Cult Press 11 – Pepeu Gomes – Seduzido pelas Cordas

Pepeu Gomes comemora duas décadas de carreira solo em ritmo acelerado. Além dos shows que voltou a fazer com os Novos Baianos, o multinstrumentista, cantor e compositor acaba de lançar uma antologia com praticamente toda sua obra instrumental: Pepeu Gomes, 20 anos – Discografia Instrumental, da Natasha. Pepeu ainda se prepara para gravar em dezembro um CD ao lado dos irmãos Jorginho e Didi Gomes – balizado de Brasil Power Trio -, vai ter um songbook com 25 partituras lançado em novembro e ainda estuda a proposta de uma indústria coreana de instrumentos para fabricar em série a guitarra PG, que ele mesmo produz na sua casa no Rio.

“Sempre procuro novidades. Considero-me um alquimista”, define-se o músico, que aos 17 anos largou o baixo após ganhar de Gilberto Gil um LP de Jimi Hendrix. “O álbum era o Snpanish Hits. Fui dormir baixista e acordei guitarrista”, recorda Pepeu, dono de uma coleção de 38 guitarras.

Enquanto inicia a turnê brasileira para divulgar o novo álbum, Pepeu fecha contrato com gravadoras de 35 países para lançar a coletânea na Europa, Estados Unidos e Ásia. O CD duplo Pepeu Gomes, 20 anos – Discografia Instrumental traz 39 faixas remasterizadas de nove discos de Pepeu. “Foi um trabalho árduo, mas é o resgate da minha obra instrumental definitiva'”, comemora o músico.

O primeiro CD da compilação apresenta na íntegra os discos Geração do Som – que marca o início da carreira solo de Pepeu em 78 -, e On The Road, de 89, que vendeu excelentes 12 mil cópias na época. O segundo CD reúne faixas de outros sete álbuns. As quase 40 faixas reunidas no novo disco prova a facilidade com que Pepeu domina vários estilos.

Além de canções próprias, nas quais o músico deixa transparecer influências de guitarristas como George Benson, Carlos Santana e Steve Ray Vaughan, Pepeu interpreta com personalidade clássicos como Brasileirinho, Tico-tico no Fubá, Na Baixa do Sapateiro, entre outros. “Desde criança já ouvia no rádio chorinho, samba e frevo”, recorda o quinto dos dez irmãos Gomes. Mas depois que ouviu pela primeira vez Jimi Hendrix, em 68, Pepeu começou a se interessar por rock’n roll. “Acabei misturando tudo. Por isso não me encaixo em um estilo só”, garante.

Após ser convidado por Gil para gravar o LP Barra 69 – que marcou a despedida de Gil e Caetano antes do exílio londrino -Pepeu entrou para os Novos Baianos e iniciou a busca por uma identidade. “Não queria ligar uma Fender e soar igual ao Eric Clapton”, lembra. E foi em 78 que Pepeu atingiu o objetivo.

Em uma festa em Nova Iorque, o brasileiro conheceu Roger Mayer, engenheiro que gravou a maioria dos discos de Hendrix e que criava os pedais de efeitos sonoros do guitarrista. “O Roger criou um circuito que personifica meus instrumentos. Paguei mais de USS 1.000 na época”, vibra Pepeu, que confessa ter ganhado do engenheiro dois pedais que o próprio Hendrix usava. “Tenho tanto carinho pêlos pedais que só uso em casa”, afirma.

Mas um novo presente é que está mexendo com a cabeça de Pepeu ultimamente. Em recente viagem à Europa, o músico ganhou um violino e está apaixonado pelo instrumento. “O violino tem a mesma afinação do bandolim. Já toco uma parte do Brasileirinho”, revela. Pepeu também começa a preparar um disco cantado que vai gravar em 99. “Se dissesse que dá para viver só de música instrumental estaria mentindo”, confessa o músico, que vai misturar música árabe com MPB no próximo CD.

Pepeu arranja tempo ainda para começar a montar a estrutura no Rio e em São Paulo para fundar sua escola de música e, principalmente, fazer shows junto com os Novos Baianos. O guitarrista só reclama da dificuldade para reunir os quase 15 integrantes da banda liderada por Moraes Moreira, Baby do Brasil, Galvão e Paulo Boca de Cantor. “Temos muitos convites para convenções e festas. Só para o reveillon recebemos 12 propostas”, adianta Pepeu. Com tantos músicos nos Novos Baianos, o guitarrista confessa que é difícil ganhar algum dinheiro. “É mais pela filosofia. Só o fato da gente ficar junto já é o maior cache do mundo”, garante.

* Publicado pela Cult Press, da Agência Cartaz Z Notícias, em 27/10/98

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