Omar Godoy escreve sobre a polca-rock!

Como estou numa correria danada e sem conseguir escrever como gostaria, tiro da manga uma matéria escrita pelo ?overmano? paranaense Omar Godoy sobre a polca-rock! A reportagem foi publicada em 31 de agosto de 2005, no jornal Gazeta do Povo, de Curitiba.

O interesse de Omar para escrever a matéria surgiu depois que dei meu disco Polck quando nos conhecemos no seminário da Petrobrás no Rio de Janeiro, em agosto de 2005, para a preparação do lançamento do Overmundo.

A polca-rock tem futuro sim e já é fato presente! Aos poucos, ela vai se tornando um ponto de ligação entre músicos de uma nova geração. Por enquanto chama mais atenção fora de MS.

Abaixo a matéria de Omar Godoy!

TENDÊNCIA
Pop, MPB e música paraguaia se misturam
na nova cena musical do Mato Grosso do Sul

Nos embalos da polca rock

Cerca de 40 mil famílias de origem paraguaia vivem em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. É a maior colônia estrangeira da região, com influência direta na cultura e costumes locais. Aliás, um pedaço do estado já pertenceu ao país vizinho, sendo anexado ao Brasil após a Guerra do Paraguai. Não é de se estranhar, portanto, que boa parte dos sul-matogrossenses se identique mais com os hermanos paraguaios do que com os compatriotas de outras localidades.

Música popular, por lá, é sinônimo de guarânia e polca paraguaia ? além, é claro, do sertanejo, presente em qualquer lugar do Brasil interiorano. ?A polca paraguaia é um ritmo dançante, de festa, uma espécie de guarânia mais rápida. É o som que rola quando você quer agitar um bailão?, ensina o cantor, compositor e instrumentista Rodrigo Teixeira, de 36 anos, figurinha carimbada da cena cultural de Campo Grande. Ao lado de Jerry Espíndola (irmão das cantoras Tetê e Alzira), Teixeira é o grande divulgador de uma mistura musical em plena ebulição na cidade: a polca rock.

Apesar do nome, não se trata de uma mera fusão do gênero paraguaio com a urgência roqueira, como fizeram os Raimundos e tantas outras bandas barulhentas na década passada. A polca rock tem como chamariz harmonias sofisticadas típicas do trabalho de artistas como Almir Sater. É também um mix de regionalismo, jazz, blues, reggae e funk. ?Trocamos o violão e a sanfona da polca por teclado, guitarra, baixo e bateria. Mas, na verdade, gente como o Almir já fazia isso nos anos 70 sem saber que estava fazendo?, diz Teixeira.

De acordo com o músico, uma nova leva de grupos descobriu e adotou a polca rock nos últimos anos ? nomes como Arara Rara, Filhos dos Livres, Vaticano 69, Croa e Bando do Velho Jack, entre outros. Todos influenciados por uma lista de artistas praticamente desconhecidos no resto do país: Geraldo Roca, Geraldo Espíndola, Antônio Porto, Carlos Colman. Sem contar as referências paraguaias, cada vez mais explícitas por conta do recente intercâmbio cultural entre os dois países.

Um passo importante nesse sentido foi dado a partir do Festival América do Sul, organizado pelo governo do Mato Grosso do Sul e que levou à cidade de Corumbá (em pleno Pantanal) artistas de dez países sul-americanos, das mais variadas áreas. A segunda edição do evento, realizada em maio deste ano, contou com mais de 300 atrações ? do argentino Pedro Aznar ao brasileiro João Bosco, passando por escritores, grupos folclóricos e até uma banda de rock paranaense (Terminal Guadalupe). ?A idéia é criar um corredor cultural que também passe por Foz do Iguaçu e outras cidades do Paraná?, afirma Teixeira, jornalista de formação.

Após o festival, esse ?corredor? ganhou um reforço considerável. Trata-se da gravadora paraguaia Kamikaze Records, ponta-de-lança de um boom roqueiro que toma conta daquele país. ?Está havendo por lá uma explosão de rock nacional como a que aconteceu por aqui nos anos 80. E a Kamikaze é a gravadora que mais investe nesse segmento?, explica Teixeira, cujo segundo álbum-solo, Polck (2004), passou a ser distribuído pela empresa, sediada em Assunção.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s