do Big Boy, um dos primeiros DJs televisivos do país, dos anos 70, morreu muito novo…

Foi o cara que impulsionou a cena toda da década de 80, ele foi fundamental…

Então eu peguei essa ideia do Big Boy, de falar que nem louco…

Faz uma comparação daquele universo que você viveu cultural daqui com o que você está sentindo agora.

Olha, o que eu senti por exemplo, são seis anos que fiquei fora, fui para Brasília em 2007 e voltei agora. O que sinto é que está muito mais profissional. Eu sentia que a música, os anos 90 deu uma guinada radical e deu uma melhorada radical nas condições de trabalho, a gente tinha uma época, que para a gente aprender a tocar uma música ou ouvir um disco tinha que ter um amigo que importava o disco pra gente ouvir. Hoje o cara só não aprende a tocar se não quiser, o cara entra na internet e vê umas videoaulas incríveis. Ontem mesmo eu tava vendo no youtube com um amigo meu, nem esperava tanta coisa boa. A geração hoje que se mete a fazer música tá tocando muito bem, você não vê ninguém tocando mal. Naquela época a gente tinha que matar um  leão por dia, não era fácil aprender a tocar, não tinha nem partitura.

Você viu muita gente começar, ou mesmo os dinossauros, o Alex Fraga mesmo dizia “jacarelândia”, tinha uma certa resistência, nessa geração prata da casa digamos assim. E hoje em dia virou o que aquilo tudo que você falava? Porque querendo ou não Campo Grande hoje é berço de dupla sertaneja, o pessoal quer começar no sertanejo vem pra cá.  Emplacou sucesso mundial, né, “ai se te pego..”

Eu separo isso, viu. Acho que sertanejo é um fenômeno mercadológico e não autêntico, como essas gerações que fazem música, por exemplo. Aí eu coloco todos os dinossauros, as gerações que vieram depois, muita gente boa veio. Aí podemos pegar por exemplo o blues, temos aí uma geração de músicos de blues muito bons, muito feras. O Renato mesmo, foi pra São Paulo com a banda dele, o Bêbados Habilidosos, tinha tudo para acontecer lá, pelo que acompanhei. Acho que o sertanejo continua sendo um fenômeno mercadológico. Eu fiquei muito revoltado um tempo atrás quando o Guilherme Rondon comentou no Facebook, que ele lançou um disco novo e ele foi numa rádio, e a rádio não queria tocar o disco dele.

Na verdade a rádio blindada, já tinha um set list já…

Na verdade eu acho que muitos grupos bons dos anos 80 caíram num limbo porque não tinha uma gravadora para bancar. O sistema de rádios no Brasil era uma bandidagem, se não tinha o tal do “jabá, jabáculê”, não tocava mesmo. O Lingua de Trapo bateu record de público no Sesc Pompeia em São Paulo, 3 mil pessoas.Era um sucesso tremendo, mas a gente não era prioridade para a gravadora. Então acho que essa vinda da internet nos anos 90 acabou com as gravadoras e eu falo isso sem medo de ser processado, era uma bandidagem. Produtores bandidos, DJs bandidos, gente tomando de assalto. Fazia sucesso quem pagasse.

Mas e essa geração que faz música mais autoral aqui, você acha que… você é um cara por exemplo que tocou polca rock com o Caio Ignácio, né, Colisão vai fazer 30 anos agora, do Jerry, em 2014, faz 30 anos, a pedra fundamental da Polca Rock. Tem outros locais fora do eixo rio são Paulo que tem uma cena… tem o Pará, até Cuiabá evoluiu mais no underground… o que você acha…?

Eu acho que em Campo Grande ainda tem coisa rolando, eu tenho acompanhado esses seis anos que estive em Brasília, tenho acompanhado pela internet. Eu não sei o que falta…

É a mesma coisa parece né? Não sei o que falta… isso é desde o Geraldão na década de 80…

Eu me lembro que o Luz Azul, o grupo da Tetê, O Lírio Selvagem, Bem ti vi estava tendo o maior sucesso na rádio… em 79 eu entrei na Cásper Líbero e encontrei o Geraldo, eles estavam gravando na Gazeta, TV Gazeta, um dos melhores estúdios de SP na época, eles estavam numa padaria ali embaixo, tomando café,e e u me lembro que estavam gravando… eu realmente não sei o que aconteceu… a Tetê teve mais uma chance de estourar e ela é uma pessoa conceituada, quem não sabe quem a Tetê é, mas não estourou como muito outras cantoras, talvez porque a Tetê não tivesse esse capricho de entrar na onda das gravadoras como outras, não entrava no esquemão de fazer a coisa que a gravadora queria. Porque em 85 no Festival que o Língua tocou com o Metaleiros, a Tetê também tocou, a gravadora nessa época, coisa que eles não fizeram com a gente isso, não tivemos isso de TV globo, toda a mídia e eles não trabalharam a gente como poderiam.

E o jornalismo cultural? Na TV Aberta. Hoje em dia a gente tem vários programas ligados a político e tal, a própria TVE agora a Miska tá com um programa legal de memória e tal… mas qual a sua opinião sobre isso?

Eu me surpreendi, a globo por exemplo a TV Morena tá jogando o Márcio de Camillo que eu acho que é uma janela fantástica e é um programa bem assistido. Todo mundo, quando eu voltei agora em agosto em Campo Grande, ‘Ah você viu o Meu Mato Grosso do Sul?”, todo mundo comentando. Acho que isso é uma janela fantástica. Justiça seja feita, quem fez esse papel sempre foi a TVE.

E como você vê a TVE hoje?

Sendo sincero, nos últimos 3 meses eu não tenho acompanhado muito. Mas sei que está faltando investimento na área técnica. Eu sei porque eu fui funcionário 9 anos lá. Aquele equipamento é de final dos anos 80. Não sei se eles melhoraram a transmissão, a rádio tá pegando muito mal… mas acho que o que falta é isso, na TV a cabo você assiste, ela passa. Tenho assistido algumas coisas, mas agora muito raramente. Mas tenho acompanhado ali por Facebook um esforço interessante deles terem pegado a memória, eles têm lançado uns vídeos interessantes, o Pecois…

Mas você não acha que o próprio prata da casa, que é o programa da TV Morena, e tantos outros, a memória da cultura daqui em termos televisivos, e até… tá faltando um pouco mais de investimento? Por exemplo, das suas matérias do Diário da Serra você tem elas?

Do Diário da Serra não, eu devo ter de outros jornais. Porque depois eu trabalhei no JBC bastante tempo. Mas o Diário, me disseram que existe um arquivo perdido em algum canto, depois que fecharam o jornal, não sei se ainda existe esse arquivo.

Quem são os caras que você lembra que mexiam com o jornalismo cultural na época? Quem você sentia que era referência… tem várias matérias de shows meus e de colegas que você fez e tal… e eu acredito que isso movimentava a cena. Eu não acredito que a gente vai conseguir montar uma cena mais cultural, mais underground que consiga movimentar um dinheiro pra essas pessoas se o jornalismo cultural não amadurecer, como acontece em Porto Alegre, Minas Gerais e alguns outros lugares…

Olha, quando o Alex me chamou para esse jornalismo em 92, era praticamente só o Alex que fazia isso. Não me lembro de outra pessoa nessa época fazendo isso. Tinha o “Tagoire Birã” (verificar nome), grande memória, grande amigo, era um pseudônimo. Ele escrevia em um outro jornal, estava no Correio do Estado e eu no Diário da Serra. Mas ele não era especialista nessa área de música, fazia mais literatura e outras coisas. Na verdade quem fazia mesmo era o Alex, aí eu entrei e começamos a fazer junto. Nessa época, 3 meses de diário da serra, logo fui pro JBC e não parei mais de fazer isso e aí fui para TV. Eu sempre gostei do jornalismo impresso.

Você acompanha o jornalismo impresso daqui agora?

Sim, mas mais pela internet, pelo Facebook, que eu acompanho, as pessoas marcam as matérias.

O que aconteceu que você ficou doente, explica pra gente…?

Em 2007 eu havia saído da TVE, tinha mudado o Governo… chegou 12 anos e falei vou fazer outra coisa. Eu tinha um programa de rádio “Na Cadeira do DJ”, e foi tudo acabando. Até hoje eu recebo email de gente querendo ser entrevistada e era um programa que fazia tudo, não era só cultura, o convidado escolhia as músicas. Aí em 2007 eu fui embora, tive até um papo com outras pessoas de rádio aqui, mas falavam “você quer vir aqui pro rádio tem que arrumar patrocinador”. Eu não sou contato publicitário, eu sou jornalista. Então realmente pintou um lance de eu ir para Brasília, tenho muitos parentes lá e fui lá ver qual é o lance. Trabalhei 1 ano no Jornal do Brasil onde eu fiz tudo menos escrever sobre cultura e foi uma experiência fantástica. Descobri um outro lado do jornalismo e vi que não era um bicho de sete cabeças escrever sobre política, sobre economia. Fiz um ano fazendo isso, até que o Jornal do Brasil fechou e mandou todo mundo embora. Aí encontrei o Vasco, o Vasconcelos que nos anos 70 e 80 fez uma revista famosa que revelou muita gente e ele tava lá no Jornal do Brasil, e aí fui trabalhar em assessorias. Aí fui fazer um tratamento dentário, uma prótese, um canal, peguei uma bactéria que atacou minha válvula. Aí em 2009 fiquei internado dois meses, pessoal fez um auê, era uma endocardite que a gente chama, por conta disso ganhei uma válvula de metal na veia aorta e depois disso fui tentando recuperar. Aí recentemente em Brasília tive que colocar outra válvula e recentemente um marcapasso, (Rodrigo: e aí tá com duas próteses e um marcapasso)… sim, aí voltei por conta disso, estou aí por conta de tentar me aposentar da área de jornalismo, fiz alguns cursos de webdesigner e tou tentando…

Até com esse negócio da volta da Vanguarda Paulistana, vai voltar o Língua…

Voltar não volta, acho que o que pode acontecer é que com a tecnologia de hoje o língua pode gravar um disco com a formação original sem eu sair daqui de Campo Grande e o Pituco cantor sair do Japão, a gente pode gravar trechos e mandar via email e estamos com essa ideia faz tempo. Estão lançando um documentário sobre a vanguarda paulistana, teve até três sul-mato-grossenses lá, eu, Tetê, Alzira, mais gente… (Rodrigo: o Almir talvez com o Voz e Violas…), é, essa turma toda que participou do Lira Paulistana, ali que foi o berço, não sei porque esse nome de “Vanguarda…”, acho que foi esse nome lá por causa do Arrigo, mas o Arrigo nunca tocou no Lira né, mas assim, ele aglutinava, porque muita gente que tocou com ele acabou fazendo outros trabalhos importantes.

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