Bussunda: Piada Pesada

Fiz duas matérias com o Bussunda na época em que trabalhei na TV Press. A primeira foi um longo papo. Era 1998. Lembro que cheguei para a entrevista no escritório que eles tinham em Botafogo, em uma simpática vila no final da Real Grandeza com a São Clemente (onde depois virou e e é até hoje a sede da TV Press) e o Bussunda estava em sua mesa de trabalho. De cara, vi que tinham algumas ‘baganas’ no meio da papelada. No final da entrevista não resisti e perguntei: ‘Bussunda e estas baganas? Pode?’ E ele: ‘Se não tiver, não sai o programa!’

Já em 2000 fiz esta matéria que está abaixo e que vou colocar apenas o bate-bola. Bussunda se gabava de estar mais magro, só com 120 kg. Foi no Projac, durante a gravação do programa e Bussunda como sempre tímido e falando baixo. Bussunda foi para o andar de cima e vai deixar saudades. Era o homem de frente do Casseta, o grupo que revolucionou o humor brasileiro na televisão e que agora está pronto para ser ‘revolucionado’ pelos novos!

Rodrigo Teixeira – O Casseta & Planeta está completando dez anos. Até que ponto o grupo depende do programa?
Bussunda – Se o programa acabar, provavelmente faríamos um filme por ano, montaríamos um espetáculo para correr o Brasil e pelo menos mais dez anos de fôlego a gente teria. Isso sem ir para outra emissora. Porque já somos famosos. Quando a gente também estiver muito feio para aparecer na tevê, continuaremos como autores de humor.

RT – Nunca houve a real possibilidade de algum dos integrantes deixar o Casseta?
B – Não. Já aconteceu de o grupo querer expulsar alguém. Mas a gente é espada. Resolvemos as coisas no grito, com tapas na mesa. Falta o componente da viadagem que faria alguém pular fora do grupo. Ninguém fica magoadinho. Viemos de uma amizade antiga e gostamos do nosso trabalho. Mais das realizações do que da fama. A nossa ligação é com o humor bem-feito. Estamos num período de ‘vacas magras’, mas todo mundo adora quando gastamos uma fortuna para fazer uma piada babaca. Isto dá um grande prazer!

RT – Como você se prepara para fazer imitações, como do Ronaldinho, Manoela, ACM…?
B – Sou espada e não faço essas coisas de laboratório. Quando é a primeira vez, dou uma olhada em fitas que a produção manda. Normalmente pego só um detalhe da pessoa. O que faço é uma caricatura. Pego uma entonação e pronto. Que nem a Helena, da Vera Fischer em Laços de Família. Só imitei o suspiro dela e o resto era eu. Até hoje, é a imitação que mais deu retorno com o público. A maioria dos atores e autores falam que adoram nossas paródias.

RT – E por que Semelhança (paródia da novela Esperança) não foi mais ao ar?
B – Porque Benedito Ruy Barbosa pediu à direção da Globo e nós tivemos que acatar. Não entendi, pois em Terra Nostra também fizemos. Nunca bolamos piada com o intuito de ofender. É para as pessoas rirem. Faltou humor ao Benedito. É um equívoco da Globo não deixar Semelhança ir ao ar porque as paródias atraem público para a produção.

RT – Não falta uma maior renovação do humor na tevê atual?
B – A força que a gente dá para os novos humoristas é mandar matar, pois não queremos concorrência (risos). Falando sério, na nossa home page tem alguns novos grupos, como o Garagem e o Fala Sério, que estamos dando uma força. Sei que na MTV tem o pessoal do Hermes e Renato, o Sobrinhos do Ataíde… Na verdade, buscamos a renovação o tempo inteiro e jogar como o Romário, que é usar a experiência a nosso favor. Um dia ainda vai ser superado, mas enquanto pudermos ‘matar’ os concorrentes, vamos continuar.

RT – Qual o limite para se fazer uma piada na Globo?
B – Cada caso é um caso. O nosso desafio sempre foi estender os limites seja onde for. Sempre forçamos os limites da própria Globo. Estreamos na emissora no carnaval de 1990. Lembro que não podia pronunciar a palavra bunda, então a gente falava ‘vamos escolher o melhor lombo do carnaval’. Lá pelas duas horas da manhã, ao vivo, a gente falou: ‘Estamos escolhendo o melhor lombo porque não podemos falar bunda’. Aí o Boni ligou: ‘Gostei, ficou engraçado. Pode falar bunda’. Aí comemoramos. ‘Porra, liberamos a bunda na Globo’. Confesso que temos orgulho de estar há dez anos na Globo e até hoje as pessoas perguntarem como a emissora deixa.

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