Festival Vídeo Índio Brasil acontece em Mato Grosso do Sul

Três cidades sul-mato-grossenses sediarão um encontro singular no panorama cultural do país. É o “Vídeo Índio Brasil” que acontece entre 23 e 29 de junho em Campo Grande, Dourados e Corumbá. Será a oportunidade de acompanhar gratuitamente mostras, oficinas, seminários, exposição e uma extensa programação de produções indígenas e filmes focados em temáticas indígenas.

Em Campo Grande, o festival será realizado no CineCultura, em duas sedes da Casa Brasil (Vila Santo Eugênio e Instituto Delta de Educação), e nas aldeias urbanas Marçal de Souza e Água Bonita. O Museu de Culturas Dom Bosco abrigará a oficina básica de produção audiovisual. No interior, a Casa Brasil da UFGD será a base em Dourados e a Casa Brasil do Moinho Cultural Sul-Americano em Corumbá.

A abertura está programada para a segunda (23), às 19 horas, no CineCultura, em Campo Grande. O primeiro filme exibido será o pernambucano “Pïrinop – Meu Primeiro Contato“, de Mari Corrêa e Karané Ikpeng, e que relata o contato dos índios Ikpeng com o homem branco em 1964 em Mato Grosso. Os terena da aldeia Água Bonita ainda apresentarão a tradicional “Dança da Ema“.

SEMINÁRIO

O seminário “A Imagem dos Povos Indígenas” reunirá importantes lideranças, intelectuais e dirigentes. O CineCultura abrigará de 24 a 29 de junho, sempre às 9 horas, mesas de debates sobre políticas públicas de cultura, mídia, cinema, os povos indígenas em MS e tradição indígena no mundo contemporâneo.

Estarão presentes várias personalidades, como Armando Lacerda (Jornalista e Cineasta/DF), Daniel Munduruku (Instituto Indígena Brasileiro para a Propriedade Intelectual/RJ), Joel Pizzini (Cineasta/RJ), Pedro Sergio Lima Ortale (Coordenador de Cultura da Fundação Nacional do Índio/DF), Marcos Terena (Membro da Cátedra Indígena Internacional/Comitê Intertribal – Terena/MS), Vincent Carelli (Cineasta e idealizador do Vídeo nas Aldeias/PE), Divino Tserewahu (Realizador indígena xavante/MT), entre outros.

MOSTRA NO CINECULTURA

O “Vídeo Índio Brasil” terá duas mostras realizadas também no CineCultura, em Campo Grande. O público vai apreciar em “O Olhar dos Povos Indígenas” – sempre às 18 horas – produções realizadas por indígenas de vários estados brasileiros, como Mato Grosso, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Norte e Distrito Federal, além do próprio Mato Grosso do Sul.

São 13 filmes que abordam temas riquíssimos, como “Em Trânsito – A Saga dos Manoki”, que conta o drama do povo Manoki em Mato Grosso. O Vídeo nas Aldeias (PE) marca presença no festival com mais cinco produções: “Pïrinop – Meu Primeiro Contato”, “Xina Bena – Novos Tempos” – o dia-a-dia da aldeia Hunikui de São Joaquim, no Rio Jordão, no Acre -, “Huni Meka – Os Cantos do Cipó“, “Imbe Gikegu – Cheiro de Pequi“, “Ñguné Elü – O Dia Em Que a Lua Menstruou” e “Wai’a Rini – O Poder do Sonho“, que recebeu prêmios no Equador e Bolívia.

Após algumas exibições, haverá debates com diretores de filmes presentes no evento e convidados. Está prevista a participação de diretores como Elton Rivas (MT), Maria de Lourdes (MS), Juracilda Veiga (PR), Vincent Carelli (PE), Divino Tserewahu (MT), Chico Sales (PB) e Ronaldo Duque (DF).

Já a mostra “Os Povos Indígenas no Cinema Brasileiro” – sempre às 20 horas -, reúne cinco filmes que abordam a questão indígena. A história do cacique xavante Mário Juruna, o único a ocupar uma cadeira no parlamento brasileiro – é o mote de “Juruna – O Espírito da Floresta“, que abre a mostra no dia 24.

Estão programadas as presenças do diretor do filme, Armando Lacerda (DF), e de Diogo Amhó Juruna, filho do ex-deputado, e ainda o cacique xavante mato-grossense Aniceto Tsuezawére e José Maria Paratsé para um debate após a sessão.

O diretor Gustavo Dahl será lembrado no dia 25 com o filme de 1973, “Uira – Um Índio em Busca de Deus“. A produção tem roteiro de Darcy Ribeiro em conjunto com o diretor. A trama relata como o protagonista Urubu-Kaapor atravessa o interior do Maranhão com a família até a capital São Luiz.

Na quinta (26), “Serras da Desordem“, de Andréa Tonacci, revela uma história curiosa de um índio nômade, o Carapirú, que perambulou uma década pelas serras do Brasil Central após ter seu grupo massacrado por fazendeiros. O sobrevivente foi encontrado pelo sertanista Sydney Possuelo a 2 mil quilômetros de seu ponto de partida e acabou virando notícia em Brasília e gerando polêmica entre os estudiosos.

Avaete – A Semente da Vingança“, de Zelito Viana, é a atração da sexta (27). O longa, produzido em 1985, acompanha o crescimento de uma criança índia sobrevivente de um massacre e que é criada por um cozinheiro que participou da chacina. Já adulto, o indígena planeja a vingança dos matadores brancos. A mostra se encerra com “Estratégia Xavante“, de Belisário Franca. O documentário carioca narra a idéia curiosa do cacique xavante Ahopowê, que na década de 70 enviou a Ribeirão Preto oito meninos de sua tribo para serem criados por famílias brancas.

MOSTRAS PARALELAS

Uma grande mostra paralela acontecerá em seis locais com uma programação composta por exibição de filmes, vídeos e debates com diretores e realizadores. Em Campo Grande, as sessões poderão ser acompanhadas nas sedes da Casa Brasil – Vila Santo Eugênio e Instituto Delta de Educação – e também nas aldeias urbanas Marçal de Souza e Água Bonita.

O “Vídeo Índio Brasil” chegará a duas cidades importantes do interior de MS também em abrigos da Casa Brasil. Em Dourados, a mostra paralela acontecerá na Casa Brasil da UFGD. Já em Corumbá, o evento será no Moinho Cultural Sul-Americano. Haverá sessões pela manhã, à tarde e a noite. Também acontecerão debates após as sessões com convidados, entre eles, Joel Pizzini, em Dourados, e Armando Lacerda, em Corumbá.

OFICINA

A Oficina Básica de Produção Audiovisual acontecerá de 23 a 28 de junho no Museu de Culturas Dom Bosco, em Campo Grande. Os módulos do programa são História do Cinema e do Audiovisual e A Linguagem do Documentário, ministrados por Hélio Godoy, além de Fotografia Para Audiovisual, comandado por Sérgio Sato, Divino Tserewahu e Paulinho Kadojeba, e Edição e Montagem, apresentado por Sérgio Sato e Divino Tserewahu.

As atividades da oficina serão direcionadas para as pessoas indicadas pelos caciques de várias aldeias através da Funai. O objetivo é capacitar os indígenas para exercer a criatividade cinematográfica e produzir os próprios documentários e filmes. As aulas terão dois turnos: das 8h às 12 horas e das 13h30 às 17h30, totalizando 48 horas/aula.

Confira a programação completa AQUI!

ENDEREÇOS

CAMPO GRANDE

CINECULTURA
Av. Afonso Pena, 5420 – Chácara Cachoeira

MUSEU DAS CULTURAS DOM BOSCO
Av. Afonso Pena, 7000 – Parque das Nações Indígenas

CASA BRASIL DA VILA SANTO EUGÊNIO
Rua Agronômica, 112 – Vila Santo Eugênio
Sessões: 9h | 15h

CASA BRASIL DO INSTITUTO DELTA DE EDUCAÇÃO
Rua Irã, 102 – Jardim das Acácias
Sessões: 9h | 15h

ALDEIA MARÇAL DE SOUZA
Rua Terena, 105 – Marçal de Souza
Sessões: 9h | 15h | 19h

ALDEIA ÁGUA BONITA
Rua Projetada, S/N – Centro Cultural (Comunidade Indígena Água Bonita)
Sessões: 9h | 15h | 19h

DOURADOS

CASA BRASIL DA UFGD
Rua José Roberto Teixeira, 456 – Bairro Jardim Flórida I
Sessões: 9h | 15h | 19h

CORUMBÁ

CASA BRASIL DO MOINHO CULTURAL SUL-AMERICANO
Rua Comendador Domingos Sahib, 300 – Bairro Cervejaria – Porto Geral
Sessões: 9h | 15h

REALIZAÇÃO

– CineCultura
– Associação dos Amigos do CineCultura

PATROCÍNIO

– Fundação Nacional do Índio (Funai)
– Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural (MinC)

2 pensamentos sobre “Festival Vídeo Índio Brasil acontece em Mato Grosso do Sul

  1. Pingback: Matula TV! Top 20 (maio/2010) « Matulacultural’s Weblog

  2. Prezados colegas,

    Há treze anos foi criada a Escola de Televisão & Arte Eletrônica – ETAE, com o objetivo de gerar e transmitir conhecimentos audiovisuais e capacitar à mão de obra neste setor da mídia. Em 2002 seu criador – Valter Bonasio – lançou o livro “Televisão Manual de Produção & Direção” (Editora Leitura). A obra é tida pelos profissionais de TV, Cinema, professores e coordenadores de cursos de comunicação das principais universidades brasileiras e de países Africanos de língua portuguesa como a “bíblia do audiovisual”.

    O livro e os cursos online são oferecidos totalmente gratuitos através do site http://www.escoladetelevisao.com.br
    Com este pequeno gesto, demonstramos responsabilidade nesse contexto social, fazendo a nossa parte, contribuindo para a capacitação e o crescimento coletivo do setor audiovisual do nosso país.

    Saudações televisivas,

    Lanora Whitted
    Relações Públicas – Escola de Televisão

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