EVANDRO PRADO: O Provocador Ingênuo inaugura o Berrante News!

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Entrevista Evandro Prado por Rodrigo Teixeira

Desde Humberto Espíndola, ninguém sacudiu a sociedade campo-grandense como Evandro Prado! A série Habemus Cocam, em que mistura Fidel Castro, Papa João Paulo II e Nossa Senhora com a Coca-cola provocou a revolta a igreja e de alguns vereadores da capital sul-mato-grossense, insistentes em mantê-la arcaica. Processado pelo arcebispo da cidade (faço questão de não citar seu nome. Q procurem no Google), fulminado por políticos em programas de tevê, acusado de ser um farsante, o jovem de apenas 20 anos Evandro Prado é um dos maiores talentos das artes plásticas do Centro-Oeste surgido na última década. Esta é a mais pura verdade!

A mostra que detonou a ‘revolta dos que não entederam nada’, obteve maior público ainda com a polêmica. O aval para a arte de Evandro Prado encontra eco mais fora de Campo Grande do que na própria capital. Em 2005, foi escolhido entre 1350 inscritos (com a instalação Em Casa de Capitalista Coca-cola É Santa) para fazer parte do seleto grupo de 78 artistas do renomado Rumos Itaú Cultural. Suas instalações que misturam santinhos, crucifixos, santuários e garrafas de Coca já passaram por Sampa, está no Paço Imperial no Rio de Janeiro e seguirá para Goiânia no Museu de Arte Contemporânea localizado no Centro Cultural Oscar Niemayer. Um carimbo de qualidade registrado em livro catálogo da exposição.

A escalada de Evandro Prado começou em 2003 no Salão de Arte em Dourados. Ele ganhou o prêmio de melhor pintura com 2 obras. A primeira premiação em um evento com cento e tanto inscritos. Em 2004, recebeu o primeiro prêmio na 3ª Bienal de Arte Moderna de Cuiabá, mostrando aos cult-cuiabanos que em Campo Grande também existe artes plásticas de qualidade. O único campo-grandense entre pouco mais de 300 inscritos. Em 2005, chamou atenção no Festival América do Sul, em Corumbá.
O maior salto, porém, acontece agora. Evandro Prado está no Salão de Goiás, um dos quatro mais importantes do Brasil. O Salão de Goiás equivale ao Salão de Brasília, que Humberto Espíndola participou em 1967 com estardalhaço. Com o Rumos e o Salão de Goiás no currículo, falta agora para completar o quadrilátero das artes plásticas o Salão da Bahia e uma indicação ao prêmio Marco Antônio Vilaça!

O trabalho assinado por Evandro no Salão de Goiás é uma espécie de continuação de Em Casa de Capitalista Coca-cola É Santa e Habemus Cocam! Fidel Castro Fala A Eco-92 é literalmente o que diz o título. É o discurso de Fidel Castro para a reunião da cúpula mundial que aconteceu no Rio de Janeiro amplificado para uma platéia de latas de Coca-cola. Segundo Evandro, é uma alerta de que reuniões políticas não servem pra nada! ‘O mundo são latinhas de Coca-cola. Um mundo capitalista que vai se autodestruir’.

A entrevista foi na casa de Evandro, que mora com os pais, numa bela tarde de domingo. Vamos logo ao que interessa. Abaixo a entrevista exclusiva concedida ao Matula Cultural, inaugurando o Berrante News!

Rodrigo Teixeira – Como é ser reconhecido em eventos importantes das artes plásticas brasileiras e aqui em Campo Grande sofrer severas críticas?
Evandro Prado – Tenho sido muito criticado pelo próprio pessoal de arte, na universidade e comunidades do orkut. Existe um anônimo que tem falado muito mal de mim e há muito tempo. E não tem vozes a meu favor. Não me importo muito porque o cara é anônimo. Mas ele fala da arte ruim. Ele ataca. Diz que sou um farsante. Tipo o que o Dante (o jornalista Dante Filho) fala. Tipo que faço para causar polêmica… Mas não me importo porque sei do meu trabalho e nunca esperei que gerasse esta polêmica. Achei que as pessoas iam entender quando vissem. Mas não entederam ou não aceitaram. Dizem que tem abaixo assinado com 10 mil assinaturas, mas eu nunca vi. É uma minoria na verdade. Mas entrar nestas seleções é a prova de que eu tenho um respaldo já nacional.

RT – Como você se sente agora, no meio desta situação?
EV – Tem dois lados. O positivo que é este do trabalho ter conseguido comunicar. Um trabalho forte de expressão, que não passa desapercebido. Ou gosta ou não gosta! É uma prova concreta de que é um trabalho que tem consistência. Ao mesmo tempo tem o lado do desgaste, que é esta questão de enfrentar protestos, emails dizendo que vou para o inferno, dizendo que sou nazista. Não têm conhecimento da história, confundem comunista com nazista, Mao com Hitler. Mas o lado positivo é maior que o negativo. To feliz! Apesar de tudo é uma prova de que o trabalho é bom, forte… e conseguiu comunicar. Consegui fazer um trabalho de impacto, forte, que é tudo que um artista quer.

RT – Como esta idéia de misturar a Coca com outros símbolos veio a sua cabeça?
EV – Tem 1 ano e meio que produzo esta série! Comecei em setembro de 2004. Mas no final de 2003 tinha assistido a um documentário, que falava sobre consumismo. Extremanente político e engajado. Uma crítica ao consumismo. Suplus, o nome! 50 minutos. Vi mais de 10 vezes. E sempre pensava que tinha que fazer alguma coisa em cima disso. Mas no fim sumiu e não fiz nada. Depois que veio esta série e após um tempo produzindo que percebi que era filha daquilo lá. Deu aquele tempo e depois a idéia veio. Foi um insite. Era um domingo e tava na chácara. Tinha acabado de almoçar e peguei garrafa de Coca-cola. Uma pet de 2 litros. Veio a idéia de fazer uma Nossa Senhora de Coca-cola… e foi amadurecendo. Vi que tinha de ser a de vidro. Fiz com a de 1 litro e percebi que tinha de ser a menorzinha mesmo. Surgiu o trabalho da Nossa Senhora da Coca-cola. Criei todos os objetos primeiro. Os oratórios que substituíam os santos pela Coca-cola. Eu pegava garrafa de 1 litro, colava santo e pendurava um terço… Pensei: é a religião do consumo. Aí que entrou um texto do Frei Beto depois que já estava produzindo. O texto fala da religião do consumo e era tudo o que estava fazendo. Esta subtituição de valores da sociedade, buscar respostas não mais nas igrejas, mas consumindo… Não mais nas missas, mas no shopping… Então não falo que tá errado ir no shopping ou missa. Mas to falando que isso mudou. Isso existe. O trabalho faz uma reflexão. É crítico, mas não é o principal. A idéia é a reflexão. Reuni todos estes objetos na instalação batizada de Em Casa de Capitalista a Coca-cola É Santa. Que foi a Festival em Corumbá e depois Rumos Itaú Cultural. Depois veio as pinturas, que demoraram quase seis meses e começaram muito tímidas. Primeiro a Sagrada Coca-cola de Jesus. Foi demorado, não uma atrás da outra. Eu fiquei parado uns 3 meses e depois pintei cinco obras em duas semanas.

RT – Vc é mais intuitivo?
EP – É. Não consigo desenhar, por exemplo. Pensei que sabia desenhar e descobri que não sei desenhar nada. Então as obras saem tudo da minha cabeça. Não consigo passar no papel certinho. Tenho que fazer na tela, já… Não tenho esta paciencia. Antigamente desenhava muito, mas desenhei demais e cansei. Então tenho um caderno de anotações que anoto as idéias. E os desenhos são abstratos só para registrar a idéia. Mas a realização é na obra mesmo. Junto com as sagradas Coca-colas, vieram as cuba-libres e por último a série da Guernica, que acho muito forte e o mais crítico. Principalmente pela questão da publicidade como um meio de enganar. Os slogans da Coca-cola ‘Viva o q é bom’, ‘Boas vibrações líquidas’ e ‘Otimismo q se bebe’ são frases que não querem dizer nada. O mundo é de tristeza, é de desigualdade. É pessimista a série. O mundo está em degradação e caminhando para a destruição. E a publicidade em geral e a mídia não querem deixar você ver isso. Tipo ‘não vamos falar da desgraça, vamus pensar q a coisa tá bem e concordar q um dia vc vai acender a burguesia e morar em uma casa boa tb…’

RT – Vc é socialista?
EP – Tenho ideologia socialista sim. O meu irmão gêmeo, mais novo 2 minutos, faz história. E o tema de mestrado da monografia foi a revolução cubana. E ele me passa muito e conversamos muito da revolução cubana. E quem estuda a revolução tem aquela coisa de românticos de Cuba libre e é um pouco o meu caso. Pq a gente vive em uma sociedade capitalista no Brasil de terceiro mundo. E no Brasil tem uma coisa chamada Rede Globo, q manda neste país. E, por exemplo, o sistema de jornalismo da Globo é esquema CNN. Não tem correspondente na América Latina. Tem um só na Argentina.

RT – Mas isso não é só a Globo. Nenhum grande veículo do Brasil tem mais correspondentes na América Latina. Folha, Estadão, Band, Veja… Ninguém tem mais correspondentes…
EP – São resquícios da Guerra Fria! Da propaganda anti-comunista…

RT – Você acha que o Papa tomava Coca-cola?
EP – Acho q naum. Acho que o Papa naum tomava, ele tomava vinho.

RT – E o Fidel?
EP – (kkkkkkkkk) O Fidel tomaria…

RT – Tomaria ou toma?
EP – Ele não toma. Espero que não. Pq naum existe Coca-cola em Cuba (kkkkk). Mas ele tomaria. Mas seria hábito dele não.

RT – Acompanho as artes plásticas em MS desde a década de 80. Sempre foi uma classe mais organizada do que os músicos. Sempre teve os medalhões, mais ou menos o que acontece até hoje na música também. Por exemplo, tem o Paulo Simões, Guilherme Rondon, Geraldo Roca, Geraldo Espíndola que são os coronéis digamos assim um pouco da música. Eu quando fiquei sabendo do seu trabalho foi uma surpresa grande, porque nada me empolgava há tempos. Como você vê o cenário das artes plásticas no MS?
EP – Não sou muito otimista não. Eu faço Artes Plásticas na UFMS e conheço várias pessoas lá. Vejo que falta mais vontade de fazer, mais perseverança, mais investimento, mais coragem, mais profissionalismo. Talvez não seja o objetivo para várias pessoas como é o meu, que luto muito e acredito muito no meu trabalho. Eu dou tudo de mim. Invisto todo meu dinheiro no meu trabalho. Pago 150 em um livro mas naum pago mais de 60 em uma calça nunca. Compro 3 livros por mês e 1 calça por ano. Compro material. Então para geração nova, a minha geração, tirando alguns, como a Priscila Pessoa, o Alex, são pessoas q realmente investem e acreditam no meu trabalho. Mas no geral falta produção, investimento e dedicação. E falta estudar, conhecer mais trabalhos.

RT – Naum existe então um grupo de artistas mais jovens na área de artes plásticas que discuta, interaja, reflita?
EP – Não existe. O que existe é uma guerra de egos muito grande. Você deve saber.

RT – Por que? O pessoal subiu no salto? Este ano se comemora os 40 anos do primeiro movimento de 66 com os artistas de MT e MS, uma espécie de Semana de 22 pra gente. Realmente existia uma troca muito intensa entre os artistas plásticos da época. Fiquei surpreendido quando vi os artistas de MT retratando os ateliês da época, colocam o Humberto no meio como Cristo. Me impressionou muito e me abriu a cabeça também para entender porque este grupo tem esta força até hoje. Na área músical acontece hoje também um cada por si e não tem coletivo mesmo, salvo raras inciativas. Você se vê como um cavaleiro solitário?
EP – Eu troco muito idéia com a Priscila. A gente conversa bastante, trocamos informações, gosta do trabalho um do outro. Mas não existe um grupo maior. Falta gente com esta disponibilidade, com trabalho bom e que produza.

RT – Olhando seu trabalho não se situa muito de onde vem o artista. Poderia ser um pintor de Nova Iorque, Londres, Sampa… Não vejo o componente regional em sua arte. É só um fato. O Humberto, por exemplo, conseguiu fazer uma leitura de MS que é tão genial que as pessoas não entenderam até hoje. Como você processa a questão regional ou isso nem passa na sua cabeça?
EP – Tenho pavor de regionalismo. Fala em regionalismo fico com medo já do pantanal. Que é aquela coisa que contamina as artes de MS, principalmente as artes plásticas. É a onça, o peixe… tem gente que faz onça legal, mas são exceções. E aquela coisa do pantanal naturalista, realista é uma pintura que não faz sentido mais. Pode-se criar um discurso bobo de que seja para alertar as pessoas da preservação ambiental, mas que não acredito. Na verdade é falta de conhecimento de artes mesmo. Falta uma vivencia de arte em Campo Grande. Saber de história de arte. Saber que não faz mais sentido hoje na arte contemporânea fazer este tipo de pintura. Prova disse é que um vereador, no dia da moção de repúdio que o vereador Paulo Silva tentou votar, soltou a seguinte pérola: ?Tanta coisa pra um artista retratar e vai fazer Nossa Senhora de Coca-colaaa? (kkkkkk). Na história da arte, quando foi o objetivo retratar o belo, foi em 450 a.C. na Grécia antiga. Depois disso a arte nunca foi mais buscar o belo. Sempre esteve a serviço da igreja, de Napoleão, falar das guerras. Então existe esta idéia errada em CG do que seja as artes plásticas. Pensam que arte é pintar girassol e mostrar coisas bonitas. E é não é isso.

RT – Falta uma arte mais urbana, mais fumaça, asfalto…
EP – Pode ser. Falta saber qual é o papel do artista na sociedade. O artista é o que? Qual o papel? Decorar as casas da pessoas, fazer um quadro que combine com o sofá da madame? Não é! Falta saber isso. Que o artista é um cara q tem q estar mandando um recado pra sociedade. Se ele acha que o mundo é colorido, ele que vá pintar o mundo colorido dele. Mas eu não acredito!

RT – O Humberto Espíndola é mais reverenciado pelos músicos do que pelos próprios artistas plásticos. Vejo muita gente das artes plásticas com bode do Humberto. Você confirma isso?
EP – Eu acho o Humberto o maior gênio q tem neste estado. Um dos maiores do Centro-oeste e do Brasil. Quem não gosta do Humberto é por inveja. Podem achar q é coisa de criança falar isso, mas é inveja. É pq naum admitem q existe um cara q consegue fazer um trabalho bom e que viva aqui. E é inveja mesmo porque o Humberto é muito inteligente e consegue fazer as coisas. Então se vc tem um trabalho fraquinho, naum consegue ver alguém q consegue e tem a mentalidade pequena, vc põe olho gordo! Fica aquela coisa: ?Pooooxaaaa é só o humbertoooo!? Já escutei um monte de gente falar isso: ?Tudo neste estado é só Humberto Espíndola. Por que que é ele?? É porque só ele tem a capacidade de fazer as coisas. É por isso! O dia que vc tiver um trabalho bom e correr atrás vc pode conseguir, mas por enquanto ele é o cara! Ele corre atrás e tem nome para fazer. É isso! O povo das artes, muita gente, tem este pé atrás. Não gosta! Acho a pintura do Humberto incrível, ele é um cara incrível e é bom pra caramba. O que é bom incomoda.

RT – Por que vc acha que a Bovinocultura não tem mais representantes? Passou o conflito do Boi no estado ou a gente é ainda aquela sociedade que ele combatia?
EP – Acho que ainda é aquela sociedade. A prova disso é o que aconteceu com a minha exposição. É a prova de que Campo Grande está bem coronelista. Lideranças políticas e religiosas que estão muito atrados.

RT – Vc tem vontade de ir morar fora de Campo Grande?
EP – Sou muito novo. Vou fazer 21 no final do ano. E me formo este ano. Quero permanecer em CG. Se tiver oportunidade de ir para fora até tenho vontade, mas não existem planos. To tranqüilo aqui, gosto de CG, da cidade…

RT – Mas é dúbio isso. É bom para criar em CG?
EP – Não.

RT – Quer dizer: não é bom para criar, não tem mercado, não tem colegas… e vc insiste em ficar aqui? (kkkkkkk)
EP – (kkkkkk) Talvez seja superproteção da família. Ter medo de morar sozinho, encarar um grande cidade. Tem isso tb. Mas não penso em sair por enquanto. Tenho vontade de levar meu trabalho para São Paulo, ter uma galeria que me represente…

RT – Quanto custa um quadro seu? Se quiser comprar aquele quadro ali do coração (quadro q está na sala da casa de Evandro)?
EP – 900 reais este quadro. Para mim esta é a pior parte. É um sacrifício botar preço.

RT – Por que? O artista tem de ser o vendedor hj em dia tb?
EP – Mas com base em que eu coloco o preço em minha pintura?

RT – Eu que te pergunto.
EP – Não sei. Comparo com preço de outros. Mas vou vender pra quem um quadro de 900? Não tem para quem vender?

RT – Vc vende uma média por mês? Financeiramente como é a saída dos quadros?
EP – Vendo quadros por ano. Quatro ou cinco eu vendi em 2005.

RT – Pra quem? Aqui ou para pessoas de fora do estado?
EP – De fora do estado. Veio um colecionador do interior de São Paulo, q só ele comprou 3 e eu vendi mais um aqui em MS em 2005 inteiro.

RT – Até hj vc vendeu apenas 4 quadros?
EP – Quatro em 2005. Por que antes, na minha primeira exposição, que era uma pintura realista, naturalista foi a que mais vendi. Fiz uma exposição batizada de Retratos de Campo Grande e de 13 pinturas vendi 8. Sucesso tremendo.

RT – Poderia ter virado retratista de CG?
EP – Sim. Igual fazer o pantanal. Então não existe um mercado de arte em CG, existe um mercado de pintura.

RT – Mas o que os artistas fazem para criar este mercado de arte? Tem uma associação de artistas plásticos…
EP – Existe mas está falida. Eu não faço parte e quem faz parte q eu converso diz q é uma coisa falida. O presidente era o Júlio Cabral, q eu acho q deixou a entidade ano passado… não sei quem entrou e se ainda existe. Falta interação entre os artistas e aquilo q ocorreu em 66, criar um movimento. Mas não existe esta tentativa.

RT – Se quiser hoje fazer uma mostra com, por exemplo, oito artistas plásticos novos de Campo Grande com menos de 30 tem como?
EP – Existe. Patrícia Rodrigues, Priscila Pessoa, Alex… o… começou a sumir os nomes (kkkkkkk)… o Douglas Colombelli… éeeee (kkkkk)… não temmmm! Falta acreditar no trabalho e saber que vai ser difícil, que o retorno é difícil, entaum às vezes a pessoa naum tem o dinheiro para investir. A sorte é q tenho renda, trabalho com meu pai e dou aula para crianças. Ganho uns 400/500 por mês e vai tudo! E naum tenho gasto pq moro com meus pais. Todo o meu dinheiro eu invisto em material, livro, tinta, tela… q é tudo caríssimo. Nesta exposição no Marco gastei uns 2 mil pq as telas eram todas grandes e eu q fiz para ficar mais barato. Os professores da UFMS por exemplo, a maioria, falta um pouco mostrar a realidade pros alunos do primeiro ano e tb dar toques de salões. Nunca fazem isso. No primeiro ano de faculdade ainda colocavam no mural, mas agora já não. Falta este lado de incentivar do professor. Estão mais preocupados a cumprir aquele tanto de aulas. E muito professor substituto ou mesmo os oficiais q precisam dar muita aula para ganhar 400 por mês! É absurdo.

RT – Ter sido selecionado para o Rumos e o Salão de Goiás é uma prova de que seu trabalho tem futuro?
EP – Sim. Com certeza. É uma maneira de dizer q to no caminho certo. É um icentivo. Porque aqui em CG toda esta dificuldade, sem ter pra quem vender, faz uma exposição querem cancelar… entrar em um salão deste é um incentivo. Vale a pena insistir.

RT – O Dante Filho escreveu um artigo sobre o seu traballho. Disse basicamente que a polêmica seria maior que a obra. O que vc achou?
EP – Falta uma crítica mais especializada em CG. O Dante foi infeliz porque no texto dele ele fala que ele não podia fazer uma análise de uma obra que ele não viu, que ele não queria ver e que ele não tem interesse pelas artes plásticas. Então foi contraditório e não sei porque ele escreveu aquele texto. Não sei se foi obrigação de ter de escrever. Eu não conheço o Dante e ele não me conhece. Ele não viu minha obra… e ele mesmo fala isso no artigo.

RT – A crítica aqui ainda está na fase do falar por falar?
EP – Não existe crítica de artes plásticas em CG. O que existe são os textos do museu, quando vc vai fazer a exposição. Mas crítica em jornal não existe. Nem um movimento para ficar comentando. É uma coisa tão morta que não existe o que comentar. O que eu acho é q esta minha exposição pode ser uma nova luzinha na história da arte em MS. Como o próprio Rafael Maldonado e Humberto comentaram: ‘Fazia muito tempo que uma exposição não causava algo em CG’. Tomara q agora tenham outras exposições assim.

RT – Vc se considera o novo Humberto Espíndola?
EP – Jamais (kkkkkk)… falta muito!

RT – Mas no sentido da provocação…
(Toca o celular de Evandro. Ele atende e sai andando pela sala. Volta e diz que vendeu dois quadros, um para a esposa do Ueze Zarhan. A Ana Carla Zarhan comprou o Experimento Novo, do Papa Light… e a esposa do Ueze comprou uma da série da Guernica!)

RT – Afinal vc é o novo Humberto ou não?
EP – Eu fico na saia justa…

RT – Não é comparando o trabalho de vocês, é mais a postura…
EP – Pra dizer a verdade, o próprio Humberto me disse isso há um ano e meio atrás. Então fico muito feliz de ouvir isso dele. Isso me dá uma força. E é uma responsabilidade tb. Estou preparado, acredito muito no meu trabalho.

RT – Você concorda que o Humberto não tem o reconhecimento que merece aqui em MS?
EP – Não concordo. Ele já tem o reconhecimento.

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