Mega centro cultural será construído em Campo Grande

Prefeito Nelson Trad Filho promete Centro Cultural; 1% para a cultura não sai em 2008

O encontro com representantes da classe artística no gabinete do prefeito campo-grandense marcada para ontem era para a entrega do documento relacionado ao pedido de 1% do orçamento municipal para o setor cultural. Cerca de 30 pessoas da área cultural estavam presentes para o esperado tete-a-tete com Nelson Trad Filho, que ainda não havia se manifestado oficialmente sobre a questão. Nas conversas entre os artistas, muita gente já estava desacreditando a possibilidade do prefeito não chegar nem perto do valor do 1% que seria de aproximadamente de R$ 6 milhões. E foi realmente o que aconteceu.

Eu não vou conseguir chegar no 1% no orçamento deste ano. Não posso também estipular uma cifra porque pode frustrar depois as pessoas. Mas vamos avançar no orçamento da cultura‘, disse Nelsinho no final da reunião sem maiores rodeios e sem estipular afinal para quanto vai o orçamento da prefeitura de Campo Grande dedicado à cultura em 2008.

Sem chegar ao montante pedido pela classe artística, que fez muitas reuniões para discutir o assunto com os vereadores e mobilizou 42 entidades, Nelsinho ‘assoprou’ antes de ‘bater’.

Logo depois de alguns ativistas do setor cultural se pronunciar, como o cineasta Cândido Alberto da Fonseca, a professora Maria da Glória Sá Rosa e o próprio vereador Athayde Ney, o prefeito convocou uma equipe para apresentar o esboço de um projeto que irá transformar o espaço onde seria o novo Terminal Rodoviário de Campo Grande, na Avenida Ernesto Geisel, em um grande Centro Cultural. A surpresa foi geral.

O espaço da nova rodoviária poderia ter dois destinos. Ou a demolição ou isso que propomos ao BID, que é a transformação do local em um grande Centro Cultural‘, afirmou Nelsinho.

O projeto do novo Centro Cultural envolve uma negociação com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a prefeitura de Campo Grande. Durante a apresentação o prefeito citou o valor da obra em aproximadamente R$ 9 milhões e que o total do valor do projeto envolvendo o BID seria de U$S 40 milhões, sendo 50% para o banco e 50% para a prefeitura, envolvendo projetos em várias áreas.

A previsão é que tenhamos uma posição do BID referente ao projeto no final do primeiro semestre de 2008. Nós fizemos este projeto em um mês, a toque de caixa para apresentar para o Ministério Público e agora estamos à disposição da classe artística para escutar sugestões e adaptarmos o que for necessário‘, afirmou Eliane Detoni, coordenadora da unidade de projetos especiais da prefeitura de Campo Grande.

O Centro Cultural

O novo Centro Cultural terá 11 mil e 500 metros quadrados de área no local onde inicialmente o falecido arquiteto Rubens Gil de Camillo havia proposta a construção da nova rodoviária de Campo Grande. Haverá espaço para as artes plásticas, dança, música, uma escola de teatro, salas para oficinas, restaurante, área para convivência, exposições de artes plásticas, pinacoteca municipal, e alojamento para 100 pessoas pernoitarem com entrada independente.

O local irá abrigar também os ensaios da Banda Municipal Ulisses Conceição, da Orquestra Sinfônica Municipal e de grupos de teatro e de dança. A entrada principal será pela Avenida Ernesto Geisel.

Um teatro multifuncional para 400 lugares será construído, com pé direito alto e fosso para músicos, o que possibilitaria, por exemplo, apresentação de dança com orquestra. Os artistas presentes chamaram a atenção para a necessidade da inclusão de espaços para o cinema e literatura, que não estava previsto no projeto.

Orlas

O prefeito Nelsinho ainda fez questão de detalhar dois outros projetos. O Orla Ferroviária e a Orla Morena. A primeira começaria na Av. Afonso Pena, na altura da Morada dos Baís, e passaria pela Barão do Rio Branco, Dom Aquino, Maracaju, Antônio Maria Coelho e terminaria na Avenida Mato Grosso, na altura do Hotel Gaspar.

Vamos manter a topografia original, construir teatro de arena, calçadão de 15 metros, manter o pontilhão da Antônio Maria Coelho e adicionar paisagismo e decoração adequadas‘, garantiu Nelsinho. ‘Também vamos contemplar com espaços próprias as colônias que ajudaram o desenvolvimento da cidade que são as colônias italianas, espanholas, portuguesas, libanesas, japonesas, bolivianas e paraguaias‘, enumera.

Já a Orla Morena começaria na área batizada de Cabeça de Boi, na altura da praça das Araras, e seguiria até o novo Centro Cultural da Cabreúva. ‘Teremos um largo de esportes, um espaço para feira de artesanato, ciclovia, teatro de arena, mirante e monumentos homenageando a ferrovia‘, lista o prefeito.

‘Este projetos são a prova que estamos interessados na cultura. E com estas obras e espaços que serão criados teremos que realmente fomentar a cultura da cidade pois vamos ter que uma programação para ocupar estes espaços‘, avalia Nelsinho, que provou habilidade política para dizer um ‘não’ com gosto de ‘sim’ para a classe artística.

* Publicado no jornal O Estado de MS em 26/10/2007.

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