Matulacultural’s Weblog


Meu nome é Alzira E
Novembro 24, 2007, 11:47 pm
Arquivado em: Uncategorized

Compositora da família Espíndola radicada em São Paulo lança pela primeira vez um disco em Campo Grande

Desde que lançou este ano o sétimo disco da carreira a sétima filha da família mais famosa de Mato Grosso do Sul decidiu eliminar o sobrenome Espíndola. Agora esta campo-grandense radicada em São Paulo desde a década de 70 chama-se Alzira E. Sem ponto após a quinta letra do alfabeto. A pergunta imediata que vem a cabeça é por quê esta decisão? “Desde 2000 que o sobrenome Espíndola virou uma marca muito forte da família. Percebi que individualmente não existia a necessidade de carregar o sobrenome porque começou a aparecer nos trabalhos artísticos que envolvia a família. Então por uma questão de marketing decidi tirar o Espíndola no meu sétimo trabalho, sendo eu a sétima filha dos Espíndola, além de que não tem outra cantora no Brasil chamada Alzira e o E tem a ver com a minha história de estar envolvida com outras pessoas. Sempre fui Alzira e a família, Alzira e os parceiros…”

E é justamente para apresentar o disco que Alzira fez com o seu mais novo parceiro é que a compositora se apresenta este domingo em Campo Grande. Na verdade, é a primeira vez em 30 anos de carreira que Alzira vai realizar o lançamento de um disco na cidade em que nasceu. Sempre vinha à Campo Grande tocar em show coletivos. Por isso, a apresentação amanhã no projeto “Som da Concha” é especial para Alzira. O show será na Concha Acústica Helena Meirelles localizada no Parque das Nações Indígenas, a partir das 17 horas, e a abertura será da banda Haicai. A entrada é de graça e a realização da Fundação de Cultura de MS (FCMS).

“Acho que estou vindo pela primeira vez lançar um disco em Campo Grande porque o público não acompanha muito meu trabalho solo. Está acontecendo agora porque acredito que minha carreira como Alzira E está começando a acontecer e ter destaque. Agora estou tocando com músicos daqui mesmo o que facilita a vinda. Além disso tive canções gravadas por Ney Matogrosso e Zélia Duncan o que ajudou a expandir minha carreira solo. Vai ser o quarto show deste novo disco e tenho certeza que as pessoas terão uma grata surpresa”, avalia a cantora.

Alzira vai mostrar no show de domingo as composições do seu último disco “Alzira E”. O álbum marca a parceria da cantora com o poeta paulistano Arruda. Os dois se conheceram em uma oficina de haicai em junho de 2005 e depois de fazer a primeira canção não pararam mais. Nos primeiros seis meses já contabilizavam 30 músicas compostas. Além de render o repertório de um disco completo, as músicas de Alzira e Arruda caíram nas graças de outros artistas. Zélia Duncan, além de lançar o CD pelo seu próprio selo, o Duncan Discos, inclui a canção “Chega Disso” no DVD do show “Pré Pós Tudo Bossa Band”. Maria Alcina também registrou a música “Colapso” em seu disco novo e Jerry Espíndola gravou três parcerias de Arruda e Alzira no último disco “Vértice”.

A compositora será acompanhada no “Som da Concha” por Sandro Moreno (bateria), Guilherme Cruz (violão e guitarra) e o paulistano Pedro Marcondes (baixo). O irmão caçula, Jerry Espíndola, fará uma participação. Além das canções de “Alzira E.”, a cantora deve relembrar algumas músicas dos seus outros seis discos – Paralelas (2005), Ninguém Pode Calar (2000), Anahí (1997), Peçamme (1996), AMME (1990) e Alzira Espíndola (1987).

Este ano Alzira completa 30 anos de carreira. Em 1977, a cantora estreou integrante o grupo “Tetê e o Lírio Selvagem”, com os irmãos Tetê, Geraldo e Celito Espíndola, gravando disco homônimo pela Polygram. Com a dissolução do grupo Lírio Selvagem, Alzira passou a acompanhar Almir Sater entre 1980 e 1986. No ano seguinte se lança em carreira solo. Surge então em 1990 a parceria com Itamar Assumpção, com quem excursiona pela Europa e faz muitas músicas, como “Bomba H”, gravada por Ney Matogrosso em 2000 no disco “Olhos de Farol”, e “Transpiração” e “Finalmente” incluídas no CD “Vagabundo”, de Ney Matogrosso e Pedro Luís e a Parede. Outra grande parceira é Alice Ruiz, com quem lançou “Paralelas”, em 2005.

Mantendo a tradição de dividir a criação artística com outras pessoas, Alzira continua a profícua parceria com Arruda. Os dois, aliás, foram selecionados entre os 12 finalistas no Prêmio Visa Compositores, em São Paulo, em agosto de 2006. O show deste domingo é a oportunidade do público campo-grandense conferir esta nova fase de Alzira e prestigiar a artista de Mato Grosso do Sul mais badalada do momento no eixo-Rio-São Paulo. “Estou em um excelente momento da carreira e espero que seja só o início. Este impulso é resultado de muitas coisas, principalmente pela minha maturidade como compositora e a persistência em acreditar e não desisitir”, pondera Alzira.

* Matéria publicada em 23 de novembro de 2007 no jornal O Estado de MS.



ENTREVISTA BOSCO • Encharcado de rock
Novembro 18, 2007, 9:23 am
Arquivado em: Uncategorized

O baterista João Bosco esconde a idade como manda o manual roqueiro; mas é com certeza um dos músicos mais emblemáticos do Mato Grosso do Sul

O garoto João Bosco já provocava com sua postura roqueira a cidade de Coxim. Aos 9 anos, se apropriava dos enormes cintos coloridos de sua mãe e amarrava o acessório na cabeça. Ele próprio incrementava as suas roupas. Rasgava e sujava de barro suas calças Lee. Tudo inspirado nas capas dos LPs que artistas do rock, como o guitarrista Jimi Hendrix. Desde cedo, já estava escrito: seria um roqueiro.

Mais de cinco décadas depois, aquele garoto rodou milhas na estrada do rock e se transformou em um verdadeiro símbolo da música urbana de MS. Unanimidade, respeitado por novos e velhos, João Bosco influencia e é influenciado por instrumentistas da nova geração sul-mato-grossense. Numa auto-definição de bate-pronto Bosco não vacila. “Não sou purista. Eu sou um batera encharcado de rock’n roll”, ressalta com seu jeito cadenciado de falar e ainda com o rosto inchado de quem acabou de acordar já perto da hora do almoço.

Escrever sobre Bosco é o destrinchar a história do próprio rock do MS. Lá pelos idos de 1975, após ser influenciado pela geração de Paulo Simões e Geraldo Espíndola nos festivais musicais da cidade no final da década de 60, aceitou o convite do “professor” Miguelito para entrar para o Zutrik, na época a principal banda de baile do Estado.

Em 1976, fundou o Euforia, uma das primeiras bandas da Capital com atitude roqueira e com repertório autoral. Na seqüência, foi chamado para integrar (entre 1984 e 1991) o grupo de heavy metal Alta Tensão, que se tornou um dos ícones do rock regional. Entre 1992 e 1994 foi oficialmente baterista do Made in Brazil, a banda paulistana-brasileira com maior número de formações e uma verdadeira dinossauro-band brazuca já escrita na história da música do país.

Em 1995, em um show na “Festa do Peixe”, na velha conhecida Coxim, Bosco plantava a semente do que veio a se transformar em O Bando do Velho Jack. Com cinco discos lançados e façanhas como ganhar o Skol Rock em 1999, o grupo superou o assassinato do vocalista Alex Batata, em 1997, e atualmente é um dos grupos de maior prestígio da cena independente de MS.

Bosco ainda toca como músico convidado do Chalana de Prata e já acompanhou boa parte dos compositores do Estado. Colecionador inveterado de LPs, comanda desde os anos 80 a “Rock Show”, única loja especializada em artigos roqueiros do MS. Encharcado de rock até o último fio de cabelo, o campo-grandense Bosco recebeu “O Estado” para a entrevista que está transcrita abaixo.

Desde pequeno você já tinha atitudes roqueiras evidentes. O que vem na sua lembrança em relação ao começo do seu flerte com o rock?
Lembro que eu passava férias em Coxim e fuçava o guarda roupa da minha mãe. Ela tinha uns cintos grandões e colororidos e eu amarrava eles na cabeça inspirado nas capas dos discos da época, como do Jimi Hendrix. Eu fazia as minhas roupas, passava barro e rasgava as minhas calças Lee. Eu tinha 9 anos e saía pelas ruas de Coxim vestido deste jeito. Alguns me chamavam de ‘bicha’ e eu enfrentava o preconceito que por incrível que pareça existe até hoje, embora tenha melhorado um pouco.

Mas os roqueiros mudaram muito também e atualmente a maioria toma danoninho…
Pois é. Um exemplo é o Marquinhos (baixista de O Bando) que chega para ensaiar com pasta, óculos e calça social. Mas é que muitas vezes o músico precisa se moldar à realidade porque a música não dá a estrutura necessária para seguir o sue dom natural. Aí tem que encarar empregos fora da música.

Atualmente o cenário da música está em que nível de qualidade?
Se formos pensar na década de 70, era um deslumbre total. A gente estava começando tudo. E a repressão militar Vera mais branda por aqui do que nas outras Capitais do país. Então, por exemplo, com o Euforia a gente mantinha um repertório com músicas de Milton Nascimento, Caetano e Gil, Jorge Bem, Guilherme Arantes, Tutti-frutti, casa das Máquinas, Secos e Molhados e dá para acreditar que o grupo fazia baile por todo o MS com estas músicas. É uma coisa inacreditável de falar agora. A gente tocava “Fé Cega e Faca Amolada”, do Milton, no baile em Rio Verde para um salão lotado com todos aplaudindo. Então fico refletindo que a gente fez um caminho inverso da valorização da cultura musical. Era uma estrada maravilhosa pela frente e os movimentos da música mundial eram muitos sentidos por aqui, com os Beatles recém-saídos de cena, os Rolling Stones e Bob Dylan em plena forma e ainda por cima com os nossos ídolos Geraldo Espíndola, Geraldo Roca e Paulo Simões fazendo uma sonzeira e com muita vontade. Fomos caminhando e mudamos deste som que falei para a banda Calypso e outros derivados desta prateleira musical. Ou seja, caiu bem o nível de lá para cá.

O Bando acaba de lançar um disco e sei que não foi fácil arranjar apoio. Você acredita antes era menos complicado conseguir patrocínio?
Era mais fácil antes sim. O Alta Tensão, por exemplo, na década de 80 teve o apoio da Coca-cola para gravar e lançar o segundo disco. E este ano ficamos duas vezes na mão com a operadora TIM, por exemplo, que na última hora não fechou o patrocínio. O show que fizemos anteontem para o lançamento do disco “Bicho do Mato” teve muito poucos operadores. Na verdade o mercado do rock hoje em dia é no esquema faça você mesmo. A não ser que você grave um disco e seja comprado por milhares de pessoas e é claro que uma gravadora vai se interessar. Mas hoje o sistema é artesanal mesmo.

Até 2005 o grupo de vocês fez muitos shows e estava bombando. Qual foi o ponto mais alto na sua opinião que O Bando atingiu?
Com certeza foi quando ganhamos o Skol Rock. Mas creio que a questão é que uma cena não anda quando uma cidade parece grande, mas tem o coração pequeno como é o caso da nossa querida Campo Grande. Muito elogiada pela qualidade de vida, mas não consegue dar expressão para trabalhos musicais. Um show montado por uma banda aqui não se desenvolve. Se o ideal é fazer o mesmo show umas 30 vezes por aqui se faz três shows com muito sacrifício. Esta é a dificuldade e a realidade atual.

Campo Grande tem muitos músicos, compositores e cantores de alta qualidade. Falta a figura de produtor para ajudar a impulsionar a cena em Campo Grande?
Com certeza. Até agora quem mais batalhou foi o Waguinho. Ele até hoje investe, mas com muita dificuldade. Em Cuiabá, por exemplo, tem o Pablo Capilé e muito por causa dele a cena de lá está fazendo muito barulho. (Entra o filho do Bosco, o baterista Jean e dá a sua opinião sobre a cena de música de Cuiabá e o produtor Pablo Capilé: ‘A banda Vanguart de lá está estourando e é um fenômeno nacional e não apenas cuiabano. O principal responsável é o Pablo que tem uma articulação política muito forte. Foi ele, por exemplo, que conseguiu que a Fundação de Cultura de Cuiabá bancasse passagem para o Vanguart rodar os festivais do país por um ano. No primeiro ano deles, em 2002, o Pablo conseguiu apoio para fretar um ônibus e levar o Vanguart e mais um a banda para o Bananada em Goiânia e no mesmo ônibus levou mais 45 pessoas. Ou seja, levou o público das bandas junto pro festival. È uma bela sacada…) Atualmente nós estamos bem esquecidos aqui em Campo Grande em termos de apoio cultural. Está destinado para os artistas o que sobrar e como isso é muito pequeno ninguém vai a lugar algum. Do lado do governo o apoio é pequeno e do lado empresarial é zero. Nenhum. Caiu bem o nível de lá para cá.

Você é um dos que tocam esta fusão da polca com rock desde sempre. Muita gente do rock de Campo Grande torce o nariz quando escuta falar em polca-rock. Qual a sua opinião sobre o assunto?
Eu gosto. Desde criança em Coxim já escutava Zacarias Mourão, Dino Rocha e depois maior começa a ouvir Stones, Led e naturalmente esta fusão acontece quando vai tocar. Para mim Chalana de Prata é polca-rock. Eu não sou um baterista purista. Estou encharcado de rock’n roll. Mas acho que polca-rock não é de agora. A bandeira foi levantada pelo Caio, Jerry… mas já acontecia no passado. Só que não chamavam como polca-rock.

O que vem a sua cabeça quando pensa no Alex Batata?
Muita saudade. Ele pegou uma época dourada do rock aqui em MS nos anos 90. Havia um combustível que levava adiante, como nos anos 70, e que fazia a gente acreditar que lá na frente estava o paraíso. Então quando penso no Batata sempre vem esta imagem de um momento maravilhoso que passamos. E hoje O Bando está totalmente resolvido nesta questão.

Qual o caminho de um disco novo no momento atual?
Ninguém mais sabe. É engraçado. Em Campo Grande você encontra as portas abertas em todas as televisões e jornais da cidade. Mas as rádios estão trancadas para o trabalho dos músicos locais. E a rádio foi criada justamente em cima do artista, para divulgar a música, mas tomou um rumo diferente. Só duas rádios ajudam um pouco, como a Uniderp e a Regional, mas as outras nem tomam conhecimento. Deveria ser criada uma lei na câmara dos deputados que estabelecesse um espaço fixo para a música regional. Porque isto será revertido para o comércio local. O artista daqui recebe e gasta aqui mesmo. Já o de fora leva a grana para gastar no Rio, São Paulo e Bahia. Uma cena é criada também através dos meios de comunicação. Fico pensando no que meu pai sempre me falou: ‘Meu filho, se você não encontrar apoio em casa, você vai encontrar aonde?”.

* ESTA MATÉRIA FOI PUBLICADA PELO JORNAL ‘O ESTADO DE MS‘ EM 22/09/2007



Cult Press 06 • O samba dobrado de Guilherme Vergueiro e Mike Stoller
Novembro 17, 2007, 4:11 am
Arquivado em: Uncategorized

Disco

Samba Dobrado

por Rodrigo Teixeira

Um inesperado encontro entre Mike Stoller – compositor de hits como Stand By Me, Jailhouse Rock e Is That AH There Is? – e o pianista brasileiro Guilherme Ver­gueiro concretiza sumariamente a tão em moda globalização. O ál­bum Amazon Moon, lançado pelo selo Windham Hill, uma divisão da BMG, é uma perfeita combinação da mais pura escola brasileira do samba com a tradicional e sofisti­cada harmonia do jazz.

A peculia­ridade, no entanto, é que as 10 fai­xas do CD são compostas pelo americano Stoller, a maioria em parceria com Jerry Leiber. E é visí­vel a influência de músicos brasi­leiros como Hermeto Pascoal, Tom Jobim e Egberto Gismonti. Não foi à toa que, ao assistir um concerto de Guilherme Vergueiro em Los Angeles, o compositor dos Esta­dos Unidos tenha decidido convi­dar o pianista brazuca para dirigir o projeto que resultou no disco.

Na verdade, os arranjos e a direção de Guilherme foram os res­ponsáveis para imunizar Amazon Moon da síndrome de samba de japonês, que acontece sempre que americanos e europeus se metem a tocar o mais conhecido dos rit­mos brasileiros. Com um gosto refinado para escrever os arranjos, Guilherme teve a capacidade tam­bém de arregimentar uma banda de alto gabarito para gravar o ál­bum.

E a grande sacada do pianis­ta – que foi viver em Los Angeles já na década de 70 – é que ele cha­mou brasileiros e latinos para tocar os instrumentos rítmicos, corno o excelente percussionista Bira Show e baterista Pablo Silva e Lima, e americanos para a sessão de sopros, como o virtuoso trom-bonista Bill Raichenbach.

O paulista Guilherme Verguei­ro mostra em diversos solos do CD, como em Samba Beach, por­que já excursionou com artistas do naipe de Agostinho dos Santos, Leny Andrade, Djavan e Chico Buarque.

Com um ritmo contagi-ante em suas bases no piano, Gui­lherme consegue criar solos chei­os de melodias sofisticadas e que já chamaram a atenção de mons­tros do jazz. Ron Cárter, Wayne Shorter e Wallace Rooney, por exemplo, já gravaram em cinco CDs e foram convidados especi­ais em shows de Guilherme.

Os arranjos para The Sea Horse, Amazon Moon e Constant Surprise lembram as fusões pro­porcionadas por Sérgio Mendes, Airto Moreira e Flora Purim na década de 70 – e que até hoje in­fluenciam bandas brasileiras ins­trumentais como Cama de Gato e Pau Brasil. A diferença, no entan­to, fica para a ótima performance de Ary Piassarollo no cavaquinho que, com o som peculiar do instru­mento, puxa o clima mais para o samba do que para o jazz.

Mas quem rouba a cena é o flautista e saxofonista brasileiro Teco Cardo­so, do Pau Brasil. Ele dá uma aula de criatividade e improvisação aos músicos ultratécnicos da terra do Tio Sam.

Agradável novidade

A cantora amazonense Eliana Printes lança pela gravadora Indie Records o terceiro álbum solo e prova que tem um grande poten­cial. Com um belo timbre e poten­cial de voz, Eliana também mostra nas 11 faixas do CD O Próximo Beijo que, além de excelente intér­prete, também é boa compositora. Indicada no primeiro trabalho An­dando em Silêncio para o Prémio Sharp na categoria MPB Revela­ção, agora a cantora reforça a ten­dência de investir na mistura de ritmos brasileiros com um sotaque bastante pop. O maior exemplo disto é a releitura dance para o clássico da bossa nova Você e Eu, de Carlos Lyra e Vinícius de Mo­raes, que ganhou harmonia sofis­ticada e um arranjo que beira o funk. Amparada por uma banda que conta com instrumentistas gabaritados como Milton Guedes, Marcelo Costa, Jamil Joanes, Cesinha e Ricardo Silveira, Eliana Printes consegue se destacar como letrista nas baladas Amar Você e Em Seus Olhos.

Fórmula batida

A banda Ultra é apenas mais um daqueles conjuntos que saem aos montes do Reino Unido. O quarteto formado pêlos boniti-nhos James Hearn, Michael Harwood, Nick Keynes e Jon O’Mahony parece uma cópia de grupos como Boyzone e Louise com originalidade abaixo de zero. O disco homónimo do conjunto traz fotos em excesso dos garotões e música de menos. As 10 faixas do CD soam extremamente pareci­das, com levadas idênticas de ba­teria, melodias batidas e uma per­formance vocal de amargar. O Ultra está mais para um grupo de mode­los fotográficos do que músicos propriamente ditos. O único pon­to positivo da banda é que os in­tegrantes compõem, embora por enquanto, sem nenhuma criativi­dade.

Bate Estaca

Brothers Gonna Work It Out, da dupla de DJs ingleses Tom Rowlands e Ed Simons, é o típico CD com destino certo: abastecer festas em clubes e boates enfuma­çadas. Com mais de l milhão de cópias vendidas em todo o mun­do, Tom e Ed chegam ao segundo CD lançando o próprio selo Freestyle Dust, distribuído pela Virgin. O álbum traz 23 faixas que reúnem vários efeitos sampleados, levadas surpreendentes de bate­ria eletrônica e longos climas psi-codélicos embaladas por violinos. Destaque para On The House.

Revival

Lançado nos Estados Unidos no final de 98, a trilha sonora do filme 54 – baseado na famosa boa­te nova-iorquina Studio 54 – che­ga só agora no Brasil, pois o lon­ga não tem nem data prevista para estrear no país. As 16 faixas do CD são uma verdadeira viagem para a década de 70, impregnada de funk e que praticamente abriu o cami­nho para a dance music atual. Re­cheada de hits, a trilha traz can­ções como The Boss, de Diana Ross, Please Don’t Let Me Be Mi-sunderstood, do grupo Santa Es­meralda, Take Your Time (Do It Right), da S.O.S Band, e Come To Me, de France Jali. Ainda sem grandes efeitos eletrônicos, a tri­lha sonora remete para um tempo em que música para se dançar não era sinónimo de pouca melodia ou mesmice harmónica. Destaque para You Make Me Feel, de Syl-vester, uma aula de balanço e ar­ranjo.

* Publicado pela Cult Press em 16/02/99



MS em 16mm
Novembro 11, 2007, 2:43 pm
Arquivado em: Uncategorized

O fotógrafo Tião guarda em sua casa parte da História de MS

Existe um pequeno tesouro escondido na rua Tenente Tinoco, 108, no bairro Taveirópolis, em Campo Grande. Neste endereço mora o fotógrafo Sebastião Nascimento Guimarães, o Tião. Em um armário no fundo de sua casa ele guarda aproximadamente 60 latas de filmes em 16mm com registros relacionados as décadas de 70 e 80 em Campo Grande e Mato Grosso do Sul. A posse de Harry Amorim sendo efetivado como o primeiro governador de Mato Grosso do Sul em solenidade no teatro Glauce Rocha em 1977 é uma das imagens raras do tesouro de Tião. No dia em que o estado completa três décadas de existência, a batalha do fotógrafo para que seu acervo seja comprado pelo Estado ou obtenha um patrocínio de uma empresa para passá-lo a alguma instituição se torna ainda mais dramática.

“Estou pedindo R$ 70 mil por este acervo. Este valor é praticamente o que iriam gastar com negativos novos para produzir o volume de imagens que tenho. Mas se formos pensar no valor histórico, aí este material valeria muito mais. Porque é único”, explica Tião.

Para entender melhor esta história temos que voltar no tempo. Nascido em Carangola, em Minas Gerais, Tião estava trabalhando em Aparecida do Norte, em São Paulo, quando veio a Campo Grande em 1972 e fez algumas fotos da família do então deputado estadual Levi Dias. Em 1973, a convite de Levi, que havia acabado de ser eleito como prefeito campo-grandense, Tião mudou-se para Campo Grande para trabalhar como fotógrafo da prefeitura. Começou então a registrar os acontecimentos da cidade e estado. O problema é que naquela época, um produtora de Goiânia era contratada para fazer os filmes institucionais para serem exibidos na televisão.

“O pessoal da prefeitura queria começar a fazer os filmes aqui mesmo e por isso contratei uma pessoa de Goiânia para filmar e comprei equipamento. Montei então a produtora Jurema Filmes e comecei a registrar tudo em 16 mm”, conta Tião.

O resultado disso é que 30 anos depois ele acabou guardando um acervo que provavelmente nem as televisões instaladas em Campo Grande possuem em seus arquivos. “Eu nunca vi, por exemplo, imagens em movimento do primeiro governador Harry Amorim exibidas por nossas emissoras”, provoca Tião. Este “tesouro” tem aproximadamente 10 horas de filmagens. São várias relíquias. A primeira campanha de vacinação contra poliomelite feita no Brasil aconteceu aqui em MS. “Tenho filmado a aplicação das primeiras doses da vacina com a equipe no Pantanal, andando de carroça e chegando aos lugares de canoa”, puxa na memória.

No material também imagens do desenvolvimento de Campo Grande, como a aberturas de ruas, como a Av. Bandeirantes, as apresentações do Projeto Pixinguinha na década de 80, o encontro do então governador Pedro Pedrossian com o ex-presidente e ditador paraguaio Alfredo Stroessner na exposição agropecuária de Campo Grande, as festividades do primeiro aniversário de Mato Grosso do Sul em 1978, a cantora Simone no Moreninho, a chegada de Harry Amorim em Campo Grande, a inauguração do busto de Antônio Pereira, a posse de Marcelo Miranda após cair Harry Amorim…

Tião procurou o ex-secretário de Cultura, Silvio de Nucci, para tentar chegar a um consenso e acertar o repasse do material para o Museu da Imagem e do Som (MIS) ainda no governo do Zeca do PT. As negociações não evoluíram. Agora tenta um patrocínio de alguma estatal, como a Petrobrás. Tião tem medo que o material se perca, embora tenha cuidado no trato dos filmes, que estão em bom estado de conservação, mesmo não sendo mantido em local ideal em termos de temperatura e umidade. Na verdade, o fotógrafo de 67 anos não sabe mais o tamanho de seu “tesouro”, pois muitas latas estão sem identificação. “Tomo o máximo de cuidado. Mas mesmo assim é difícil manter tudo em ordem”, pondera.

Tião possui ainda cerca 8 mil slides fotográficos que ele pretende negociar com a prefeitura da Capital. “Hoje em dia o que tenho tem um certo valor histórico. Mas daqui há 30 anos este material vai valer mais ainda. É a história de Campo Grande virando Capital e Mato Grosso do Sul nascendo como estado. Isso aqui é, antes de tudo, uma fonte de pesquisa para a juventude e cada dia que passa tem mais valor”, assegura o fotógrafo.

* Publicado no jornal O Estado de MS em 11/10/2007.



Mega centro cultural será construído em Campo Grande
Novembro 11, 2007, 2:05 pm
Arquivado em: Uncategorized

Prefeito Nelson Trad Filho promete Centro Cultural; 1% para a cultura não sai em 2008

O encontro com representantes da classe artística no gabinete do prefeito campo-grandense marcada para ontem era para a entrega do documento relacionado ao pedido de 1% do orçamento municipal para o setor cultural. Cerca de 30 pessoas da área cultural estavam presentes para o esperado tete-a-tete com Nelson Trad Filho, que ainda não havia se manifestado oficialmente sobre a questão. Nas conversas entre os artistas, muita gente já estava desacreditando a possibilidade do prefeito não chegar nem perto do valor do 1% que seria de aproximadamente de R$ 6 milhões. E foi realmente o que aconteceu.

“Eu não vou conseguir chegar no 1% no orçamento deste ano. Não posso também estipular uma cifra porque pode frustrar depois as pessoas. Mas vamos avançar no orçamento da cultura”, disse Nelsinho no final da reunião sem maiores rodeios e sem estipular afinal para quanto vai o orçamento da prefeitura de Campo Grande dedicado à cultura em 2008.

Sem chegar ao montante pedido pela classe artística, que fez muitas reuniões para discutir o assunto com os vereadores e mobilizou 42 entidades, Nelsinho “assoprou” antes de “bater”.

Logo depois de alguns ativistas do setor cultural se pronunciar, como o cineasta Cândido Alberto da Fonseca, a professora Maria da Glória Sá Rosa e o próprio vereador Athayde Ney, o prefeito convocou uma equipe para apresentar o esboço de um projeto que irá transformar o espaço onde seria o novo Terminal Rodoviário de Campo Grande, na Avenida Ernesto Geisel, em um grande Centro Cultural. A surpresa foi geral.

“O espaço da nova rodoviária poderia ter dois destinos. Ou a demolição ou isso que propomos ao BID, que é a transformação do local em um grande Centro Cultural”, afirmou Nelsinho.

O projeto do novo Centro Cultural envolve uma negociação com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a prefeitura de Campo Grande. Durante a apresentação o prefeito citou o valor da obra em aproximadamente R$ 9 milhões e que o total do valor do projeto envolvendo o BID seria de U$S 40 milhões, sendo 50% para o banco e 50% para a prefeitura, envolvendo projetos em várias áreas.

“A previsão é que tenhamos uma posição do BID referente ao projeto no final do primeiro semestre de 2008. Nós fizemos este projeto em um mês, a toque de caixa para apresentar para o Ministério Público e agora estamos à disposição da classe artística para escutar sugestões e adaptarmos o que for necessário”, afirmou Eliane Detoni, coordenadora da unidade de projetos especiais da prefeitura de Campo Grande.

O Centro Cultural

O novo Centro Cultural terá 11 mil e 500 metros quadrados de área no local onde inicialmente o falecido arquiteto Rubens Gil de Camillo havia proposta a construção da nova rodoviária de Campo Grande. Haverá espaço para as artes plásticas, dança, música, uma escola de teatro, salas para oficinas, restaurante, área para convivência, exposições de artes plásticas, pinacoteca municipal, e alojamento para 100 pessoas pernoitarem com entrada independente. O local irá abrigar também os ensaios da Banda Municipal Ulisses Conceição, da Orquestra Sinfônica Municipal e de grupos de teatro e de dança. A entrada principal será pela Avenida Ernesto Geisel.

Um teatro multifuncional para 400 lugares será construído, com pé direito alto e fosso para músicos, o que possibilitaria, por exemplo, apresentação de dança com orquestra. Os artistas presentes chamaram a atenção para a necessidade da inclusão de espaços para o cinema e literatura, que não estava previsto no projeto.

Orlas

O prefeito Nelsinho ainda fez questão de detalhar dois outros projetos. O Orla Ferroviária e a Orla Morena. A primeira começaria na Av. Afonso Pena, na altura da Morada dos Baís, e passaria pela Barão do Rio Branco, Dom Aquino, Maracaju, Antônio Maria Coelho e terminaria na Avenida Mato Grosso, na altura do Hotel Gaspar.

“Vamos manter a topografia original, construir teatro de arena, calçadão de 15 metros, manter o pontilhão da Antônio Maria Coelho e adicionar paisagismo e decoração adequadas”, garantiu Nelsinho. “Também vamos contemplar com espaços próprias as colônias que ajudaram o desenvolvimento da cidade que são as colônias italianas, espanholas, portuguesas, libanesas, japonesas, bolivianas e paraguaias”, enumera.

Já a Orla Morena começaria na área batizada de Cabeça de Boi, na altura da praça das Araras, e seguiria até o novo Centro Cultural da Cabreúva. “Teremos um largo de esportes, um espaço para feira de artesanato, ciclovia, teatro de arena, mirante e monumentos homenageando a ferrovia”, lista o prefeito. “Este projetos são a prova que estamos interessados na cultura. E com estas obras e espaços que serão criados teremos que realmente fomentar a cultura da cidade pois vamos ter que uma programação para ocupar estes espaços”, avalia Nelsinho, que provou habilidade política para dizer um “não” com gosto de “sim” para a classe artística.

* Publicado no jornal O Estado de MS em 26/10/2007.



Jorge Drexler pela primeira vez em Assunção
Novembro 11, 2007, 1:41 pm
Arquivado em: Uncategorized

Um show imperdível acontece na próxima semana em Assunção. É o cantor e compositor uruguaio Jorge Drexler, que pela primeira vez irá se apresentar no Paraguai. O espetáculo será na próxima quarta (17/10), às 21h, no Teatro do Banco Central do Paraguai. Jorge Drexler é o músico uruguaio de maior prestígio internacional da atualidade. Ele ficou conhecido depois que ganhou o Oscar de Melhor Canção Estrangeira com a canção Al Outro Lado Del Río, incluída na trilha sonora do filme Diários de Motocicleta, do brasileiro Walter Salles.

“É uma grande honra trazer pela primeira vez ao Paraguai um compositor tão importante para a América do Sul como o Drexler. Será uma grande festa sul-americana e os moradores do nosso vizinho Mato Grosso do Sul estão convidados”, afirma Willy Suchar, proprietário da gravadora Kamikaze Records e que está produzindo o espetáculo em solo paraguaio. A capital do Paraguai fica a 935 km de Campo Grande, a estrada que liga Ponta Porã a Assunção é bem conservada e a viagem dura em torno de 10 horas.

No show de estréia no Paraguai, Jorge Drexler vai se apresentar sozinho, na base do voz e violão. Foi assim, aliás, que o ‘cantautor’ conseguiu abrir as portas da Espanha, onde ele mantém moradia. O músico de 43 anos, nascido em Montevidéu e médico também, vai tocar os maiores sucessos da sua discografia composta pelos álbuns La luz que sabe robar (1992), Radar (1994), Vaivén (1996), Llueve (1998), Frontera (1999), Sea (2001), Eco (2004) e 12 segundos de oscuridad (2006). Suas canções já foram gravadas por vários artistas, como o brasileiro Paulinho Moska e os estrangeiros Neneh Cherry, Pablo Milanês e Bajofondo Tango Club, entre outros.

Quem vai abrir o show de Drexler será o cantor Hugo Ferreira, que em seu disco Delitos y Fantasmas dividiu uma faixa com o compositor uruguaio. O produtor, compositor, arranjador e pianista Willy Suchar vai fazer o acompanhamento ao piano. Em Assunção, o ingresso pode ser adquirido nos escritórios da Kamikaze Records, que fica na rua e nas lojas Music Hall dos shoppings Mariscal Lopes e Del Sol. Informações 615-319.

* Publicado no jornal O Estado de MS em 13/10/2007.



Lugar-comum é a marca da peça Corações Encaixotados
Novembro 11, 2007, 1:35 pm
Arquivado em: Uncategorized

Um enredo previsível transforma Corações Encaixotados em uma peça fácil de ser esquecida assim que a platéia deixa o teatro. O espetáculo que esteve em cartaz em Campo Grande nos dias 5 e 6 de outubro no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo se encaixa naquele tipo atração artística que serve para distrair, e olhe lá, durante os intermináveis 90 minutos que os atores estão em cena. Para um autor com tanto nome no cenário nacional, Bosco Brasil deixou a desejar em Corações Encaixotados. Neste caso, os atores acabam virando mais uns faladores de palavras do que intérpretes de um texto.

Maria Clara Gueiros se vira como pode. A atriz muitas vezes dá gritos, eleva o tom de voz e faz caras e bocas que lembram de imediato as suas aparições na tevê. O público embarca na onda e ri bastante, mesmo em momento nem tão engraçado. O problema de Corações Encaixotados é que à medida que a história vai se desenrolando, menos se acredita nela. Para começar a situação não é nada inspiradora. Uma defensora pública (a Dulce Castro vivida por Gueiros) que fica esperando chegar a sua mudança, que está nas mãos do Geraldo, o tal caminhoneiro barrigudo e de bigode enorme que está ‘enrolando’ para entregar os móveis da protagonista. Por isso, o cenário é apenas aquelas caixas de papelão horrorosas que é duro de ficar olhando por tanto tempo. Visual zero.

O pai da defensora pública (Domingos Castro, vivido por Aloísio Abreu) é o mais idoso dos personagens e o único que fica levando pra lá e pra cá as caixas. Não dá para acreditar. Aí entra o Dadá, ex-marido de Dulce (interpretado por Marcelo Adnet), que na verdade é um homossexual enrustido. E aí começa os erros do enredo de Bosco Brasil, caindo na piada fácil e escancarando o preconceito com o homossexual tão comum nos programas brasileiros (ruins) de humor. A platéia não percebe e ri de situações esdrúxulas. Para piorar o quarto elemento em cena e que serve de ‘escada’ para Maria Clara Gueiros não tem nem de longe o ‘sex appeal’ necessário para fazer acreditar que vai fazer o ex-marido e defensora público ficarem apaixonados por ele. Rocha é um estagiário de Dulce, bem mais moço e extremamente meticuloso e tímido, que faz a chefe se sentir atraída por ele. Mas simplesmente não dá para acreditar e fica óbvio que o personagem serve mais para resolver cenicamente a vida do autor do que envolver a platéia com uma ação condizente.

Com um cenário só envolvendo as caixas as cenas parecem mornamente repetidas. Os ataques de Dulce ao celular com o filho que está com a namorada em uma comunidade hippie são repetidos cansativamente e o preconceito e as piadas rasteiras conseguem animar um público que já vai querendo rir de qualquer coisa dita pela comediante do Zorra Total. “Ela pelo menos raspa o suvaco meu filho!” é o suficiente para a risada em bando. A falta de uma trilha sonora também fica evidente. Os diálogos a seco ficam ainda mais monocórdios.

Um dos poucos momentos que surpreendem na peça é quando ocorre “uma queda de luz” e tudo fica escuro no apartamento e teatro. Por uns cinco minutos só se escuta as vozes dos atores e o pública vai imaginando o que está acontecendo no palco. Uma boa técnica para fazer funcionar a imaginação do público. Aliás, o uso de microfone sem fio pelos atores é louvável e evita o constrangimento de não conseguir escutar atores que não tem pronuncia boa para o teatro. Com o auxilio tecnológico isso não acontece em Corações Encaixotados.

A revelação de que a defensora pública está querendo um flerte com o estagiário acontece bem no final da peça, depois do ex-marido gay ter dado em cima do rapaz por várias longas cenas que não passam de besteirol batido, previsível e medianamente executado. O clima de humor vai desaparecendo e um ar romântico vai imperando nos momentos finais da peça até chegar ao cúmulo do lugar-comum que é o beijo entre Dulce e seu estagiário Rocha. O beijo, aliás, com direito a pétalas de rosa caindo e Nélson Gonçalves cantando o clássico Rosa é de longe o momento mais teatral e feito com mais empenho pelos dois atores. Ao contrário das centenas de palavras, deu para acreditar no único beijo da peça.

* Publicado no jornal O Estado de MS em 08/10/2007.



Fogo do Cerrado é adiado para março
Novembro 11, 2007, 1:25 pm
Arquivado em: Uncategorized

O festival de rock vai ficar para 2008 por problemas com patrocinadores

A primeira edição do Fogo no Cerrado está adiada. O festival de rock que aconteceria em 16, 17 e 18 de novembro não vai rolar mais este ano. Só em 2008. Segundo a organizadora do evento, Letícia Spíndola, o Fogo no Cerrado precisou ser transferido para o ano que vem porque não houve acordo com um dos apoiadores. Ela não quis citar o nome deste apoiador.

“Um dos nossos apoiadores voltou atrás e afetou a questão da estrutura do evento. Teríamos que achar outro local para o festival em menos de um mês e decidimos que o melhor seria adiar”, explica Letícia, da Bigorna Produções.

O Fogo no Cerrado iria acontecer na Concha Acústica Helena Meirelles do Parque das Nações Indígenas, vinculado a Fundação de Cultura de MS (FCMS). No local, dois palcos seriam montados, necessitando de duas estruturas de som e luz. A área ainda teria de ser fechada para controlar o pagamento de ingressos.

“A estrutura para fazer o festival nos moldes que planejamos é grande realmente. São dois palcos, duas iluminações, dois equipamentos de som, banheiro químico, tendas, back stage e, dependendo do local, como era a Concha, teria que ter fechamento. Realmente é uma estrutura grande”, avalia Letícia.

Mas a coordenadora do evento avisa que as bandas de MS que foram selecionadas e indicadas estão confirmadas no festival e estarão tocando na primeira edição. “Os grupos que selecionamos e indicamos serão as mesmas”, confirma.

São elas: Dimitri Pellz, Fall Over, Hummuz, Jennifer Magnética, Link Off e Parkers (indicadas). Bêbados Habilidosos, Bugre Veio, Fotovoltaicos, Freebird, Fullbox, Hertz, La Matilha, Lutano, Mukti Dub, Olho de Gato, Vamos lá, Luiz? e Repúdio CxGx (selecionadas).

Já a lista de 18 bandas que viriam de outros estados do Brasil e mesmo de outros países da América do Sul vai sofrer alteração. Os grupos de outros estados que estavam confirmados pela produção do evento eram: Silverados (Uruguai), Tormentos (Argentina), Profane (Paraguai) e os brasileiros Macaco Bong (MT), Revoltz (MT), Móveis Coloniais de Acaju (DF), Forgotten Boys (SP), Wander Wildner (RS), Supergalo (DF) e Ecos Falsos (SP).

“Vamos ter que reavaliar com cada uma das bandas por causa da agenda, mas 50% das que viriam estão confirmadas ainda”, afirma Letícia.

O Fogo no Cerrado vai seguir os moldes dos festivais da Associação Brasileira dos Festivais Independentes (ABRAFIN), que atualmente regulamenta 26 festivais independentes no Brasil. Seriam 36 shows divididos em três dias. As apresentações iriam começar às 18h e ir até a meia-noite nos três dias de evento. Em dois palcos montados no local, as bandas iriam fazer shows de meia-hora e ininterruptos. Quando acaba uma apresentação, começa outra no outro palco.

“É melhor não fazer tudo correndo e de última hora. Como já vem o Natal e depois carnaval, achamos melhor deixar para março. Estamos estudando dois locais para fazer o festival. Também teríamos pouco tempo para a divulgação. Há males que vem para o bem e alguns novos patrocinadores já ligaram para apoiar o evento. Tenho certeza que o Fogo no cerrado em 2008 vai ser mais legal ainda”, torce Letícia.

* Publicado no jornal O Estado de MS em 18/10/2007.



Músico da terra é minhoca?
Novembro 11, 2007, 1:15 pm
Arquivado em: Uncategorized

Esta história de ‘músico da terra’ tem que parar! Quem é da terra é minhoca. Este tipo de tratamento atira o profissional da música de MS numa vala comum onde se mistura protecionismo quadrúpede, auto-estima baixa e conversa para boi dormir. Está na hora do músico sul-mato-grossense ser tratado com mais seriedade em projetos coordenados pelo governo e este mesmo músico ter uma postura mais profissional quando aceita ser inserido em produções que envolvam artistas de fora do estado. Não dá para aceitar tudo, como se fosse um favor o governo estar chamando para abrir apresentações de nomes nacionais da música.

Vamos direto ao assunto. Me refiro ao MS Canta Brasil que começou no último domingo (7/10). A atração de Mato Grosso era a Vanessa da Mata. O músico da ‘terra’ (rs) foi o Chalana de Prata, com quatro ícones da música de MS: Paulo Simões, Celito Espíndola, Guilherme Rondon e Dino Rocha. Pois bem. Eu estava lá. O que vi foi um show do Chalana de Prata sem nenhuma potência nos equipamentos, uma iluminação que não passava de um branco estourado e sem nenhum movimento e os músicos fazendo de tudo para trabalhar em condições até aceitáveis para um grupo iniciante, mas não para quem ajudou a construir a história da música sul-mato-grossense, no caso do Dino, desde os anos 50.

Para piorar a situação, os músicos de Campo Grande não tiveram camarim e sim uma barraca improvisada as pressas que mais parecia um barraco de lona para se acomodar. Também não tiveram tempo para fazer a ‘básica’ passagem de som, chegando ao cúmulo de ter de realizar o procedimento correndo já com o público no local. Constrangedor. Não havia também retorno para que os ‘músicos da terra’ se ouvissem em cima do palco. Ou seja. Ficou tudo para a ‘importantissima’ Vanessa da Mata e nada para os ‘minhocas’ de MS.

Está na hora também dos músicos sul-mato-grossenses se profissionalizarem. Uma banda como o Chalana de Prata, que conta com um dos maiores letristas do Brasil da atualidade, o Paulo Simões, um dos grandes cantores do Brasil, o Celito, um dos principais compositores do Centro-Oeste, o Guilherme, e o um verdadeiro mestre da sanfona brasileira, celebrado de Zezé di Camargo a Dominguinhos, Dino Rocha, não pode ser mais amadora. Tem que ter um produtor para cuidar disso e não deixar acontecer o que aconteceu no MS Canta Brasil.

Por outro lado, está na hora de parar de usar o músico de MS como boi de piranha para a ‘boiada de outro estado’ passar impune, com cachês maiores, regalias mil, desrespeito com os músicos locais e todas as condições de trabalho. Se continuar desta maneira, seria melhor só ter o músico de fora tocando no projeto. Não precisa ter a obrigação de colocar o músico de MS só porque é politicamente correto ou mesmo usar o músico como desculpa para conseguir o patrocínio e o aval dos generais para que seja realizado o evento.

De uma vez por todas: MAIS RESPEITO!

* Texto publicado no jornal O Estado de MS em 09/10/2007