Músico da terra é minhoca?

Esta história de ‘músico da terra’ tem que parar! Quem é da terra é minhoca. Este tipo de tratamento atira o profissional da música de MS numa vala comum onde se mistura protecionismo quadrúpede, auto-estima baixa e conversa para boi dormir. Está na hora do músico sul-mato-grossense ser tratado com mais seriedade em projetos coordenados pelo governo e este mesmo músico ter uma postura mais profissional quando aceita ser inserido em produções que envolvam artistas de fora do estado. Não dá para aceitar tudo, como se fosse um favor o governo estar chamando para abrir apresentações de nomes nacionais da música.

Vamos direto ao assunto. Me refiro ao MS Canta Brasil que começou no último domingo (7/10). A atração de Mato Grosso era a Vanessa da Mata. O músico da ‘terra’ (rs) foi o Chalana de Prata, com quatro ícones da música de MS: Paulo Simões, Celito Espíndola, Guilherme Rondon e Dino Rocha. Pois bem. Eu estava lá. O que vi foi um show do Chalana de Prata sem nenhuma potência nos equipamentos, uma iluminação que não passava de um branco estourado e sem nenhum movimento e os músicos fazendo de tudo para trabalhar em condições até aceitáveis para um grupo iniciante, mas não para quem ajudou a construir a história da música sul-mato-grossense, no caso do Dino, desde os anos 50.

Para piorar a situação, os músicos de Campo Grande não tiveram camarim e sim uma barraca improvisada as pressas que mais parecia um barraco de lona para se acomodar. Também não tiveram tempo para fazer a ‘básica’ passagem de som, chegando ao cúmulo de ter de realizar o procedimento correndo já com o público no local. Constrangedor. Não havia também retorno para que os ‘músicos da terra’ se ouvissem em cima do palco. Ou seja. Ficou tudo para a ‘importantissima’ Vanessa da Mata e nada para os ‘minhocas’ de MS.

Está na hora também dos músicos sul-mato-grossenses se profissionalizarem. Uma banda como o Chalana de Prata, que conta com um dos maiores letristas do Brasil da atualidade, o Paulo Simões, um dos grandes cantores do Brasil, o Celito, um dos principais compositores do Centro-Oeste, o Guilherme, e o um verdadeiro mestre da sanfona brasileira, celebrado de Zezé di Camargo a Dominguinhos, Dino Rocha, não pode ser mais amadora. Tem que ter um produtor para cuidar disso e não deixar acontecer o que aconteceu no MS Canta Brasil.

Por outro lado, está na hora de parar de usar o músico de MS como boi de piranha para a ‘boiada de outro estado’ passar impune, com cachês maiores, regalias mil, desrespeito com os músicos locais e todas as condições de trabalho. Se continuar desta maneira, seria melhor só ter o músico de fora tocando no projeto. Não precisa ter a obrigação de colocar o músico de MS só porque é politicamente correto ou mesmo usar o músico como desculpa para conseguir o patrocínio e o aval dos generais para que seja realizado o evento.

De uma vez por todas: MAIS RESPEITO!

* Texto publicado no jornal O Estado de MS em 09/10/2007

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