Caximir, vendaval cuiabano

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Caximir não deixou pedra sobre pedra no show em Campo Grande no dia 10 de junho

Um furacão passou por Campo Grande. O nome: Caximir! O reduto mais marginal da Capital sul-mato-grossense foi pequeno para a bofetada musical cuiabana na cara do público encruado da cidade. Furiosos e apaixonados, os integrantes da banda são interessantes não só no conjunto, mas pessoalmente cada um é uma fonte de energia infinita e brilho próprio. Enlouquecidos e insanos, Antônio Sodré, André Balbino, Capileh Charbel, Eduardo Ferreira, Rosi Tekila, Wenderground, Anna e Fernanda Marimon e o baterista Rubens Lisboa carregam o cheiro da estrada regada à cerveja, noites insones e desvarios intelectuais.

O impacto visual do grupo é certeiro. E a ciranda de vocalistas só aumenta o estímulo para vôos de inconsciência e delírios futuristas. As mulheres do Caximir, sim elas!!!, fazem a pedra rolar. O sangue azul do rock’n roll circula nas veias do trio nervosamente sedutor e de figurino pré-sado-futurista-erótico-retro-chique. Em certa altura do show, pensa-se: a Nina Hagen está cantando com a banda? É Rosi Tekila dando seus chiliques em tons agudíssimos. Quem são as duas doidas que ficam se atracando em trajes sensuais no meio do público? Fernandinha e Anna põem pra quebrar. São herdeiras legítimas da santa trindade roqueira.

Tive o privilégio de abrir o show do Caximir. Toda banda acha que toca mais pesado que a outra. Pelo menos é o que está escrito na cartilha roqueira. Sentamos a bota de fato! E, verdade seja dita, eles também. O show deles foi pesado pra cacete! Neste aspecto, a vinda do Caximir passados quase duas décadas desfaz o que de tanto falar virou verdade em Campo Grande: de que em Cuiabá só tem músico paia, doidão, bicho-grilo!!! Mais do que jogar por terra esta teoria, mostra que o Caximir é uma banda com uma linguagem fartamente urbana de rock’n roll que os campo-grandenses ainda não conseguiram reproduzir.

O guitarrista Capilé Charbel é bom de palco e tem sensibilidade para saber quando pesar a mão e quando afinar suas distorções as melodias guturais dos cantores. É o maestro da banda e o galã também. André Balbino na viola elétrica torna ainda mais forte o sabor do caldo urbano-alucinante do Caximir, quando tende mais para uma Nova Iorque dos anos 70 do que o caipirismo centro-oestino brasileiro. Balbino está mais para Lou Reed do que Almir Sater!

Pessoalmente, o que me impactou no contato com o Caximir foram as figuras de Eduardo Ferreira, o baixista, e o poeta e vocalista Antônio Sodré. O primeiro é a prova de que o verdadeiro rock extrapola o palco. Não basta tocar rock’n roll, isto é fácil. A questão é ter atitude roqueira. Não ofender, como os punks, mas provocar como fazem os legítimos seguidores de Hendrix, Chuck Berry e Mutantes. Eduardo Ferreira ‘ o Gary Oldman cuiabano’ é o próprio. Ele toca com segurança e economia seu baixo de, detalhe, três cordas. Que após o show, aliás, estava jogado na varanda depois de tomar chuva. Sid Vicius, Iggy Pop pra caralho. Ele em uma espécie de canção-sermão branda para o público estupefado: LSD, Louvado Seja Deus! Provocador de idéias e estímulo para atitudes, é isso que Edu provoca, seja no Caximir, como Overmano ou dirigindo A Fabrika. Cada vez mais agradeço por este cara ter cruzado meu caminho!

Mas o assombro acontece mesmo quando empunha o microfone o bugre Antônio Sodré. É o Charles Bukoviski do Pantanal do Norte, Plínio Marcos do Cerrado, Lima Barreto do século XXI… Pirado, robótico, dono de gestos economicamente alucinados, o pequeno poeta vira gigante no comando do Caximir. Com ele tudo fica perfeito, na medida. É a dose salvadora de roqueirol que nos liberta deste mundo de sentimentos ruminantes. Ele grita Habibbbbbb em ritmo de tratamento de choque e nada fica mais igual.

No show de sábado, dia 10 de junho de 2006, vi novamente a poeira levantar. O espírito roqueiro habita um cavalo chamado Caximir! Ele está pronto, encilhado, em ponto de bala… Pedro Alexandre Sanches, Alexandre Mathias, críticos musicais do Brasil existe uma banda no coração da América do Sul pronta para fazer um estrago. Aliás, várias bandas.

Mas me retenho aqui no Caximir mesmo! Vamos dar uma trégua no olhar obcecado pelo Norte e Nordeste, Sul e Sudeste! Los Porongas, Cachorro Grande, Ludovic, queridinhos da MTV, turminha da Trama… dá licençaaaa!

O Caximir tá na área, o pior cego é aquele que não quer ver.

Um pensamento sobre “Caximir, vendaval cuiabano

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