BERRANTE NEWS • Vaguinho: ‘Quem colocou o Pablo no circuito fomos nós’

Este slideshow necessita de JavaScript.

Vaguinho, dez anos de rock-sul-mato-grossense na Panela Eventos

O Vaguinho estava me esperando em frente a Rock Show. Cheguei umas sete horas e rumamos para a Feira Central de Campo Grande. Fomos comer espetinho de filé com mandioca amarela derretendo e tomar umas cervas para embalar o principal: a entrevista! Conhecia o Vaguinho de cruzar em vários bares, em shows, na loja do Bosco… Mas e aí, você pergunta? Aí que estava lendo a matéria aqui no Overmundo de meu amigo-músico-overmano-cuiabano Eduardo Ferreira sobre o produtor do Festival Calango, Pablo Capilé, e eis que surge o nome de Vaguinho na última resposta da entrevista. Sabia que ele produzia shows aqui, trazia bandas e que, sim, estava com uma ligação forte com o pessoal de Cuiabá. Resolvi que era preciso que ele respondesse as afirmações de Pablo.

Ao ser questionado o motivo de não ter nenhuma atração de Mato Grosso do Sul na programação ‘nacional’ do Calango, o cuiabano disse: ‘De Mato Grosso do Sul nenhuma banda mandou material, não nos procura, eu não sei o que acontece. Tenho uma leitura hoje, que é o seguinte. O Vaguinho atrapalha a movimentação, acreditava que ele era o cara, mas hoje já acho que ele atrapalha! Ele é um cara que centralizou muito nele a coisa toda ali, é pouquíssimo estratégico, pouco ágil, então acabou que viciou o pensamento da cena naqueles poucos contatos que ele tem. Ele é até bem intencionado, só que acaba por ser um cara só, não sabendo abrir pra novas pessoas que possam fazer daquela cena uma cena forte, porque eles têm condições de serem muito maiores que a gente!

Vaguinho passava então de parceiro a ‘atrapalhador’, desfazendo a imagem que Pablo vendia em entrevistas em 2005, tipo: ‘Quem trouxe o Guitar Wolf foi um outro parceiro nosso, o Vaguinho, lá de Campo Grande. Foi aí que os caras do Autoramas conheceram os japas furiosos e dali surgiu à parceria que os levou para a turnê no Japão. Essa ação foi idealizada pela Panela, que também organiza uma série de eventos no Centro-Oeste, entre eles o Setembro Rock, que no ano passado trouxe ao Brasil a Margaret Doll Rod, um dos ícones do rock de Detroit, que tocou com a banda cuiabana Donalua. O Cubo e a Panela trarão outra atração gringa nesse segundo semestre, mas ainda não podemos divulgar nada. Garanto apenas que o Mercosul estará integrado mais rápido que imaginam!‘.

Pois é! Mas além de Vaguinho, a cena de Campo Grande foi menosprezada pelo calango-figura: ‘Como que Cuiabá consegue dar um banho em Campo Grande?! Você não vê banda tocando em Campo Grande, não vê festival em Campo Grande, e lá eles curtem muito mais que a gente, a galera que organiza é tudo rock’n roll, curte a parada! O público curte mais que o nosso ainda, é um público mais indie… queria trazer talvez o Dimitri Pellz, mas não é uma banda que representaria Campo Grande‘.

Bom aí, eu já fiquei interessado em questionar a cena roqueira de Campo Grande com quem está metido até o pescoço com este troço. Logo que encontrei Vaguinho e ele me deu um fly. No dia 19 de agosto, sábado, último dia de Festival Calango, estava marcada mais uma produção do Panela Eventos de Vaguinho. Provavelmente, lotando com umas mil pessoas o Café Moinho. Seis bandas de Campo Grande, inclusive com o retorno do Astronauta Elvis (banda de Vaguinho), e uma atração paulistana, o Level Nine.

No canto inferior esquerdo do Fly, um vem aí: Glória (SP) e Vagazos, banda punk da Argentina. O discurso de Pablo que aqui em Campo Grande não rolava shows, bandas de outros estados e que Cuiabá dava um banho não estava encaixando. Algo não está batendo nesta história!

Só sei que um dia depois que a matéria estava postado no Overmundo, o comentário de músicos de Cuiabá começavam a chegar direcionados a Pablo Capilé, que retrucou sem papas na língua: ‘O Espaço Cubo é um projeto tão visceral e orgânico que até para unir a escória ele serviu!’. Eu, que tô nessa de roquenroll há 20 anos, passei por inúmeras bandas, aqui, em Sampa, no Rio e conheci músicos pancadas de todos os lugares, sei que o verdadeiro roqueiro incomoda, não ofende. É grande a diferença!

Além de tocar a Panela Eventos (tem comunidade no Orkut), o Na Lata Zine e comandar o selo Cães de Aluguel Records, ele está articulando uma banda de Jovem Guarda e integra os grupos Impossíveis, Astronauta Elvis e a Unpunked. Quem quiser ficar por dentro de tudo o que o Vaguinho vai falar durante a entrevista vale uma chegada no fotolog do Panela Eventos e neste zine.

Chega de blábláblá e vamos a entrevista do guitarrista e produtor Vagner Martins, o Vaguinho, de 32 anos, que falou não só de Pablo Capilé/Cuiabá, mas da cena musical de Campo Grande e Goiânia!

Rodrigo – Como começou a sua história aqui com a música de MS?
Vaguinho – Eu comecei aqui em Campo Grande em 1993. Montamos uma banda de punk chamada Impossíveis. Em 1996, eu montei a Panela Eventos, que está completando 10 anos. Decidi montar a Panela porque a cena em Campo Grande de 1993 a 1996 era muito metal e blues. Então começamos a produzir os eventos para promover a banda.

Rodrigo – Nesta época então a cena em Campo Grande ainda não era diversificada?
Vaguinho – Era muito dividida. Metal pra lá, blues e rock?n roll pra cá e por aí… Estão começamos desbravando os lugares. Na UCE, colégio Joaquim Murtinho, Clube Campestre Ipê, Edgar Bar… Em 1997, começamos os intercâmbios com bandas e trazer grupos de fora. Uma das bandas que a gente trouxe foi o GTW de Cuiabá, que era uma das bandas mais expressivas da cena na época. Em 1997 então começou este intercâmbio entre Mato Grosso do Sul com Mato Grosso e Goiás. Trouxemos também o Bloqueio Mental, de Cuiabá também, e o Mechanics, que é de um dos cabeças da Monstro Discos, do Márcio Jr. Inclusive o Mechanics tinha acabado de ganhar o Skol Rock etapa Goiânia… Em 1997, a gente deu também um puta passo porque a Miska fazia o Som do Mato e pedimos para colocar bandas de rock para fazer também. Aí abriram o espaço de um bloco para cinco bandas. Cada banda gravava 2 músicas e ótimo. E este material da TVE do Som do Mato que deu origem à primeira gravação das bandas daqui e começamos a lançar fitinhas. Em 1997 começamos a trabalhar mais organizadamente, mas o negócio vem desde 1993, quando o pessoal começou a se unir mesmo. Em 1998, começamos a estender nossos intercâmbios. São Paulo, Distrito Federal…

Rodrigo – Mas como funcionava este intercâmbio?
Vaguinho – Tinha muito esta coisa de vc me traz e eu te levo. Mas quando chegava aqui o buraco era mais embaixo. O cara tocava, ia embora e ficava por isso mesmo. Não rolava deles levarem a gente para lá, só o inverso. Aí em 1999 foi o ano dos Impossíveis colher os frutos. A gente foi participar de shows fora do estado, com O Bando do Velho Jack no Goiânia Moto Show, tocamos em Cuiabá três anos depois de ter trazido os cuiabanos para cá, fomos para o interior de São Paulo e interior de MS. Mas a questão é que não temos a preocupação de fazer em Campo Grande um grande festival de rock independente.

Rodrigo – Por quê não?
Vaguinho – A nossa visão é diferente. Nós temos shows aqui o mês inteiro, porque nós temos vários bares aqui e temos bandas. Em vez de fazer um festival aqui trazendo 40 bandas em um único fim de semana e isso me custaria muito caro e teria q ir atrás de patrocínio da prefeitura e governo, que é muito trabalhoso. Prefiro dividir os shows nos finais de semana.

Rodrigo – Mas não vem tanta banda de fora.
Vaguinho – Vem pra cá sim. Hoje Campo Grande está dentro do cenário. Trouxemos Guitar Wolf, do Japão, para tocar em um evento aqui em 2001. Em 2004 trouxemos Margareth Doll Rod dos EUA, que foi quando a gente trouxe o Donalua, que é a banda do Pablo e outras bandas de fora no mesmo evento. Nós temos hoje um evento, que se chama Setembro Rock, q não é um festival, mas está em sua oitava edição e nem se compara com os grandes festivais, porque é uma produção de custo baixo. A gente simplesmente pega um bar e faz todos os sábados do mês com uma atração grande de fora, uma atração de um estado próximo e bandas locais tocando. Então eu prefiro fazer mais shows em vários momentos a concentrar tudo em um festival.

Rodrigo – Mas não seria interessante ter os dois? Os eventos e um festival também?
Vaguinho – Hoje é o seguinte. Eu concentrei na questão de manter uma cena. Porque se você se concentra no festival, o festival vai tomar muito tempo. Porque para produzir um festival é no mínimo de 4 a 6 meses para concretizar. E aí a cena dá uma estagnada. Que nem acontece com o Festival Calango. Este ano eles mudaram o foco deles e o número de bandas regrediu em relação aos outros festivais. Só não participei da primeira edição do Calango, porque sempre estive presente nas outras. Até para ver como é que funcionava e se Campo Grande comportaria um festival tipo o Calango. E acho que não comporta um festival assim.

Rodrigo – Por que não?
Vaguinho – São vários fatores que envolvem. Ter uma pessoa para captação de recurso, porque não dá para cobrar um ingresso tipo R$ 10 ou R$ 15. E para cobrar menos que isso é preciso de um patrocínio maior. Para mim não compensa. Prefiro eventos menores, mas que sempre tenha eventos, do que parar tudo para me concentrar em um festival. É a minha visão. Campo Grande tem vários lugares para ir, bandas de fora vem tocar, então não precisa de um festival.

Rodrigo – Como você compararia então a cena de Campo Grande com a de Cuiabá?
Vaguinho – Morei em Cuiabá entre 2005 e 2006. Tinha sábado que ia dormir às 9 da noite porque não tinha onde ir. Aqui em Campo Grande se você quiser sair de quinta a domingo, pra quem gosta de rock?n roll, você sai. O pessoal lá se concentra muito no Festival Calango e esquece o resto do ano. É que nem Brasília. Tudo gira em torno do Porão do Rock, que é o maior festival que eles fazem e hoje virou algo mais comercial e fugiu completamente da postura inicial do evento. Vai saber se a maioria das bandas que estão lá não foi indicada. Então, às vezes você faz um evento e acaba que tendo que ceder.

Rodrigo – Você acredita que a nossa cena é mais quente que a de Cuiabá?
Vaguinho – Completamente. Totalmente. Isso há 10 anos. Hoje se você quiser sair de quinta a domingo para curtir rock tem opção de vários bares. Nós temos uma loja de rock que está completando 20 anos que é a Rock Show.

Rodrigo – Mas por que as bandas de MS não estão presentes nos festivais independentes de rock que rola pelo Brasil afora?
Vaguinho – Mas é complicado ir para estes festivais, porque ninguém quer pagar para você ir. Por isso, nem todas as bandas se interessam. Agora, todo mundo quer vir para Campo Grande e quer que a gente banque a vinda deles. E eu agora só vou trazer banda para cá e se forem me levar para lá depois. Senão, contrato uma banda, pago o cachê dela porque eu sei que vai me dar resultado. E ela não tem obrigação nenhuma comigo.

Rodrigo – E estes festivais não têm passagem para as bandas?
Vaguinho – A maioria não tem. E não é todo mundo que tem condições de bancar passagem. Cada um tem seus compromissos.

Rodrigo – Mas Vaguinho, o que aconteceu com você em Cuiabá? Por que o Pablo, em 2005, ele falava que você era parceiro. E agora em 2006, disse que você atrapalha mais que ajuda. O que está rolando afinal?
Vaguinho – Eu não posso dizer o que se passa na cabeça dele. É difícil falar do Pablo.

Rodrigo – Por quê?
Vaguinho – Ele quer que todo mundo fique do lado dele e ele ser o coordenador geral de tudo que está rolando. Mas só que quem colocou ele no esquema dos festivais foi a Panela. A gente o apresentou à Monstro Discos e automaticamente ele conheceu o Porão do Rock. Então quando ele foi para estes festivais ele viu que para o festival dele melhorar faltava muita coisa. Eu já nem me iludia em querer fazer um festival, depois que comecei a ver como é que funcionavam estes eventos. Tipo vou fazer um Goiânia Noise em Campo Grande. Mas o Pablo quer ter um festival tão grande como estes aí. Ele quer que Cuiabá entre no circuito.

Rodrigo – Mas ele te tirando de parceiro não é pior para ele? Acho que aconteceu algo mais aí nesta relação de vocês.
Vaguinho – O problema é que quando você não serve mais para a pessoa, a pessoa tende a te descartar. Tipo: ?já tenho o que precisava saber e tal?. Mas sou um cara mais pacificador e o mundo dá voltas.

Rodrigo – Mas você é uma ameaça pro Pablo em termos de produção? Tipo pegar uma banda de Cuiabá para produzir que o Pablo estava envolvido ou algo assim.
Vaguinho – Não, porque trouxe mais bandas de Cuiabá do que ele levou daqui para lá. Quase ninguém daqui toca lá. Para dizer a verdade, trouxe quase 80% das bandas que existem lá para Campo Grande. Mas no começo a gente era parceiro de intercâmbio, integração. Só que o Pablo começou a se queimar com algumas pessoas.

Rodrigo – Por que você acha então que o Pablo falou em picuinha do povo daqui em relação aos cuiabanos?
Vaguinho – Em Cuiabá tem muito este lance de disse-me-disse. Aqui em Campo Grande não tenho briga com ninguém de metal, blues, pagode, sertanejo… Converso com todo mundo. Agora chega em Cuiabá e pergunta: ?Você conhece o Pablo??. 70% das pessoas envolvidas com a música da cidade vão falar mal dele e 30% vão preferir não dizer nada. Quer dizer! Não critico o trabalho dele, até acho que ele faz bem, só que notei que em Cuiabá as pessoas tendem a cobrar muito de você. Porque quando cheguei em Cuiabá para montar a Rock Show o que aconteceu? Veio o Pablo e me perguntou de que lado estava? Veio a Ascum e fez o mesmo. Amostra Grátis a mesma coisa. Então lá é tipo. Se tô com Pablo não to com ninguém. Se estou com a Amostra Grátis não to com Pablo e Ascum e por aí vai. É tudo muito dividido. Todo mundo falando mal de todo mundo. Aqui em Campo Grande não tem disso.

Rodrigo – E quando o Pablo fala que você centraliza demais e não dá o toque dos eventos para o resto das bandas de Campo Grande?
Vaguinho – Ele acha que não passo as informações dos festivais. Mas não vou ficar ligando de banda em banda para falar que vai rolar festival em Cuiabá. Simplesmente posto, coloco na Rock Show, deixo em alguns bares e se alguém se interessar vai atrás. Se ninguém mandou é porque ninguém se interessou. Só isso. De repente não acharam que fosse um festival tão vantajoso assim para participar. Então não vão. Só que Campo Grande está muito à frente de Cuiabá. Muito mesmo.

Rodrigo – Por que?
Vaguinho – Campo Grande prefere ser uma Porto Alegre. Tipo, ninguém sabe o que rola, mas rola coisas legais. Não se sabe o que acontece em PoA, mas quando você vai lá, vê que tem muitas coisas legais. O governo, a prefeitura, as empresas apóiam e tem muita boa que nem precisa sair de lá e que tem muito público. É o caso do Filho dos Livres, por exemplo, que esgotam os discos deles, é o CD mais vendido em todas as lojas, o público dos caras é grande, o repertorio só de músicas deles… E outras bandas, como Olho de Gato, Bêbados Habilidosos e Bando têm isso também. Goiânia, por exemplo, produz muitas bandas boas para excelente. Os músicos são muito criativos. Porque eles são vivenciados. São uns caras que procuram saber das coisas e consomem.

Rodrigo – E a Monstro Discos? É uma gravadora que ainda a maioria não conhece por aqui, apesar da proximidade com Goiás.
Vaguinho – A Monstro começou um ano antes da Panela Eventos. Em 1995. Então a gente mantém este intercâmbio há muito tempo e vimos ela crescer e se tornar o que é hoje. Não sei se pelo fato dela estar do lado de Brasília, a capital do país e muita gente tem uma visão diferente de Goiânia do que tem de Campo Grande. Nós aqui somos total matão para os paulistanos. Tipo o Pantanal ser na cidade. Mas Goiânia é um berço do sertanejo também e mesmo assim o rock tem oxigênio. Todos os festivais de rock lá são lotados e as bandas mandam material mesmo para participar. As próprias gravadoras e imprensa se voltaram para eles. Mas foi de modo natural. E hoje a imprensa pede para ir para lá.

Rodrigo – Mas já têm bandas aqui que estão caindo de madura e mais do que preparadas. Um exemplo é o Bêbados. Por que o Bêbados não está nos principais festivais de blues do país?
Vaguinho – O Bêbados faltava um produtor. Agora estou trabalhando com eles. O primeiro disco deles saiu porque eu fui lá e fiz toda a correria, montei o projeto e foi aprovado pela lei de incentivo à cultura. Saiu o disco, vendeu pacas, as críticas foram excelentes… Muito bom. Eles acabaram de tocar em Cuiabá, num lugar pequeno, mas deu uma repercussão boa. O lance é que Cuiabá tem um problema. Não tem lugar para fazer show. Posso falar da cena de Cuiabá porque estive lá por quase um ano. Só que ninguém pode falar de Campo Grande porque ninguém veio passar um tempo aqui. Quando isso acontecer vou respeitar quando eles disserem que em Campo Grande não tem rock. Fui lá, montei a loja, fiz três shows lotados, o público de lá é sedento por rock mesmo, a molecada vai mesmo e consome. Mas lá um grupo faz um show agora e só daqui a três meses faz outro. Aí não rola.

Rodrigo – Você fechou com a cuiabana Revoltz?
Vaguinho – Não precisamente. A Revoltz é parceira antiga. O Ricardo Kudla, que é o responsável pela banda, vai estar lançando o novo disco e nós vamos estar envolvidos nisso.

Rodrigo – Isso pode ter incomodado o Pablo e pode ter sido o motivo dele estar te alfinetando?
Vaguinho – O motivo dele é não ter o que fazer. Só não falo para ele vir para Campo Grande ver o que rola e ficar um ano porque a minha casa não cabe.

Rodrigo – Ele disse que Cuiabá dá um banho em Campo Grande e que o Dimitri Pellz não representa a cidade.
Vaguinho – Na verdade é o seguinte. O Dimitri Pellz ia tocar no Grito Rock. Só que ele ofereceu pros caras eles viajarem por conta e ser o primeiro a tocar. Quer dizer. Você viaja 10 horas e vai tocar para ninguém porque é abertura. Para compensar o esforço da banda ir para lá, o mínimo é colocar em um horário legal. As bandas locais que estão começando curtiriam abrir. Então é preferível nem ir. Eles não se inscreveram no Calango porque o material da banda está sendo finalizado. Mas não precisava nem se inscrever. Porque nós já trouxemos diversas bandas de Cuiabá para cá e só por indicação. Já o meu esquema com a Monstro é diferente. Banda daqui que vai para lá por conta tocar em festival, quando fizer um festival, a banda de lá vai vir por conta também. Mas fora os festivais, se fizer uma banda de lá vir para cá, quando for o inverso, eles vão fazer o mesmo. Isso é parceria.

Rodrigo – Quais as bandas de Campo Grande que você acha que pode virar?
Vaguinho – O Dimitri Pellz promete. O próprio Astronauta q vai voltar com pique legal. Tem a DxDxOx (Dor De Ouvido), que pouca gente conhece, mas que tem material lançado no Japão, Finlândia e Europa. Agora pergunto: que banda de Cuiabá tem material lançado nestes países? Nenhuma. Temos bandas embaladas e o Pablo fica falando que não rola nada.

Rodrigo – E o seu selo em que pé está?
Vaguinho – Já lançamos o CD dos Impossíveis, O Bando do Velho Jack que é uma gravação com o Alex Batata, que foi o primeiro vocalista, lancei os 2 discos do Bêbados Habilidosos e estamos negociando o Dimitri Pellz e o Astronauta Elvis. Tenho uma distribuição irrisória, mas faço bem feito no que me proponho. Como trabalhei com o Bosco 10 anos consegui bons contatos.

Rodrigo – Em Cuiabá tem associações de músicos?
Vaguinho – Não sei se tem. Mas se tiver, com certeza, é a Espaço Cubo que vai montar, porque o Pablo quer ter tudo em volta dele. Quer ter o Cubo Card, o Cubo Ensaio, Cubo não sei o que e, na verdade, nada disso funciona.

Rodrigo – Vamos fazer então o Festival Paz e Amor Cuiabá-Campo Grande?
Vaguinho – Vamos sim… mas em Cuiabá! Não tenho nada contra o Pablo, a gente conversa, mas este negócio de ficar falando mal daqui é de quem não tem o que fazer. E esta briga vem desde a divisão de estado. E percebi isso lá, porque era um campo-grandense em uma cidade de cuiabano. E muitas vezes na loja não ia cliente porque era de um campo-grandense.

Rodrigo – Algum recado pro seu amigo Pablo?
Vaguinho – Em homenagem ao rock campo-grandense foi lançado o livro Deitar e Rolar, nome de uma música dos Impossíveis, uma conclusão de curso de jornalismo de 2004. E a história do rock de Campo Grande vem desde anos 60, com o Miguelito e os Mini-Boys. Então não é uma história que começou há 3 anos com o Espaço Cubo em Cuiabá. Aqui o rock rola faz tempo!

2 pensamentos sobre “BERRANTE NEWS • Vaguinho: ‘Quem colocou o Pablo no circuito fomos nós’

  1. Pingback: PABLO CAPILÉ: ‘A galera de Campo Grande está acomodada e preguiçosa’ « Matulacultural’s Weblog

  2. Pingback: Matula Cultural/Top 20 « Matulacultural’s Weblog

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s