Parte II • PABLO CAPILÉ: ‘A galera de CG está acomodada e preguiçosa’

… continuação da matéria PABLO CAPILÉ: ‘A galera de Campo Grande está acomodada e preguiçosa’

Para ler a primeira parte da entrevista clique AQUI!

BERRANTE NEWS
Entrevista Pablo Capilé – Parte II

Rodrigo – Com certeza se CG estivesse com bandas inseridas nos festivais, MT e MS iriam fazer muito mais pressão e ter mais visibilidade.
Pablo – Sem sombra de dúvida. Seria muito interessante pro circuito MS estar integrado. Se acha para mim é mais fácil fazer intercâmbio com banda do Acre? Que é tipo 30 horas de Cuiabá de ônibus do que uma cena q é 600km daqui, q podem rolar de maneira muito mais bacana. Mas o que é foda é querer colocar uma capa na gente que não é da gente. O que que acontece em Cuiabá? Árvore que não dá fruto ninguém taca pedra. E a gente chegou rompendo e quebrando um monte de paradigma e mostrando para a galera da cena daqui que poderia ser feito de outra forma e que tinha que tentar outro método. E este método se mostrou muito funcional. E quando as pessoas não conseguem entender muito bem o que está acontecendo, pq está muito a frente do tempo deles, eles preferem ou falar mal tipo não concordo, que é mais fácil de justificar q vc naum está fanzendo tb… a grande justificativa da maioria dos preguiçosos é esta: ‘não concordo’. Mas não dá nenhuma proposta tb para que a coisa aconteça.

Rodrigo – Esta briguinha entre cuiabanos e campo-grandenses existe ainda certo?
Pablo – Para mim está completamente superado. No momento em que eu coloquei que o Vaguinho atrapalhava e ele fez uma réplica que atrapalha o canal. Ele falar que Cubo Cards e Cuboestúdio não funciona é no mínimo maldoso da parte dele. Porque ele sabe que muitas bandas ensaiam aqui, que temos estúdio de gravação. Todas as bandas que vieram para o Calango este ano receberam o Cubo Cards para gastar dentro da arena. Este ano em vez de cachê, as bandas receberam Cubo Cards. E com o Cubo Cards os músicos compraram camisetas, cerveja, comes e bebes… Elas sobreviveram dentro da arena. As bandas locais tb ganham. Este Cubo Cards pode ser trocado desde ingresso para ir ao evento, usar estúdio de gravação e ensaio, a camiseta, locação de DVD… Então a gente criou uma série e possibilidades pras bandas e produtores estarem usufruindo do Cubo Cards. E isso vais e vascularizando de uma tal forma que a galera consegue ensaiar, gravar e divulgar a banda neste sistema de Cubo Cards. O cara não consegue nem entender o tamanho da coisa toda e, com um trabalho voltado principalmente para o umbigo dele, vem falar que a parada não funciona. Mas todos os produtores do país estão acompanhando o crescimento destes métodos do Espaço Cubo. Semana passada fomos dar uma palestra sobre o Cubo Cards no Rumos Itaú Cultural. Nós vamos ao Acre também dar uma série de palestras. Então eu consigo enxergar o papel do Vaguinho no processo, mas ele é que não percebe isso. O que tem de mudar então é esta situação de que todas as bandas que vem para cá ou que vão para aí são só através do contato com o Vaguinho. Acho que está faltando em CG uma nova liderança, porque eu não vejo outro produtor fora o Vaguinho.

Rodrigo – Talvez porque não tenha realmente. Aqui é tipo cada banda por si.
Pablo – Outra coisa que ele falou: ?Campo Grande prefere ser uma espécie de Porto Alegre. Ninguém sabe o que rola, mas rola coisa legais!?. Poxa, deve ter pelo menos 20 bandas de Porto Alegre rodando o país. Este comparativos só atrapalham ainda mais. É por isso que eu falo que outros produtores venham encabeçar esta relação de Campo Grande com o resto do país porque o Vaguinho não tem mais perna para isso. Não tem visão para enxergar isso. Ele está com métodos totalmente ultrapassados e datados e por isso é preciso inserir novos produtores dentro deste circuito para Campo Grande poder participar de toda a movimentação.

Rodrigo – Faz um balanço do Calango este ano.
Pablo – Foi mto bacana. O Calango é o festival que mais consegue trazer bandas do país. Das 45 bandas que se apresentaram são 18 de Cuiabá e 27 de outros estados. Pela primeira vez na história seis estados do Norte estiveram envolvidos com um festival independente pra debater os rumos da produção independente do Norte.

Rodrigo – Quem foi ‘a banda’ este ano do festival em sua opinião?
Pablo – Algumas. O Vanguart por estar em casa e numa seqüência muito interessante. O Macaco Bong foi poderoso. O Superguidis do RS. O Los Porongas, do Acre, fez um showzaçooo. E Mezatrio. Estas bandas mostraram que são a nova cara da música brasileira.

Rodrigo – Acho que já falamos pacas hein Pablo? Ta bom para você?
Pablo – Ta bom. Eu queria dar um recado pra galera de MS que a tentativa de estabelecer uma discussão deste jeito, com uma política de enfrentamento, é para acordar mesmo. Não é uma coisa de menosprezar o trabalho de vocês. É tipo vamos acordar, porque não temos mais tempo de ficar passando a mão na cabeça. No mínimo tentar se antenar mais. E se tem uma cena de quinta a domingo e o público comparece melhor que Cuiabá ainda. Mas é impressionante que uma cena que consegue ser mais envolvente que Cuiabá não consegue estar mais antenada no circuito nacional como Cuiabá. Então eu acho que tem pessoas erradas fazendo este link com a relação com o resto do país. As portas estão abertas e nós do Espaço Cubo queremos muito a participação de Campo Grande em todas as nossas ações. Não existe nenhuma picuinha no sentido de não colocar as bandas de CG nos eventos ou trazer CG para perto, pq MS tem tudo para ser parceiro. Eu seria míope se achasse certo limar CG porque tem uma rixa histórica entre estes dois estados. E ficar atento à necessidade de definir um programa de política pública para o MS.

Rodrigo – Pablo várias coisas legais acontecem em MS na área cultural e até mesmo na política pública. Nós temos dois grandes festivais, o de Corumbá e de Bonito, que estão inseridos no calendário de festivais do país e do continente. O MS vai ser o primeiro estado do Brasil a definir como obrigatório, como matéria curricular, a arte regional do estado. To falando isso não é para falar se é pior ou melhor, mas para você ver que acontece muita coisa aqui também. Em relação à cena mais do rock e alternativa daqui realmente não conseguiu furar o bloqueio nacional, ainda está presa aqui mesmo e não consegue sair por diversos problemas e você falou vários deles. Mas, por exemplo, eu sinto que MS está maduro musicalmente, muito som rolando, tem muito artista e grupos e o que falta é encontrar este caminho de interagir com o Brasil, porque ta muito preso aqui. E na verdade o Vaguinho traz bandas para cá e agita aqui. Mas com certeza a questão também não é tornar isso uma panela mesmo…
Pablo – O próprio da produtora dele é panela!

Rodrigo – Calma…
Pablo – Tudo com certeza até agora o único que fez algo para a relação de CG e Cuiabá foi o Vaguinho, mas sinceramente eu não posso deixar de criticar a forma que ele está conduzindo as coisas, porque eu quero que Campo Grande junto com a gente. E não consigo enxergar esta predisposição no Vaguinho. Até ele foi mala na tentativa dele de vir aqui para Cuiabá. Ele viu que tinha uma galera aqui em Cuiabá contra o nosso trabalho, viu q ngn vendia CD aqui, q iria ter respaldo de uma galera e se juntou com eles. O Vaguinho escrevia com pseudônimo no blog do Cubo falando mal da gente chamando o Cubo de A-Cubo. Eu fui lá na Rock Show uma vez e levei os comentários impressos para ele. Tipo ‘a Panela está vindo aí!’

Rodrigo – Como é a vendagem de CD em Cuiabá. Qual a banda que mais vendeu, por exemplo?
Pablo – O Vanguart vendeu 700 cópias do EP que lançaram. Nossas bandas ainda não têm CDs. Este ano e no próximo que serão os anos de gravação. As bandas estão rodando o país, mas não gravaram CD.

Rodrigo – Têm rádio para tocar as músicas das bandas daí?
Pablo – A rádio aqui não apóia. Agora que estamos conseguindo estabelecer uma relação um pouco maior com as rádios locais.

Rodrigo – Qual o valor do Fundo de Cultura de MT?
Pablo – Pra tudo são 12 milhões. Seis milhões que a secretaria distribui do jeito que ela quer e outros seis milhões para a classe artística, sendo 600 mil só para a música.

Rodrigo – Quanto custou o Calango este ano?
Pablo – R$ 260 mil.

Rodrigo – O Festival América do Sul fica em torno de quatro milhões sabia?
Pablo – É uma diferença gigantesca. Mostra a incoerência do Vaguinho em dizer que Campo Grande não tem demanda para um festival como o Calango. Como se Cuiabá tivesse.

Rodrigo – Mas falaram que o público do Calango este ano foi um fracasso. Como foi na real?
Pablo – Ano passado a gente fez o festival com grana na conta e todo o processo de pré-produção foi tranqüilo. Mas este ano a gente fez o Calango completamente sem grana. A gente não tinha um puto na conta do festival. A grana q foi aprovada pela lei do incentivo só iria sair depois. E isso atrapalha nervosamente. Principalmente as questões estruturais, plano de mídia, tudo… E a gente mudou de local também. O ano passado no local que a gente fez a gente tinha uma sede dentro e possibilitava o acesso direto aos alunos todos os dias panfletando e andando no Campus. Mas o conselho-diretor da UFMT achou por bem não ter mais eventos lá este ano e tivemos de mudar. Isso com a falta de verba da pré-produção para ter um plano de mídia bacana com a mudança de local e naco possibilidade de contato com os alunos influenciou sensivelmente na perda de público do ano passado para este ano. Mas foram 1.400 pessoas primeiro dia, 2.800 no segundo e 1.200 no terceiro. Ta longe de ser um fracasso. E as respostas das bandas e produtores que vieram foram excelentes, com a maioria dizendo que a produção do evento foi primorosa com uma grande estrutura e um público que consome. Fora que tivemos eventos paralelos, como o Plasticalango nas artes plásticas, Comunicalango com jornalismo cultural, Calango em Cena com teatro… Quer dizer, estamos envolvidos não só com a música, mas com várias áreas que surjam novos multiplicadores nestes segmentos.

Rodrigo – CG tem algumas rádios para tocar música alternativa. Vc vai mandar o material das bandas do Espaço Cubo?
Pablo – Vai ser enviado para você.

Rodrigo – E eu fico de mandar os discos aqui de Campo Grande.
Pablo – Bacana.

Rodrigo – Você nasceu onde?
Pablo – Eu nasci em Cuiabá, mas minha família toda é de Dourados.

Rodrigo – Você é primo do Capilé do Caximir?
Pablo – Sim.

Rodrigo – Poxa, você é mais um agente de MS infiltrado aí em Cuiabá então?
Pablo – Isso mesmo.

Rodrigo – Kkkkkkkkkkkkk.
Pablo – Kkkkkkkkkkkkkk.

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