Eu e Rolando, Rolando e nós!

Recebi com entusiasmo recentemente o CD Afropolca 2. Mais enfurecido e melódico que o primeiro Afropolca, de 2005, o novo disco que me chegou as mãos com outros que ganhei e comprei durante o Festival América do Sul é cheio de temas instrumentais de muito bom gosto, alma guitarreira e técnica impecável. A sensação é que se está escutando a versão paraguaia de Jeff Beck.

Conheci esta figura em dezembro de 2004. Quando fui tocar em Assunção. O nome: Rolando Chaparro!

Primeiro o cantor e compositor Hugo Ferreira, proprietário do Bar La Trova, me falou que tinha uma amigo que escutou o meu disco Polck e havia ficado entusiasmado: ?É o mesmo som que eu faço. Quem é este cara?? Hugo disse que Rolando iria ao show do Gira Palermo, que dividiria com Olho de Gato, Flou, Revolber, Banana Skins, Gaya e os amigos do Paiko. Pouco antes de subir ao palco para fazer o primeiro e muy sonhado show em Assunção, em um até então inatingível Paraguai, lembro dele chegar vagarosamente e me enquadrar: ?Sou o Rolando. Tudo bem cara??

Conversamos rapidamente e ele sumiu. Já no meio do show, bastante emocionado com a boa reação do público, percebi que Rolando chegou a frente do palco, encostou no alhambrado e escutou atentamente o que eu, Pedro Ortale, Anderson Rocha, Fabinho Brum e o intrépido Fernando Bola estávamos tocando. Era polca-rock! Pela primeira vez importada diretamente do Sul do Mato Grosso para Assunção. E o link estava feito. No outro dia, Rolando chegou tarde ao La Trova e eu já havia encerrado o show. Ele pediu para Hugo colocar o CD novo que estava gravando: o Afropolca. Bom aí, já estava nítido que não era simplesmente eu e Rolando, mas Rolando e nós!

Todos os músicos do MS que se envolveram com o som ternário revestido com uma linguagem POP, pós-Prata da Casa, com menos de 45 anos, são irmãos deste cara de fala rápida. A diferença é que ele é nosso irmão puro-sangue. Rolando é paraguaio legítimo, envolvido em injetar adrenalina na música tradicional paraguaia desde a década de 80. E começou a compor as suas afropolcas também em meados dos anos 80, como Jerry, eu mesmo e Caio Ignácio. Faziamos a mesma coisa, sem se conhecer.

Rolando integrou a banda de Palito Miranda no início da década de 90. Cito isto porque é ilustrativo. Rolando participou como guitarrista do disco do saxofonista paraguaio batizado de Polka Blues e contribuiu com quatro composições (Un Poco de Rio, Como Sabrás…, Sobre Mambo e Ojavéva). Neste cd, gravado em 1994, tem releituras jazzy de clássicos como Índia (José Asunción Flores) e Danza Paraguaya (Agustín Pío Barrios), além do sugestivo tema Polka Blues, do próprio Palito. É bom salientar que houve no Paraguai um movimento de músicos que faziam a fusão dos standars da música tradicional paraguaia com o jazz e Palito talvez seja a maior expressão.

Ou seja, Rolando está totalmente envolvido com a fusão dos ritmos paraguaios com uma linguagem nova e moderna. E tem história pra contar. Além disso, é revolucionário e tem um teor político grande em suas letras e ações (o que os integrantes da polca-rock de MS perdem dia após dia). Somente o fato de ter se aproximado e gravado (registrado historicamente) com os Tamborileros Del Kamba Kuá (percussionistas de um bairro assunceno que é uma espécie de gueto dos poucos negros que restaram no Paraguai. Se não me engano, só existem 2 mil atualmente no país de seis milhões de habitantes) já dá uma mostra do tipo de cabeça que este cara é.

Depois, naquelas horas em que não se está fazendo porra nenhuma, cheguei a conclusão que além da afinidade de propostas musicais e nossos nomes começarem a mesma letra (R), temos nomes artísticos com o mesmo número de letras (15):

RO LAN DO CHA PA R RO
RO DRI GO TE I XE I RA

Bom, mas vamos a entrevistaaaaaaa! Rs

ENTREVISTA ROLANDO CHAPARRO
POR RODRIGO TEIXEIRA

RODRIGO TEIXEIRA – QUANDO VOCÊ COMEÇOU A PENSAR NA FUSÃO DA MÚSICA TRADICIONAL PARAGUAIA COM UMA LINGUAGEM MAIS POP? COMO ISSO SURGIU?
ROLANDO CHAPARRO – La idea mia de trabajar en la fusion de la musica folklorica paraguaya con otros ritmos es algo que lo vengo realizando desde mediados de los años 80, una epoca mucho mas dificil, en cuanto comprension se refiere, por que he tenido mucha resistência (muchisima mas que ahora, que todavia la hay), pero es algo que esta en mi desde hace rato, por que se trata de unir las cosas que mas amo que son mi cultura paraguaya con la musica que tambien es parte de mi generacion como el rock, jazz, blues…
RT – VC É UM DOS POUCOS MÚSICOS QUE SE DISPÕE A FAZER A FUSÃO DOS RITMOS DO PARAGUAI COM O ROCK. POR QUE?
RC – No soy el unico, talvez sea uno de los pocos y uno de los que mas fue constante en esto, por que hubieron otros que empezaron pero desistieron con el tiempo. Ya en los años 70 hubieron musicos que fusionaron esta musica con el jazz (Carlos Shwartzman por ejemplo) pero fue dentro de un contexto mucho mas elitista mas tendiente a un tipo de gente que escucha solo esta musica. Creo que con la version de “Reservista Purajhei” (disco “Pasaje al mas aca” (Krhizya) de 1997 el trabajo mio de fusionar con una vision mas rockera esta cancion se volvio definitivamente masiva. A partir de la experiencia de “Reservista” empezaron a surgir otras bandas y musicos que empezaron a interiorizarse mas en este tipo de trabajo, sacando otras versiones de canciones folkloricas etc. Pero compositicvamente es algo que ya lo he hecho mucho antes de “Reservista”.
RT – ATÉ QUE PONTO A FORTE TRADIÇÃO DA MÚSICA PARAGUAIA REJEITA A RENOVAÇÃO MUSICAL DO PAÍS? VC SOFRE PRECONCEITO COM ISTO?
RC – Siii, todavia existe mucho preconcepto y resistencia, no solo de los mas tradicionales, sino muchas veces tambien por parte de musicos que inclusive forman parte del movimiento mas rockero, pero que lastimosamente muchas veces estan mas ligados a la moda o al tipo de sonido que por lo general tiene sus raices en la cultura norteamericana o inglesa (cuando salio “Reservista” no fue facil en un primer momento difundirla, por las resistencia aun de los rockeros, esto llevo su tiempo, y hoy en dia tambien pasa con la ?Afropolca?, cuando uno saca un disco nuevo siempre tienden a encasillarlo con trabajos anteriores. Pero esto a mi es algo que no me preocupa, siempre digo que el dia que no haga la musica que dicta mi corazon, ese dia es el dia que en que voy a estar muerto, y esto solo va a pasar cuando yo deje este mundo fisicamente.
RT – COMO VC CONHECEU OS TAMBORILEROS DE KAMBACUA? DESDE QUANDO EXISTE ESTE GRUPO DE PERCUSSIONISTAS? QUAL A HISTÓRIA DELES? POR QUE TEM TÃO POUCOS NEGROS NO PARAGUAI (2.000)?
RC – Conocer a Lazaro Medina y a los tamborileros del Kambacua fue para mi uma de las experiencias mas importantes en mi vida en los ultimos años, significo el acercamiento y aprendizaje de una cultura a la cual admiro enormemente y con la cual me siento muy identificada, gente hermosa, sufrida y valiente y aun asi muy gentil y abierta. La historia de los cambacua en paraguay es algo que tiene su historia muy importante, ellos a su llegada a Paraguay, Fiueron muy marginados, quizas a todo esto se deba que existan tan pocos negros aqui.
RT – COMO É A CENA INDEPENDENTE MUSICAL NO PARAGUAI? COMO É O MERCADO DE TRABALHO DE ASSUNÇÃO?
RC – La escena musical y discografica en Paraguay es aun muy dura y dificil, existen poco onada productoras o sellos discograficos (Kamikaze si no es el unico, es uno de los pocos sellos), es asi que muchas veces el trabajo se realiza en forma independiente (como en mi caso), y el trabajo es sumamente dificil, por el poco apoyo de difusion de los medios y por existencia de pocos empresarios interesados en apoyar esta movida, pese a que Paraguay tiene exelentes musicos y bandas con discos y performances sumamente interesantes.
RT – EM MS SEMPRE TEVE UMA GRANDE EXPECTATIVA DE SABER COMO ERA A CENA MUSICAL DE ASSUNÇÃO. NA VERDADE NGM CONHECIA OS MÚSICOS DAÍ. E VCS? TINHAM NOÇÃO DA EXISTENCIA DE CAMPO GRANDE, MATO GROSSO DO SUL E DESTA FRONTEIRA DE PEDRO JUAN CABALERO/PONTA PORÃ?
RC – La verdad es que yo no conocia nada de alli, lastimosamente, por que creo que somos una cultura muy unida y similar, por todo lo que pude aprender com sorpresa de la musica de Rodrigo Teixeira y la historia que me el me contó. Pero por suerte hoy en dia tengo la bendicion de conocer a gente como el y como otros musicos como los de Olho de Gato, Toninho Porto e Guilherme Rondon y espero conocer a mas.
RT – O QUE VC ACHA DE VC FAZER TRABALHO MUITO PARECIDO COM JERRY&CROA E RODRIGO TEIXEIRA, Q EXPLORAM A POLCA-ROCK?
RC – La verdad es como dije antes fue para mi una linda sorpresa, saber que existen otros musicos hermanos haciendo algo similar a lo que yo vengo haciendo, esto significa una cosa, somos hermanos hablando el mismo lenguaje. Y esto debe unirnos para romper tantas fronteras estupidas que hacen que las personas se alejen de lo escencial que es la vida.
RT – QUAIS OS PLANOS?
RC – Las expectativas son muchas, por encuanto la idea es poder mostrar este trabajo a la mayor cantidad de personas posibles y compartirlo con ellas, un trabajo que quizas como otros tantos que he hecho anteriormente tenga mucha resistencia o quizas no sea el disco que tenga los mayores hits, pero es un disco sincero, con mensajes claros e importantes, tratando de rescatar y reivindicar cosas que muchas veces se nos pasan desaparcibidas. Ojala el Afropolca-tour pueda llegar a la mayor cantidad de personas posible y de esta forma pueda dejar una huella y aportar mi humilde granito de arena a la historia de esta cultura.

P.S.: Rolando é o de camisa vermelha na foto lá em cima; ao lado eu e Pedro Ortale no fundo!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s