Entrevista Almir Sater • ‘Gosto que me ouçam com os olhos fechados’ • Rodrigo Teixeira • 21.09.2013

O violeiro Almir Sater retorna à terra natal neste domingo e diz que traz show velho, mas com emoção nova

Desde novembro de 2012 que o músico Almir Sater não faz um show em Campo Grande. O jejum de apresentações em sua terra natal, no entanto, termina neste domingo (22). O cantor e compositor campo-grandense vai tocar com sua trupe no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo, a partir das 20h. Espirituoso, o próprio músico faz graça do fato de seu show já ser conhecido do público e não sofrer grandes alterações no repertório. “Convido a todos para ir ao concerto para ver meu velho show que sempre tem uma emoção nova”, ressalta.

Almir avisa que seu espetáculo está mais voltado para o clima da fronteira e que não está usando percussão na formação da banda. “O clima está mais em cima dos violões mesmo”, reconhece. Avesso a produzir DVDs ou se dedicar a produção de conteúdo para páginas na Internet ou redes sociais, o violeiro é prático nesta área. “Se eu fizer um site oficial vou ter a responsabilidade de colocar conteúdo nele sempre e não quero isso. Tenho a felicidade de contar com pessoas generosas que estão postando informações sobre os shows e agenda e está dando certo. Quanto ao DVD, prefiro que as pessoas escutem minha música de olhos fechados”, provoca.

O estilo, avesso a grande mídia, já virou uma marca do músico. “No começo era preguiça mesmo, mas depois o pessoal achou que era charme”, avalia. Segundo a entrevista exclusiva concedida ao O Estado de MS, os clássicos estarão todos no repertório, mas, a energia será, confome prometeu o violeiro, nova. Confira a entrevista!

Rodrigo Teixeira – O projeto Comitiva Esperança completa 30 anos em 2013. Como você analisa aquele Pantanal que você encontrou, junto com o parceiro Paulo Simões e o saudoso Zé Gomes, com a região atualmente?

Almir Sater – O Pantanal de hoje tem regiões que se desenvolveram mais e outras menos. Mas as pessoas que vivem no Pantanal estão mais conscientes atualmente. O ser humano, de um modo geral, está evoluindo na minha opinião. Eu me considero um conservacionista e o pantaneiro sempre foi. O pessoal que mora no Pantanal também sempre foi acostumado com fartura.

Você estava formatando um projeto em parceria com o Maurício de Sousa, criador da Turma da Mônica, que envolvia a conservação do Pantanal. Como está este projeto?
Este projeto com o Maurício de Sousa não andou para frente. Infelizmente. Minha ideia é aproveitar a mão de obra do homem ribeirinho, da população que é acostumada com os rios e depende deles para viver. Então, na época da piracema, em que o ribeirinho não pode pescar porque é proibido por lei, ele iria ganhar uma quantia em dinheiro para transitar nos rios e retirar o que achasse de sujeira. Ele iria usar aquele período em que normalmente tem que ficar parado para ajudar a conservar os rios e proteger o meio ambiente. Com isso, teria um trabalho neste período da piracema e iria ganhar mais. Então queria reunir um pessoal para discutir isso, qual a maneira melhor de implantar este projeto e tudo mais.

Como você analisa o fato de um projeto como este, que é positivo, não conseguir obter parceiros com facilidade?
Eu confesso que ando meio descrente. Muitos parceiros poderiam participar deste projeto para ajudar a limpar rios, como o Aquidauana, o Coxim e o Taquari, mas é muito complicado para concretizar. A sociedade até tem vontade de ajudar, mas quem decide, na verdade, é que é devagar. O pessoal que é autoridade é muito bom de reunião, mas na hora de decidir mesmo, demora. Por isso, estou me afastando de projetos assim e focando mesmo nos shows.

A Maria Bethânia gravou e está cantando a música ‘Planície de Prata’, parceria sua com Paulo Simões. Como foi que a Bethânia conheceu esta música?
Na verdade, a Bethânia viu uma entrevista que dei para a repórter Cláudia Gaigher, da TV Morena, afiliada da Globo, em que eu toquei esta música. Depois ela me ligou perguntando da canção. Eu cantei e toquei pra ela pelo telefone mesmo, para ela ter uma noção melhor da melodia e da harmonia, e depois vi que a Bethânia tinha gravado. Eu não escutei ainda, mas deve ter ficado muito bom. A Bethânia tem muita sensibilidade e vai atrás dos autores. Ela é muito antenada com o que está acontecendo.

Ela está cantando ‘Planície de Prata’ nos shows inclusive. Na década de 90, a Bethânia já tinha gravado ‘Tocando em Frente’ e ganhou inclusive um Prêmio Sharp com a canção.
Sim, ela gravou ‘Tocando em Frente’ e contribuiu muito para que esta música se tornasse bastante conhecida do público. Eu só tenho a agradecer a Bethânia.

Esta música que a Maria Bethânia está cantando, você lançou em seu último disco, o Sete Sinais, no ano de 2006. Deste mesmo disco tem Cubanita, também em parceria com o Paulo Simões, que foi gravada por duplas sertanejas. Como você decide a hora certa de gravar um novo disco?
Eu preciso de motivação para gravar um disco novo. Eu realmente prefiro pescar. Geralmente, preciso estar sob pressão para fazer um novo álbum. Eu acredito que este mundo do disco está bastante confuso. Porque, na verdade, eu banco os meus discos e gravar tem um custo. Na verdade, atualmente, investir em disco é quase filantropia. Sou um artista independente e, por isso, vendo meus discos depois dos shows e não posso reclamar, porque o público prestigia e compra. Mas fazer disco novo ainda não sei quando.

‘Eu e o Renato Teixeira estamos fazendo um disco juntos. Mas este ano não conseguimos ainda parar uma única vez devido aos shows. Nós demos um prazo de oito anos para concluir este disco’

Você começou a fazer um disco em parceria com o Renato Teixeira, que é seu vizinho na Serra da Cantareira, em São Paulo. Este disco vai sair?

Sim. Eu e o Renato começamos a fazer este disco realmente. Mas este ano não conseguimos sentar uma única vez para dar prosseguimento. Eu e ele temos muitos shows e fica bem difícil gravar, mesmo ele sendo meu vizinho. Eu e o Renato demos um prazo para concluir este disco que é de oito anos (risos).

E o terceiro disco instrumental, tem chance de sair um dia?
Tenho muita vontade de fazer. Na verdade, já tenho material pronto deste novo disco instrumental. Ele vai ser voltado para este som nosso da fronteira, que é um lado que ainda não explorei realmente.

Mesmo com um estúdio no quintal de sua casa você não consegue gravar?
Meu estúdio é em casa, mas está meio mofado (risos). O que sustenta a minha família são os shows, então eles têm prioridade. Não sobra tempo.

‘DVD é muita plástica e pouco conteúdo. Eu realmente não quero ficar fazendo caras e bocas parar produzir um DVD. Prefiro que só foquem na minha música. Mas nos shows é liberado filmar’

Você não tem página oficial na Internet. Também não possui uma página no Facebook. Também jamais produziu um DVD em tantos anos de carreira. Até que ponto este é um estilo ou está mais para estratégia de condução de carreira?
No começo era preguiça mesmo (risos). Depois parece que o pessoal começou a encarar como um charme legal. O problema é que se eu tiver um site oficial vou ter a responsabilidade de alimentar a página com conteúdo e não quero esta responsabilidade. Mas tenho pessoas legais e muito generosas que acabam postando informações sobre a agenda de shows e tudo mais no Facebook. Está funcionando. Quanto ao DVD eu sou mesmo resistente. Eu gosto mesmo é que as pessoas me ouçam com os olhos fechados. DVD é muita plástica e pouco conteúdo. Eu realmente não quero ficar fazendo caras e bocas para produzir um DVD. Prefiro que só foquem na minha música mesmo. Mas nos meus shows eu libero para o público filmar como quiser. Em todos os shows é assim. Pode filmar à vontade!

Já é famosa a história de que você não modifica os seus shows. Eles geralmente têm o mesmo repertório e você canta basicamente os clássicos da carreira. Como você faria um convite então para que o público de Campo Grande prestigie o show deste domingo?
Olha, eu sempre fui muito bem recebido pelo público de Campo Grande. Faço o mesmo show e nunca ninguém brigou comigo (risos). Mas eu convido a todos os campo-grandenses a ver meu velho show, mas que sempre tem uma emoção nova. Diferente. Eu sempre vou cantar músicas como ‘Trem do Pantanal’, que geralmente encerro o show. Vou cantar e tocar esta música para o resto da minha vida. O nosso show agora está bem voltado para os ritmos e o clima da fronteira. Não estou usando percussão na banda. Estamos com uma formação com violões, vocais, baixo e sanfona.

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6 pensamentos sobre “Entrevista Almir Sater • ‘Gosto que me ouçam com os olhos fechados’ • Rodrigo Teixeira • 21.09.2013

  1. ..sinto como se ele estivesse cantando só pra mim!
    ..me entrego pra emoção que ele transmite, lindo de mais!

  2. Parabéns Almir Sater já é uma lenda, ouvir suas músicas é sentir que o tempo não passa e sim que temos muito que que ensinar aos nossos dessedentes a ver a natureza de uma maneira diferente, mas a melhor parte é sentir as músicas que ele canta, suavemente, com a voz quew só ele pode ter. É DOM DE DEUS.

  3. Respeitamos muito esse seu jeito de ser, de ver as coisas de uma forma diferente, de fazer as coisas diferente.Você Almir é genuíno, tem um grandeza interior que todos nós amamos. Quanto a ouvir-te de olhos fechados, é praxe (ch?, desculpem-me), já que suas canções nos levam a olhar p/ dentro de nós mesmos. Mas se assistimos seu show ao vivo, não dá pq é a única chance que temos de “olhar vocẽ”!!!
    Um abração da tua super, hiper, mega, fã, desde sempre!!!

  4. Almir Sater muito boas suas músicas e melodias, mas uma coisa que me inspira, é seu senso de ser, isto é, sua Humildade e Simplicidade de ser uma Pessoa Melhor, Comovente e Sensível. Parabéns e que Deus o abençoe sempre…Rodrigo

  5. Almir Eduardo…,é um prazer olhar nos seus olhos mesmo que em um simples video ou foto,porque seu olhas diz muito,e as palavras são lindas.Tenha certeza que é dom de Deus as suas cançoes,o tocar da viola….sua simplicidade é claramente dita nos seus olhos,e isso sem duvida vem do seu coraçao.É muita transparencia. Tenho 24 anos e só agora conheci um pouco de você,…infelizmente nao pessoalmente,mas gostaria muito de te receber em minha casa. Um dia irei no seu show. E tambem será um prazer ter você em Capivari-SP. Parabéns pelo seu jeito de ser e pelo dom da musica na sua vida! …Laura.

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