Meu nome é Alzira E

Compositora da família Espíndola radicada em São Paulo lança pela primeira vez um disco em Campo Grande

Desde que lançou este ano o sétimo disco da carreira a sétima filha da família mais famosa de Mato Grosso do Sul decidiu eliminar o sobrenome Espíndola. Agora esta campo-grandense radicada em São Paulo desde a década de 70 chama-se Alzira E. Sem ponto após a quinta letra do alfabeto.

A pergunta imediata que vem a cabeça é por quê esta decisão? ‘Desde 2000 que o sobrenome Espíndola virou uma marca muito forte da família. Percebi que individualmente não existia a necessidade de carregar o sobrenome porque começou a aparecer nos trabalhos artísticos que envolvia a família. Então por uma questão de marketing decidi tirar o Espíndola no meu sétimo trabalho, sendo eu a sétima filha dos Espíndola, além de que não tem outra cantora no Brasil chamada Alzira e o E tem a ver com a minha história de estar envolvida com outras pessoas. Sempre fui Alzira e a família, Alzira e os parceiros…’

E é justamente para apresentar o disco que Alzira fez com o seu mais novo parceiro é que a compositora se apresenta este domingo em Campo Grande. Na verdade, é a primeira vez em 30 anos de carreira que Alzira vai realizar o lançamento de um disco na cidade em que nasceu. Sempre vinha à Campo Grande tocar em show coletivos.

Por isso, a apresentação amanhã no projeto ‘Som da Concha’ é especial para Alzira. O show será na Concha Acústica Helena Meirelles localizada no Parque das Nações Indígenas, a partir das 17 horas, e a abertura será da banda Haicai. A entrada é de graça e a realização da Fundação de Cultura de MS (FCMS).

‘Acho que estou vindo pela primeira vez lançar um disco em Campo Grande porque o público não acompanha muito meu trabalho solo. Está acontecendo agora porque acredito que minha carreira como Alzira E está começando a acontecer e ter destaque. Agora estou tocando com músicos daqui mesmo o que facilita a vinda. Além disso tive canções gravadas por Ney Matogrosso e Zélia Duncan o que ajudou a expandir minha carreira solo. Vai ser o quarto show deste novo disco e tenho certeza que as pessoas terão uma grata surpresa’, avalia a cantora.

Alzira vai mostrar no show de domingo as composições do seu último disco ‘Alzira E’. O álbum marca a parceria da cantora com o poeta paulistano Arruda. Os dois se conheceram em uma oficina de haicai em junho de 2005 e depois de fazer a primeira canção não pararam mais. Nos primeiros seis meses já contabilizavam 30 músicas compostas. Além de render o repertório de um disco completo, as músicas de Alzira e Arruda caíram nas graças de outros artistas.

Zélia Duncan, além de lançar o CD pelo seu próprio selo, o Duncan Discos, inclui a canção ‘Chega Disso’ no DVD do show ‘Pré Pós Tudo Bossa Band’. Maria Alcina também registrou a música ‘Colapso’ em seu disco novo e Jerry Espíndola gravou três parcerias de Arruda e Alzira no último disco ‘Vértice’.

A compositora será acompanhada no ‘Som da Concha’ por Sandro Moreno (bateria), Guilherme Cruz (violão e guitarra) e o paulistano Pedro Marcondes (baixo). O irmão caçula, Jerry Espíndola, fará uma participação. Além das canções de ‘Alzira E.’, a cantora deve relembrar algumas músicas dos seus outros seis discos ‘Paralelas’ (2005), ‘Ninguém Pode Calar’ (2000), ‘Anahí’ (1997), ‘Peçamme’ (1996), ‘AMME’ (1990) e ‘Alzira Espíndola’ (1987).

Este ano Alzira completa 30 anos de carreira. Em 1977, a cantora estreou integrante o grupo ‘Tetê e o Lírio Selvagem’, com os irmãos Tetê, Geraldo e Celito Espíndola, gravando disco homônimo pela Polygram. Com a dissolução do grupo Lírio Selvagem, Alzira passou a acompanhar Almir Sater entre 1980 e 1986. No ano seguinte se lança em carreira solo.

Surge então em 1990 a parceria com Itamar Assumpção, com quem excursiona pela Europa e faz muitas músicas, como ‘Bomba H’, gravada por Ney Matogrosso em 2000 no disco ‘Olhos de Farol’, e ‘Transpiração’ e ‘Finalmente’ incluídas no CD ‘Vagabundo’, de Ney Matogrosso e Pedro Luís e a Parede. Outra grande parceira é Alice Ruiz, com quem lançou ‘Paralelas’, em 2005.

Mantendo a tradição de dividir a criação artística com outras pessoas, Alzira continua a profícua parceria com Arruda. Os dois, aliás, foram selecionados entre os 12 finalistas no Prêmio Visa Compositores, em São Paulo, em agosto de 2006. O show deste domingo é a oportunidade do público campo-grandense conferir esta nova fase de Alzira e prestigiar a artista de Mato Grosso do Sul mais badalada do momento no eixo-Rio-São Paulo.

‘Estou em um excelente momento da carreira e espero que seja só o início. Este impulso é resultado de muitas coisas, principalmente pela minha maturidade como compositora e a persistência em acreditar e não desistir’, pondera Alzira.

* Matéria publicada em 23 de novembro de 2007 no jornal O Estado de MS.

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