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Ricardo Kudla é o que está fazendo careta na foto do grupo Revoltz!
Cá estamos com o número 02 da sessão Conversa de MSN! Desta vez o Matula Cultural entrevistou Ricardo Kudla, vocalista, baixista e líder do grupo cuiabano-gaúcho-paulistano Revoltz!
A banda vem em setembro para Campo Grande, dias 22 e 23, para dois shows na cidade. Um no Chácara Bar e outro no Café Moinho. O grupo está fazendo o pré-lançamento do primeiro disco Beijo no Escuro. A produção é da Panela Eventos, comandada por Vaguinho!
Ricardo, que não conheço pessoalmente, se mostrou muito simpático, com um bom humor difícil de encontrar e dono de uma ironia típica dos roqueiros. Mandou ver em seus comentários sobre a própria banda, a cena cuiabana, o festival Calango, Pablo Capilé, Vaguinho, cena independente e tudo mais que encontrou pela frente.
Chega de papo e vamos ao que interessa!
CONVERSA DE MS ? 02 ? RICARDO KUDLA (REVOLTZ)
…ele em Sampa e eu em Campo Grande… umas 17h…
DR. STU diz:
vai la, pode começar a SABATINA OVERMUNDO
Rodrigo Teixeira: diz:
isso aíii, direto para o blog Matula Culturalll
Rodrigo Teixeira: diz:
bom tava vendo q vcs tocaram aqui em outubro de 2005
Rodrigo Teixeira: diz:
como será a volta agora em setembro? é para divulgar o primeiro disco da banda Beijo no Escuro? o q podemos esperar?
DR. STU diz:
Nossa ida pra Campo Grande é digamos um PRÉ-LANÇAMENTO do disco que será finalizado ainda pro final deste ano.
DR. STU diz:
Em 2005 quando tocamos aí a banda tinha saido do CALANGO, e se preparava pra tocar no sudeste tb pra mostrar o trabalho pra outros publicos.
DR. STU diz:
Hoje vemos que nao so o som da banda mas como tudo que rola no palco esta mais coeso depois da gravação
Rodrigo Teixeira: diz:
fala um pouco da banda, ela é de MT ou RS?
DR. STU diz:
Cara, essa historia de rock gaucho é muito foda. Até o proprio pessoal da tal CENA de cuiabá gosta de rotular a gente desta forma, mas o que vou fazer se vim de la mesmo?
DR. STU diz:
A banda nasceu e cresceu em Cuiabá, agora é uma banda nacional.
DR. STU diz:
Nao podemos ficar somente presos a isso, pois pensamos em atingir todos os publicos possíveis.
DR. STU diz:
Digamos que a banda é de Mato Grosso, com influências de Rock Paulista dos 80 feito por gaúchos dos 90;
DR. STU diz:
heheheheh
Rodrigo Teixeira: diz:
hehehhe
Rodrigo Teixeira: diz:
quantos anos a banda tem?
DR. STU diz:
alguns
DR. STU diz:
2002 acho que começou
Rodrigo Teixeira: diz:
qual a relação da banda com o Espaço Cubo? o disco pertence a Cubo?
DR. STU diz:
hahahahahahaah
DR. STU diz:
essa é otima
Rodrigo Teixeira: diz:
só para entender.
DR. STU diz:
cara, o espaço cubo é uma das produtoras que agitam eventos em Cuiabá
DR. STU diz:
temos uma boa relação com eles nos eventos que é interessante que a REVOLTZ toque e seja legal.
DR. STU diz:
Nao estamos no tal CASTING da produtora, assim por dizer.
DR. STU diz:
Somos uma banda normal, como qualquer uma no país que quer tocar, divulgar nosso som pelo país e ganhar alguns milhoes de dolares vendendo escandalos em revistas sensacionalistas.
DR. STU diz:
somente isso
DR. STU diz:
hehehehehe
Rodrigo Teixeira: diz:
kkkkkkkkkk
Rodrigo Teixeira: diz:
o disco é independente então fio?
DR. STU diz:
cara, ja recebemos algumas propostas de varios selos pra distribuição
DR. STU diz:
mas como eu sempre digo
DR. STU diz:
a TENTATIVA é a ULTIMA QUE MORRE
DR. STU diz:
depois de MIXADO e CHEIROSO, vamos ver no que dá.
DR. STU diz:
as primeiras 1.000 cópias sim, vao ser independentes pois ganhamos um premio de incentivo do Estado do Mato Grosso e temos que cumprir com o combinado, mas do futuro ninguem sabe. Estamos abertos a propostas sim, afinal estamos nessa é pra crescer, sendo independentes ou nao.
DR. STU diz:
Aliás essa coisa de independente é tao polemica como futebol e politica.
Rodrigo Teixeira: diz:
com certeza…
DR. STU diz:
tem FESTIVAIS bem proximos que nao TRAZEM bandas que tenham contrato com gravadora…
DR. STU diz:
entao nao entendo mais nada
DR. STU diz:
a gente trabalha pra conseguir isso e depois é limado pelo propria galera… enfim, por isso é polemico.
Rodrigo Teixeira: diz:
vc foi morar em Sampa pela dificuldade de conseguir contato para a banda de Cuiabá
DR. STU diz:
Nao, fui morar em São Paulo por razoes profissionais, tanto no que faço fora da banda, como com a banda.
DR. STU diz:
Nao tenho mais idade para me iludir que vindo pro sudeste, a banda vai explodir (a nao ser que seja atropelada por um onibus) e tudo mais.
DR. STU diz:
Mas o trabalho de divulgacao e prospeccao acontece aqui. Nao adianta.
DR. STU diz:
Entao por isso estamos investindo por esses lados, pela proximodade com outras cenas, que hoje estando em Cuiabá fica inacessível por custos enormes de transporte e tudo mais.
Rodrigo Teixeira: diz:
certo! ter gravadora acaba atrapalhando de certa forma atualmente?
DR. STU diz:
Nao sei, nunca tive gravadora, espero que nao.
Rodrigo Teixeira: diz:
o q vc faz fora da banda?
DR. STU diz:
Sou ator e tenho uma empresa de Design e Tecnologia. Trabalho com novas midias e internet.
Rodrigo Teixeira: diz:
quantos anos vc tem fio?
DR. STU diz:
17, mas tenho um termo dos meus pais para pode assinar coisas pela banda.
Rodrigo Teixeira: diz:
kkkkkkk conta outra
DR. STU diz:
ta, tenho 18
DR. STU diz:
mas com corpinho de 14
Rodrigo Teixeira: diz:
tá certo, roqueiros naum podem dizer a idade e nem q tem namorada
Rodrigo Teixeira: diz:
hehehehhe
DR. STU diz:
isso mesmo
DR. STU diz:
sacou a intenção
Rodrigo Teixeira: diz:
e de Campo Grande? com quem vcs trocam aqui?
DR. STU diz:
trocam?
DR. STU diz:
ou tocam?
Rodrigo Teixeira: diz:
os dois
DR. STU diz:
Cara, campo grande foi a melhor coisa que aconteceu pra gente. Nao sei se foi somente com a REVOLTZ ou com outras bandas, mas fizemos otimas amizades, daquelas que da saudade saca?
Rodrigo Teixeira: diz:
fala um pouco do q vc sente das bandas e músicos daqui em relação a outras cenas q vc conhece
DR. STU diz:
Os shows o ano passado foram muito legais, o publico, tudo. Bem diferente de Cuiabá, onde as pessoas te olham meio esquesitas quando se sai do palco.
DR. STU diz:
A gente conhece o pessoal de varios grupos de bandas dai, dos mais amigos como o DIMITRI PELLS, IMPOSSIVEIS como dos bluzeiros e a galera do peso.
DR. STU diz:
Cara, assisti de longe a polemica sobre 2 produtores dos estados do MT e MS: Pablo Capilé e Vaguinho.
DR. STU diz:
Trabalho com os 2, cada um tem uma linha de pensamento e de produção que acho que deve ser respeitada.
Rodrigo Teixeira: diz:
eu naum ia falar nada
DR. STU diz:
de boas, acho que tem a ver.
DR. STU diz:
so comentei porque a discussao ta quente.
DR. STU diz:
acho que a cena de Campo Grande, é extremamente rica, tal qual a de cuiabá;
Rodrigo Teixeira: diz:
acho oportuno vc falar um pouco
Rodrigo Teixeira: diz:
e JÁ TOCOU AQUI
DR. STU diz:
o que acontece no MS é que a PREFEITURA e o ESTADO se preocupam com a cultura, bem mais do que no MT. Falo isso vendo os PROJETO DESENVOLVIDOS na cidade como shows abertos ao publico, e tantas outras ações que nao elevam somente a QUANTIDADE DE BANDAS, mas a qualidade das mesmas.
DR. STU diz:
Hoje no MT se nao é as PRODUTORAS nao rola.
DR. STU diz:
isso que é bem triste, pois poderia ser bem melhor
DR. STU diz:
Nem quero comentar sobre Porto Alegre, pois acho que muito do planejamento feito na cidade é copiado e DEVE SER COPIADO por todas as prefeituras, como o FUNPROARTE e tantos outros projetos para a descentralização e propagação da cultura.
Rodrigo Teixeira: diz:
mas já q VC tocou no assunto, fala o que vc achou deste debate/polèmica
DR. STU diz:
sobre essa polemica assisti de longe rindo
Rodrigo Teixeira: diz:
pq rindo?
DR. STU diz:
bah, porque muita picuinha desnecessária no meio de tanta coisa importante pra se falar
DR. STU diz:
me lembro quando o espaço cubo tinha a LIBERACAO DE POST dentro do blog deles
Rodrigo Teixeira: diz:
sim
DR. STU diz:
cara, era uma GUERRA SANTA! me deixava ENVERGONHADO
DR. STU diz:
pois todos que entravam para ver o conteudo ficavam extremamente CHOCADOS com tamanha briga e discussao.
Rodrigo Teixeira: diz:
aqui no Overmundo alguns ficaram chocados tb!
Rodrigo Teixeira: diz:
e o pq vc acha q não encontra bandas de Campo Grande pelos festivais nacionais?
DR. STU diz:
Cara é uma questao de safra
DR. STU diz:
varias bandas de Campo Grande ja tocaram por festivais pelo pais, muitas acabaram, outras estao por vir
Rodrigo Teixeira: diz:
safra?
DR. STU diz:
e assim vai indo
DR. STU diz:
nao se pode dizer que nao se faz coisas boas medindo apenas as tais BANDAS que estao ou nao dentro ou fora de festivais.
Rodrigo Teixeira: diz:
ufa q bommm
Rodrigo Teixeira: diz:
pq vc acha q o Pablo tem tanta, digamos, rejeição em Cuiabá?
DR. STU diz:
Bah, quando cheguei la ja tiravam o cara pra CRISTO.
DR. STU diz:
ou melhor
DR. STU diz:
JUDAS
DR. STU diz:
Nao tenho certeza exata porque, talvez ele mesmo nem saiba, ou saiba, sei la.
Rodrigo Teixeira: diz:
como foi o Calango na sua opinião este ano?
DR. STU diz:
Cara, como toquei o ano passado posso ter uma opiniao mais certa sobre o festival. Achei bem estranho, nao sei se o lugar que era mais distante ou a escolha das bandas, ou tudo junto.
DR. STU diz:
O publico nao compareceu no primeiro e nem no ultimo dia. No dia em que tocamos estava bem legal. O pessoal cantando todas as musicas aos berros.
Rodrigo Teixeira: diz:
O Pablo elegou os melhores shows do Calango este ano e vcs não estavam na lista…
DR. STU diz:
Mas é claro que nao. Imagine. Isso seria uma heresia ora bolas….
DR. STU diz:
A Cesar o que é de Cesar
Rodrigo Teixeira: diz:
pq?
DR. STU diz:
Mas na real nem sei se ele viu algum show, afinal um organizador esta sempre indo e vindo ne?
Rodrigo Teixeira: diz:
com certeza
DR. STU diz:
Digamos que a REVOLTZ seja uma banda FORA DO EIXO do EIXO de FORA.
DR. STU diz:
hahahahaha
DR. STU diz:
trocadalho do carilho
DR. STU diz:
Sobre os comentarios dos melhores shows.
DR. STU diz:
Ele tem um CASTING pra falar, e tem que falar do PRODUTO DELE, a pepsi com certeza nao vai dizer que a coca é melhor.
DR. STU diz:
Entendo a posição
Rodrigo Teixeira: diz:
hehehee certo
Rodrigo Teixeira: diz:
Fala um pouco do novo disco. Quantas músicas? onde gravaram? qual o custo?
DR. STU diz:
Cara o novo disco ta ducaralho, aliás é o primeiro e NOVO disco tudo junto. Tem 13 musicas, algumas do EP A CHINESA que tinhamos que colocar dentro, outros hits que gravamos em 2003 e precisava entrar com certeza.
DR. STU diz:
Gravamos no Estudio LOPEZ, com produção do lendário ASTRONAUTA PINGUIM que produziu esse ano o segundo disco do DANIEL BELLEZA e os CORACOES EM FURIA.
DR. STU diz:
no blog da banda tem um PASSO A PASSO DA gravação. Vale a pena dar uma olhada no site!
Rodrigo Teixeira: diz:
legallll
DR. STU diz:
Tem digamos que um DIARIO DE BORDO.
Rodrigo Teixeira: diz:
massa
Rodrigo Teixeira: diz:
cara, o rock nunca vai morrer?
Rodrigo Teixeira: diz:
esta tríade sexo drogas e rockn roll vai durar até quando?
DR. STU diz:
Bah, acho que o rock vai somente TRANSFORMAR cara, é bom demais pra morrer
DR. STU diz:
o rock vai flertar com deus e todo mundo e mesmo asim vai sair ileso de tudo isso.
DR. STU diz:
Essa triade de sexo, drogas e rock an roll sim, acho que esta mais pra la do que pra ca. A nova geração malhação e o caralho vem com seus GATORADES gelados pra fuder com a nossa cerveja.
DR. STU diz:
NO CALANGO ERA PROIBIDO LEVAR CERVEJA NO PALCO, TU SABIA DISSO?
DR. STU diz:
SOMENTE UM SACO COM AGUA.
DR. STU diz:
UM SACO!!!!!
DR. STU diz:
DE PLASTICO!
DR. STU diz:
Isso sim é o fim.
DR. STU diz:
ONDE ESTA AS DROGAS DO ROCK!
DR. STU diz:
hahahahahahahah
Rodrigo Teixeira: diz:
bem q falei q o Pablo trabalhava mais na linha de rock teennn
Rodrigo Teixeira: diz:
hehehehhe
DR. STU diz:
TOTAL
DR. STU diz:
ANO QUE VEM ELE LEVA OS REBELDES para o CALANGO
DR. STU diz:
bom, pelo menos VAI GENTE NE?
Rodrigo Teixeira: diz:
pq tudo bem tocar nos festivais independentes, relacionar com 10 estados, mas tudo na base do escambo? dólar q é baum nada?
DR. STU diz:
pois é
DR. STU diz:
isso é bom, mas ENCHE O SACO
DR. STU diz:
e NAO DURA
Rodrigo Teixeira: diz:
vc acredita q o rock brasileiro depois de flertar mais fortemente com o regionalismo voltou a ser mais puro digamos
DR. STU diz:
nao puro pois nem sei o que é ROCK PURO, mas sim com identidade
DR. STU diz:
isso que diferencia as bandas daqui com as de fora
DR. STU diz:
mesmo a gente tendo que ver bandas COPIANDO exatamente o que os gringos fazem, principalmente com a LINGUA.
DR. STU diz:
ROCK BRASILEIRO É EM PORTUGUES!
DR. STU diz:
SOU DESTE PARTIDO!
Rodrigo Teixeira: diz:
eu tb
Rodrigo Teixeira: diz:
total
Rodrigo Teixeira: diz:
entaum manda um recado pra galera de CG
Rodrigo Teixeira: diz:
pra gente finalizar
DR. STU diz:
Deixem de ser PAU MOLES e compareçam no show do CHACARA BAR na SEXTA, pois será um show INTIMISTA so com VENENOS pra todos. No SABADO estaremos tocando no TATOO FEST com o GLORIA, num show antologico tb. Enfim, LET`S ROCK!!!!!!!!
Rodrigo Teixeira: diz:
(mas a matéria aqui ao vivo e a cores já está marcada certo?)
DR. STU diz:
SIM SENHOR
Rodrigo Teixeira: diz:
kkkkkkkk
Rodrigo Teixeira: diz:
vou estar láaaaa
DR. STU diz:
Ah, dia 22 é ANIVERSARIO DA MAIRA do DIMITRI PELLS
DR. STU diz:
VAI SER FODA!
Rodrigo Teixeira: diz:
conterrâneo, foi legal falar contigo
DR. STU diz:
massa
Rodrigo Teixeira: diz:
pena q vc eh gremista e naum podemos comemorar mais
Rodrigo Teixeira: diz:
hehehehhe
DR. STU diz:
bah, foda-se
Rodrigo Teixeira: diz:
foi bom pra vc Ricardo?
Rodrigo Teixeira: diz:
hehehe
Rodrigo Teixeira: diz:
tá liberada a publicação?
DR. STU diz:
FOI INESQUECIVEL
DR. STU diz:
sim
Rodrigo Teixeira: diz:
ouvi o som de vcs
Rodrigo Teixeira: diz:
bem bacana
Rodrigo Teixeira: diz:
nem parece de Cuiabá
Rodrigo Teixeira: diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkk
Rodrigo Teixeira: diz:
(brincadeirinhaaaaaaaa…)
DR. STU diz:
massa
DR. STU diz:
que otimo
Rodrigo Teixeira: diz:
valeu manuuuuu
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Na montagem: Pablo Capilé, do Espaço Cubo (MT) e Vaguinho, do Panela Eventos (MS)
… continuação da matéria PABLO CAPILÉ: ‘A galera de Campo Grande está acomodada e preguiçosa’
Para ler a primeira parte da entrevista clique AQUI!
BERRANTE NEWS
Entrevista Pablo Capilé – Parte II
Rodrigo – Com certeza se CG estivesse com bandas inseridas nos festivais, MT e MS iriam fazer muito mais pressão e ter mais visibilidade.
Pablo – Sem sombra de dúvida. Seria muito interessante pro circuito MS estar integrado. Se acha para mim é mais fácil fazer intercâmbio com banda do Acre? Que é tipo 30 horas de Cuiabá de ônibus do que uma cena q é 600km daqui, q podem rolar de maneira muito mais bacana. Mas o que é foda é querer colocar uma capa na gente que não é da gente. O que que acontece em Cuiabá? Árvore que não dá fruto ninguém taca pedra. E a gente chegou rompendo e quebrando um monte de paradigma e mostrando para a galera da cena daqui que poderia ser feito de outra forma e que tinha que tentar outro método. E este método se mostrou muito funcional. E quando as pessoas não conseguem entender muito bem o que está acontecendo, pq está muito a frente do tempo deles, eles preferem ou falar mal tipo não concordo, que é mais fácil de justificar q vc naum está fanzendo tb… a grande justificativa da maioria dos preguiçosos é esta: ‘não concordo’. Mas não dá nenhuma proposta tb para que a coisa aconteça.
Rodrigo ? Esta briguinha entre cuiabanos e campo-grandenses existe ainda certo?
Pablo ? Para mim está completamente superado. No momento em que eu coloquei que o Vaguinho atrapalhava e ele fez uma réplica que atrapalha o canal. Ele falar que Cubo Cards e Cuboestúdio não funciona é no mínimo maldoso da parte dele. Porque ele sabe que muitas bandas ensaiam aqui, que temos estúdio de gravação. Todas as bandas que vieram para o Calango este ano receberam o Cubo Cards para gastar dentro da arena. Este ano em vez de cachê, as bandas receberam Cubo Cards. E com o Cubo Cards os músicos compraram camisetas, cerveja, comes e bebes… Elas sobreviveram dentro da arena. As bandas locais tb ganham. Este Cubo Cards pode ser trocado desde ingresso para ir ao evento, usar estúdio de gravação e ensaio, a camiseta, locação de DVD… Então a gente criou uma série e possibilidades pras bandas e produtores estarem usufruindo do Cubo Cards. E isso vais e vascularizando de uma tal forma que a galera consegue ensaiar, gravar e divulgar a banda neste sistema de Cubo Cards. O cara não consegue nem entender o tamanho da coisa toda e, com um trabalho voltado principalmente para o umbigo dele, vem falar que a parada não funciona. Mas todos os produtores do país estão acompanhando o crescimento destes métodos do Espaço Cubo. Semana passada fomos dar uma palestra sobre o Cubo Cards no Rumos Itaú Cultural. Nós vamos ao Acre também dar uma série de palestras. Então eu consigo enxergar o papel do Vaguinho no processo, mas ele é que não percebe isso. O que tem de mudar então é esta situação de que todas as bandas que vem para cá ou que vão para aí são só através do contato com o Vaguinho. Acho que está faltando em CG uma nova liderança, porque eu não vejo outro produtor fora o Vaguinho.
Rodrigo ? Talvez porque não tenha realmente. Aqui é tipo cada banda por si.
Pablo ? Outra coisa que ele falou: ?Campo Grande prefere ser uma espécie de Porto Alegre. Ninguém sabe o que rola, mas rola coisa legais!?. Poxa, deve ter pelo menos 20 bandas de Porto Alegre rodando o país. Este comparativos só atrapalham ainda mais. É por isso que eu falo que outros produtores venham encabeçar esta relação de Campo Grande com o resto do país porque o Vaguinho não tem mais perna para isso. Não tem visão para enxergar isso. Ele está com métodos totalmente ultrapassados e datados e por isso é preciso inserir novos produtores dentro deste circuito para Campo Grande poder participar de toda a movimentação.
Rodrigo ? Faz um balanço do Calango este ano.
Pablo ? Foi mto bacana. O Calango é o festival que mais consegue trazer bandas do país. Das 45 bandas que se apresentaram são 18 de Cuiabá e 27 de outros estados. Pela primeira vez na história seis estados do Norte estiveram envolvidos com um festival independente pra debater os rumos da produção independente do Norte.
Rodrigo ? Quem foi ?a banda? este ano do festival em sua opinião?
Pablo ? Algumas. O Vanguart por estar em casa e numa seqüência muito interessante. O Macaco Bong foi poderoso. O Superguidis do RS. O Los Porongas, do Acre, fez um showzaçooo. E Mezatrio. Estas bandas mostraram que são a nova cara da música brasileira.
Rodrigo ? Acho que já falamos pacas hein Pablo? Ta bom para você?
Pablo ? Ta bom. Eu queria dar um recado pra galera de MS que a tentativa de estabelecer uma discussão deste jeito, com uma política de enfrentamento, é para acordar mesmo. Não é uma coisa de menosprezar o trabalho de vocês. É tipo vamos acordar, porque não temos mais tempo de ficar passando a mão na cabeça. No mínimo tentar se antenar mais. E se tem uma cena de quinta a domingo e o público comparece melhor que Cuiabá ainda. Mas é impressionante que uma cena que consegue ser mais envolvente que Cuiabá não consegue estar mais antenada no circuito nacional como Cuiabá. Então eu acho que tem pessoas erradas fazendo este link com a relação com o resto do país. As portas estão abertas e nós do Espaço Cubo queremos muito a participação de Campo Grande em todas as nossas ações. Não existe nenhuma picuinha no sentido de não colocar as bandas de CG nos eventos ou trazer CG para perto, pq MS tem tudo para ser parceiro. Eu seria míope se achasse certo limar CG porque tem uma rixa histórica entre estes dois estados. E ficar atento à necessidade de definir um programa de política pública para o MS.
Rodrigo ? Pablo várias coisas legais acontecem em MS na área cultural e até mesmo na política pública. Nós temos dois grandes festivais, o de Corumbá e de Bonito, que estão inseridos no calendário de festivais do país e do continente. O MS vai ser o primeiro estado do Brasil a definir como obrigatório, como matéria curricular, a arte regional do estado. To falando isso não é para falar se é pior ou melhor, mas para você ver que acontece muita coisa aqui também. Em relação à cena mais do rock e alternativa daqui realmente não conseguiu furar o bloqueio nacional, ainda está presa aqui mesmo e não consegue sair por diversos problemas e você falou vários deles. Mas, por exemplo, eu sinto que MS está maduro musicalmente, muito som rolando, tem muito artista e grupos e o que falta é encontrar este caminho de interagir com o Brasil, porque ta muito preso aqui. E na verdade o Vaguinho traz bandas para cá e agita aqui. Mas com certeza a questão também não é tornar isso uma panela mesmo…
Pablo ? O próprio da produtora dele é panela!
Rodrigo ? Calma…
Pablo ? Tudo com certeza até agora o único que fez algo para a relação de CG e Cuiabá foi o Vaguinho, mas sinceramente eu não posso deixar de criticar a forma que ele está conduzindo as coisas, porque eu quero que Campo Grande junto com a gente. E não consigo enxergar esta predisposição no Vaguinho. Até ele foi mala na tentativa dele de vir aqui para Cuiabá. Ele viu que tinha uma galera aqui em Cuiabá contra o nosso trabalho, viu q ngn vendia CD aqui, q iria ter respaldo de uma galera e se juntou com eles. O Vaguinho escrevia com pseudônimo no blog do Cubo falando mal da gente chamando o Cubo de A-Cubo. Eu fui lá na Rock Show uma vez e levei os comentários impressos para ele. Tipo ?a Panela está vindo aí!?
Rodrigo ? Como é a vendagem de CD em Cuiabá. Qual a banda que mais vendeu, por exemplo?
Pablo ? O Vanguart vendeu 700 cópias do EP que lançaram. Nossas bandas ainda não têm CDs. Este ano e no próximo que serão os anos de gravação. As bandas estão rodando o país, mas não gravaram CD.
Rodrigo ? Têm rádio para tocar as músicas das bandas daí?
Pablo ? A rádio aqui não apóia. Agora que estamos conseguindo estabelecer uma relação um pouco maior com as rádios locais.
Rodrigo ? Qual o valor do Fundo de Cultura de MT?
Pablo ? Pra tudo são 12 milhões. Seis milhões que a secretaria distribui do jeito que ela quer e outros seis milhões para a classe artística, sendo 600 mil só para a música.
Rodrigo ? Quanto custou o Calango este ano?
Pablo ? R$ 260 mil.
Rodrigo ? O Festival América do Sul fica em torno de quatro milhões sabia?
Pablo ? É uma diferença gigantesca. Mostra a incoerência do Vaguinho em dizer que Campo Grande não tem demanda para um festival como o Calango. Como se Cuiabá tivesse.
Rodrigo ? Mas falaram que o público do Calango este ano foi um fracasso. Como foi na real?
Pablo ? Ano passado a gente fez o festival com grana na conta e todo o processo de pré-produção foi tranqüilo. Mas este ano a gente fez o Calango completamente sem grana. A gente não tinha um puto na conta do festival. A grana q foi aprovada pela lei do incentivo só iria sair depois. E isso atrapalha nervosamente. Principalmente as questões estruturais, plano de mídia, tudo… E a gente mudou de local também. O ano passado no local que a gente fez a gente tinha uma sede dentro e possibilitava o acesso direto aos alunos todos os dias panfletando e andando no Campus. Mas o conselho-diretor da UFMT achou por bem não ter mais eventos lá este ano e tivemos de mudar. Isso com a falta de verba da pré-produção para ter um plano de mídia bacana com a mudança de local e naco possibilidade de contato com os alunos influenciou sensivelmente na perda de público do ano passado para este ano. Mas foram 1.400 pessoas primeiro dia, 2.800 no segundo e 1.200 no terceiro. Ta longe de ser um fracasso. E as respostas das bandas e produtores que vieram foram excelentes, com a maioria dizendo que a produção do evento foi primorosa com uma grande estrutura e um público que consome. Fora que tivemos eventos paralelos, como o Plasticalango nas artes plásticas, Comunicalango com jornalismo cultural, Calango em Cena com teatro… Quer dizer, estamos envolvidos não só com a música, mas com várias áreas que surjam novos multiplicadores nestes segmentos.
Rodrigo ? CG tem algumas rádios para tocar música alternativa. Vc vai mandar o material das bandas do Espaço Cubo?
Pablo ? Vai ser enviado para você.
Rodrigo ? E eu fico de mandar os discos aqui de Campo Grande.
Pablo ? Bacana.
Rodrigo ? Você nasceu onde?
Pablo ? Eu nasci em Cuiabá, mas minha família toda é de Dourados.
Rodrigo ? Você é primo do Capilé do Caximir?
Pablo ? Sim.
Rodrigo ? Poxa, você é mais um agente de MS infiltrado aí em Cuiabá então?
Pablo ? Isso mesmo.
Rodrigo ? Kkkkkkkkkkkkk.
Pablo ? Kkkkkkkkkkkkkk.
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Na montagem: Pablo Capilé (MT) e Vaguinho (MS)
A sessão BERRANTE NEWS aqui do Matula Cultural não pára!
Esta matéria é uma tréplica de Pablo Capilé a reportagem de Vaguinho publicada pelo Matula Cultural. Como o Pablo quis responder a Vaguinho e o blog tem como principal objetivo debater a cultura de todo o Centro-oeste, nada mais justo do que ‘abrir os microfones’ para a tréplica do coordenador do Festival Calango e Espaço Cubo.
Quem quiser entender melhor a questão, que envolve a cena independente de Cuiabá e Campo Grande, é fundamental ler a matéria de Eduardo Ferreira com Pablo, depois a entrevista com Vaguinho e por último esta aqui.
Eu tenho muitas considerações e reflexões que pretendo colocar em um artigo futuro. Por enquanto, preferi escutar as alegações de Pablo Capilé para entender o lado cuiabano da questão.
Vamos a entrevista!
Rodrigo Teixeira – O que deflagrou a discussão toda, não se foi mal colocado ou não foi isso que vc quis dizer, mas é a história do Vaguinho atrapalhar a cena. Então acho que a gente pode começar por aí.
Pablo Capilé – Não foi mal colocado não, pelo contrário. Eu conheço ele há uns três ou quatro anos. E foi uma das pessoas que primeiro tive contato. Quem me indicou ele foi o Ivan da Blecaute, que é do movimento metal de Cuiabá, e já havia feito algumas coisas com o pessoal de CG. No primeiro Calango a gente trouxe o Tadeu Valério, da Paradoxx, até de forma meio ingênuo, pq achava q o movimento ainda passava muito pelo eixo. Então para o segundo Festival Calango a idéia era tentar integrar a galera do Centro-oeste. E nessa uma das pessoas que ia vir era o Vaguinho, pq era uma das pessoas que a galera tinha indicação que trabalhava no MS. Na época a gente estava começando mesmo na movimentação e o Ivan deu o toque que tinha o Vaguinho e tudo mais. Nessa entrei em contato com o Vaguinho e ele falou da galera da Monstro, que ele já havia trampado e que seria uma boa também chamar e chamei. Para completar tinha q chamar alguém de Brasília tb e tinha vindo um cara de teatro q tinha banda em Brasília, me passou o contato do Xavier, peguei o contato do Ulisses e trouxe os para o Calango de 2003 naquela idéia de fazer a movimentação no Centro-oeste.
Rodrigo – Mas o Vaguinho ajudou então você nestes contatos iniciais.
Pablo – Operacionalmente, se ele ajudasse ou não, iria entrar em contato com esta galera. Numa tendência operacional do movimento. A Monstro está em Goiânia, o Porão em Brasília, alguém iria em determinado momento me colocar ou eu já ia entrar em contato operacionalmente, pq quanto mais o movimento aqui crescesse, mais iria tentar se vascularizar. O que aconteceu foi que naquele momento q eu estava na busca de alguém do Centro-oeste eu entrei em contato com o Vaguinho, eu ia continuar minhas pesquisas, mas neste meio tempo ele me deu o toque da Monstro. Mas ia chamar alguém de Brasília, Goiânia e Campo Grande. Quando começasse a buscar informações de Goiânia, quem iria achar de destaque ali seria a Monstro. Iria na internet, acharia o telefone dos caras e iria entrar em contato. Então para mim é muito forte ‘nós que colocamos o Pablo no circuito!’. Pq eu achava este telefone na internet. Era normal isso acontecer. ‘Colocar no circuito’ é muito trabalho.
Rodrigo – Mas o fato dele estar produzindo já há um tempo isso não ajudou? Ele ter te dado os toques, te indicado algumas pessoas e tal não é demérito nenhum.
Pablo – Não é. Mas o lance é que eu iria estar fazendo um grande festival aqui bancando tudo. É óbvio que a galera da Monstro ia vir, independentemente do contato do cara ou não. O contato do Porão, que era muito maior na época, não precisei de ninguém na interlocução. Liguei direto e o cara veio. Era de interesse da Monstro estar participando desta cadeia produtiva que estaria consumindo ele tb. Independe de quem fizesse esta ponte a coisa ia acontecer. Então é muito complicado, míope e pretensioso achar que colocou a gente no circuito.
Rodrigo – E porque você disse que ele não estava mais sendo parceiro e tinha chegado à conclusão que ele estava atrapalhando?
Pablo – Não é nem a questão de ser parceiro. Na verdade a gente começou a estabelecer alguns intercâmbios e aí ele coloca até que levou muito mais banda de Cuiabá do que a gente trouxe grupo de CG pra cá q é uma balela. Só este ano que ele conseguiu levar um pouco mais. Pq durante todo este período da nossa parceria sempre Cuiabá q foi trazendo mais bandas, principalmente para grandes eventos, o Astronauta Elvis, Impossíveis, o Leenux, Dimitri Pellz, tem outra banda q esqueço, mas a gente trouxe umas cinco ou seis bandas de CG. E fomos estabelecendo algumas parcerias de intercâmbio, sempre eu propondo para ele a gente tentar estabelecer uma parceria até um pouco maior, para mostrar em CG o q estava acontecendo em Cuiabá, discutir política pública mesmo, tentar um trabalho de pressão maior junto ao poder público, tentar fazer funcionar em conjunto os fóruns de música, distribuição em conjunto… Pensar a cadeia produtiva mesmo! E em determinado momento ele veio para Cuiabá e aqui ele foi se alinhavando no que existia contra nós. Pq na verdade a galera não conseguia entender como grupo político. Era tipo nós contra o monopólio do Espaço Cubo.
Rodrigo – O que está me parecendo, escutando todos falarem, é que você tem mais acesso ao secretário ou a secretaria de cultura e conseguem mais coisas q as outras pessoas. Pode ser por aí que você começa a incomodar os outros?
Pablo – Mas esta é a argumentação do preguiçoso. Para mim o Vaguinho é um grande de um preguiçoso. E muitos dos argumentos que ele usou na entrevista com você são argumentos de preguiçoso.
Rodrigo – Mas não foi nem ele, eu digo isso mais pelas pessoas de Cuiabá nos comentários!
Pablo – Mas qq um, pode me citar quais são os nomes que eu posso colocar para vc q cada um desses é preguiçoso. Por quê? Porque em uma terra de produtor de soja, onde o governador é o maior plantador de soja do mundo, não vai chegar lá, falar que vc é roqueiro, e q vc está movimentando a cultura alternativa e a cultura urbana e ele vai olhar para vc e dizer ‘q legal isso aí. Toma 100 mil reais para vc fazer o festival calango’. É impossível. Alguém que tem o mínimo de noção de realidade vai saber que pra gente ter conseguido este acesso a verba pública é pq a gente fez um trabalho de base. A gente vem trabalhando a quatro anos dentro do Fórum Permanente de Cultura, organizando o Fórum da música, colocando os músicos para debater políticas públicas e a gente foi se inserindo neste debate e conseguindo preencher determinados espaços que foram conquistando o apoio do poder público. Vc vai mostrando o que é uma cadeia produtiva, vai mostrando que gera emprego e renda e tudo isso é um trabalho muito difícil. Não é para qq um. Neguinho enxerga muito o umbigo. É legal organizar evento, levar a galera para assistir ao seu evento, mas na hora de discutir política pública neguinho fica chorando quem tem neguinho que capta mais verba do que outros.
Rodrigo – Vc não monopoliza as verbas então? A maioria não cai para você e o que cai é porque você conquistou. É isso que vc está falando?
Pablo – Não. Não é que eu conquistei. A cultura alternativa conquistou. Até então a verba pública aqui era para sertanejo e para rasqueado. A galera não entende que existem muitos objetivos comuns que o Espaço Cubo conseguiu conquistar para a cultura alternativa. Em primeiro lugar, não é um investimento no Espaço Cubo, mas cultura alternativa. O Espaço Cubo foi o primeiro aqui que conseguiu sensibilizar o poder público na necessidade de se investir na cultura urbana. Senão até hj a gente ia estar vendo investimento em Claudinho, Henrique e Pescuma e no máximo que iria vir para a cultura alternativa seria um cdzinho ou outro. O Festival Calango ganhou o status de maior festival do estado. Não é fácil vc transformar um estado de maior produtor de soja que sempre foi dominado pela música sertaneja num grande representante da música independente do rock’n roll e da cultura alternativa com um festival que é hoje o quarto maior festival independente do país. Então é miopia achar que a gente monopoliza a verba porque a verba vem para a cultura alternativa e todo mundo consegue usufruir do reflexo do investimento disso que acontece.
Rodrigo – Aqui no MS a gente tem uma discussão grande em termos do Fundo de Investimento a Cultura e sempre tem esta gritaria que uns conseguem mais que outros… Você acha que neste sentido então existe uma discussão pública que consegue distribuir a renda de maneira legal?
Pablo – Acho que existe um avanço gradativo na forma que os conselheiros atuam hoje dentro do Conselho Estadual de Cultura. Até quatro anos atrás os conselhos eram muito corporativistas e fisiologistas. Nas últimas eleições a gente conseguiu, dentro de um processo dialético com toda a classe cultural, colocar conselheiros que eram bem mais progressistas que os anteriores. Falta em Cuiabá é disposição das pessoas elaborarem bons projetos e fazer com que estes bons projetos sejam assimilados pelo poder público e pela sociedade civil organizada. Não adianta vc só escrever um projetinho, mandar lá e achar que a coisa toda vai acontecer. Tem que ter um histórico bacana de ações promovidas no cenário e ir conquistando espaço para mostrar a importância do poder público estar investindo.
Rodrigo – Você está pedindo uma profissionalização maior de todo mundo. Ser mais profissional.
Pablo – Todo mundo que trabalha em qq segmento do setor cultural tem que pensar em planejamento e gestão, independe pra onde vc quer partir. Principalmente com o poder público. Pq ai vc vai estar utilizando mal aquilo q é público. Tem que estar cada vez mais planejado e ter uma gestão que se vasculariza muito. Porque a gestão do Espaço Cubo não morre no Espaço Cubo. Hoje a gente já conseguiu encabeçar o circuito fora do eixo que envolve mais de 10 estados. O Espaço Cubo já vem conseguindo ser exemplo para movimentações no Acre, Amapá, Pará, Amazonas, Tocantins, Goiânia… Em uma série de estados que hoje eu posso passar o contato de cada um dos organizadores que eles vão te falar como q a gestão do Espaço Cubo conseguiu fazer com que eles se antenassem para determinadas questões que eles tinham de desenvolver nas suas cenas e hj todo mundo está conseguindo se integrar muito mais. Todo o investimento do poder público lá no Calango facilitou nervosamente o surgimento do circuito fora do eixo. A contrapartida que a gente traz para o poder público também é bem grande. Hoje a cena cuiabana ela é extremamente pulsante. Nós temos o Vanguart, uma banda de Cuiabá, indicada para o VMB e recebendo propostas de gravadoras do país inteiro. Temos o Macaco Bong, o Revoltz, o Fooghes rodando o país! São quatro bandas que já estão dentro do circuito. É difícil vc ter um estado tão longínquo com quatro bandas no circuito. Goiânia que está com seis ou sete bandas no circuito, mas está no 12º Goiânia Noise e nós estamos no 4º Calango apenas. Então os trabalhos que foram desenvolvidos nestes 4 anos foram fundamentais para esta coisa toda acontecer. para a banda ter uma estrutura q pudesse impulsioná-la para ela poder fazer este circuito. E para que surgisse tb um circuito integrado de estados, principalmente do Centro-oeste e do Norte. E é neste momento q eu falo que a galera de MS é sim acomodada e é sim muito preguiçosa, porque não sou que tenho que ficar buscando MS se já estou conseguindo me integrar com 10 estados. Nós estamos aqui do lado e como que MS não busca MT sabendo que MT está com uma política de cadeia produtiva muito mais avançada e conseguindo se vascularizar por uma série de estados do país. E o Vaguinho, sendo o grande contato do MS fora do MS em relação a cena independente, ou ele está fechando o olho para isso para ser protecionista e manter a cena envolvida que é o método dele ou ele é muito míope que não consegue enxergar a necessidade de MS buscar estes outros estados para conseguir se integrar nesta cadeia tb. Então o momento que eu falo q ele está atrapalhando é no momento q ele não está conseguindo fazer com que a galera aí visualize a necessidade se integrar com esta movimentação. Ele como uma das lideranças deste movimento aí teria de ser o primeiro a alertar a galera da necessidade de estar se integrando. Por que se a gente consegue se vascularizar com 10 estados e naum consegue trocar com CG e CG não troca com ngn. Quem está pensando mais coletivo? Quem que está preocupado com picuinha? Não sou eu, que hoje consigo estar na Abrafin – Associação Brasileira dos Festivais Independentes, e estamos envolvidos com tantos festivais e todos integrados juntos.
Rodrigo – O contato que você tinha aqui, que era o Vaguinho, não funcionou então?
Pablo – O único contato que se pré-dispôs a desenvolver ações conjuntas com a gente foi o Vagner. Era o contato que eu tinha em CG. E a movimentação está aí. Nós temos vários veículos de comunicação que mostram esta movimentação acontecendo. Nós temos orkut, nós temos email, a internet q facilita tudo e nenhum outro produtor da cultura alternativa de Campo Grande buscou estar querendo se inserir nesta movimentação. Então se eu só to conseguindo enxergar o Vaguinho é o contato direto e morou aqui em Cuiabá e estava vendo tudo… pq ele era um cara que acessava o blog todos os dias e sabia como a coisa estava acontecendo. Ele se alinhavou com quem não concordava com alguns alguns projetos que a gente desenvolvia e preferiu não abrir estas portas para a galera de CG entender a necessidade de se integrar.
Rodrigo – Mas te confirmo que não rolou nenhuma notícia do Festival Calango em CG. Nem nos sites, nem no Correio do Estado, q é o principal, pq sei de pessoas que iriam atrás do Calango. Acho que vc está coberto de razão, mas te informo que o festival não rolou em mídia nenhuma aqui…
Pablo – Não rolou o Calango na mídia alternativa lá em Teresina, no Piauí, e recebemos material de Teresina. Sergipe a mesma coisa. Então se as pessoas não se predisporem de participar desta cadeia produtiva e ficar esperando que a informação chegue nelas é complicado. Tinha matéria do Calango no Senhor F, no Trama Virtual, na Dynamite, no Espaço Cubo bog e em tudo quanto é lugar. Tem vários sites que são acessados por todos que querem se atualizar. Se a galera de CG não conseguiu enxergar que o Festival Calango iria estar rolando é muita preguiça! Pq de Sergipe conseguiu ver e neguinho que mora há 600 km daqui e um cara que morou aqui e sabia as datas. Eu discuti calendário com o Vaguinho sentado em uma mesa do Chopão. Ele sabia q o Festival Calango ia estar rolando, das prévias e tudo mais. Então se a pessoa q estava aqui não conseguiu transmitir a idéia aí e se a galera de CG não conseguiu enxergar que a coisa estava rolando é muito complicado.
Rodrigo – Mas Pablo, mas vou te pedir de que no próximo Calango vc amarre isso não só com o Vaguinho. Por que tem muita banda aqui, que não necessariamente são do metie do Vaguinho, como Olho de Gato, Filho dos Livres, Bêbados Habilidosos, Cabaleros, Falange da Rima…
Pablo – Eu imagino que tenha mesmo. Mas como em outros estados estamos sempre abertos aos produtores dos estados estarem buscando a nossa movimentação. E tentamos… buscar estes produtores, mas é difícil. Mas CG já poderia estar buscando uma proximidade muito maior com o que acontece aqui em MT. Estava pensando quando li a entrevista do Vaguinho. Tipo falar que a cena de CG é muito mais quente pq tem balada de quinta a domingo é outro grande equívoco. Pq a balada de quinta a domingo é conseqüência, não é a causa. Para ter uma cena que realmente pulsa tem que ter um trabalho de base. O que adianta vc ter uma cena de quinta a domingo se esta cena não consegue trocar com o que está acontecendo de melhor na música independente nacional? Hoje a nova cara da música brasileira passa pelos festivais independentes. Há anos que você não vê uma banda de CG participando dos festivais independentes.
Rodrigo – Mas não é porque não está no festival que é ruim.
Pablo – Não estou falando que é ruim. Mas o que adianta a boa ser boa se ela não sabe se distribuir. Participar de festival é processo de distribuição e circulação. Não adianta ser bom e tocar só para o público de Campo Grande. Dentro deste processo de integração de cadeia produtiva pensar que uma banda boa tem que ficar tocando só em CG. É mesma coisa o Vanguart só ficar emn Cuiabá. Não to falando que as bandas são ruins não. To falando que a preguiça faz com que os produtores não consigam visualizar. Pq a única justificativa que tenho para isso é preguiça. É não querer se antenar mais, se dedicar mais. Pq se você se dedicar um pouquinho mais, você vai ver o tanto que Campo Grande está atrás de outros cenários do país. Pode ter uma cena rolando legal e pá, mas não consegue se articular. A última banda que tocou em festival independente foi o Astronauta Elvis no Goiania Noise há anos atrás…
Rodrigo – O Bando do Velho Jack lá no Bananada este ano!
Pablo – Certo, mas o Bando é como a Strauss aqui. É uma banda que não dá para vc falar que está partindo do processo de renovação. Em Cuiabá nós temos cinco bandas no circuito, sendo que são grupos nem de 2 anos de estrada. O Bando tem 15 anos, 16 anos, já era para estar participando destes festivais há muito mais tempos. Depois de 16 anos de banda que foram tocar no Bananada.
Rodrigo – O pessoal é lentinho aqui mesmo… rsss Mas estava pensando agora. Para o Festival América do Sul nós recebemos inscrições de quase ninguém também de Cuiabá. E não é pq não recebeu que vocês são preguiçosos. Pode ser tenha algo neste link aí que esteja errado mesmo.
Pablo – Mas se vocês não tivessem tocado em Cuiabá, mas tivesse tocado em qualquer outro, o MADA, eu não ia chamar vocês de preguiçosos. Uma coisa é uma cena que está tocando em Natal, no sergipe, no Rio Grande do Norte, Pará, Acre, Amazonas, Tocantins e outra é uma cena que não sai daí. Não é pq eu nçao mandei material para vocês q eu sou preguiçoso mesmo, mas se eu não tivesse mandado nem pra vocês e nem pra ninguém, com certeza eu iria aceitar a capa de que estou pensando pouco na história, não to conseguindo enxergar o que está acontecendo no Brasil inteiro e como que tem quase uma década que uma banda nova nossa não toca em um festival independente. Tipo, eu adoro o Bando, acho uma puta banda e nem quero desmerecer o trabalho dos caras, mas tipo tantos anos depois de banda é foda vc falar de perspectivas futuras de uma banda como O Bando. Para estar no circuito, rodar o país… não existe renovação? É uma diferença gritante para Cuiabá. Além de falar do circuito fora do eixo. Como que a galera de CG não conseguiu assimilar a existencia do circuito fora do eixo? Mato Grosso do Sul não está no circuito nacional. Isto é fato. As coisas não estão saindo do MS, as bandas não estão conseguindo circular, o estado não consegue se vascularizar. E na hora que eu coloquei que o Vagner atrapalhava é que ele se coloca como articulador de MS nos intercâmbios dos outros estados. E se ele se coloca como este articulador nos outros estados ele não está fazendo que a galera de MS visualize o quão as bandas poderiam estar em outro estágio se conseguissem enxergar a movimentação que está rolando. E ele faz pensar que o que está rolando aí já está bom e que Cuiabá que não é legal. E isso é miopia tremenda e na hora que a galera acordar e ver o tanto que Cuiabá está na frente, no sentido de conseguir se integrar e isso impulsione a cena cuiabana 10, 15, 20 bandas nos próximos anos e que este quinta a domingo de MS não vai fazer com que ninguém saia além do Bando do Velho Jack q tem 20 anos a galera vai entender o porque que o Vaguinho atrapalha.
Rodrigo – Qual as próximas ações do Espaço Cubo?
Pablo – Tem o Grito Rock, um simpósio de comunicação alternativa, tem o filme da Lenita que é feito pelo Próxima Cena, q é nosso grupo de apoio ao audiovisual, oficinas e workshops relacionados a Volume que nosso grupo de apoio a música… Estamos consolidando cada vez mais o Cubo Cards, agitando um trabalho de sistematização dele pós-calango para a gente conseguir q ele vá cada vez mais para a rua e consiga fazer girar todo este processo de cadeia produtiva q temos aqui. Outra coisa é tentar achar outros multiplicadores em Campo Grande que possam estar participando destas ações junto. A gente total interesse de CG estar no circuito.
Clique AQUI para a Parte II da entrevista com Pablo Capilé
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Vaguinho, dez anos de rock-sul-mato-grossense na Panela Eventos
O Vaguinho estava me esperando em frente a Rock Show. Cheguei umas sete horas e rumamos para a Feira Central de Campo Grande. Fomos comer espetinho de filé com mandioca amarela derretendo e tomar umas cervas para embalar o principal: a entrevista! Conhecia o Vaguinho de cruzar em vários bares, em shows, na loja do Bosco… Mas e aí, você pergunta? Aí que estava lendo a matéria aqui no Overmundo de meu amigo-músico-overmano-cuiabano Eduardo Ferreira sobre o produtor do Festival Calango, Pablo Capilé, e eis que surge o nome de Vaguinho na última resposta da entrevista. Sabia que ele produzia shows aqui, trazia bandas e que, sim, estava com uma ligação forte com o pessoal de Cuiabá. Resolvi que era preciso que ele respondesse as afirmações de Pablo. Ao ser questionado o motivo de não ter nenhuma atração de Mato Grosso do Sul na programação ?nacional? do Calango, o cuiabano disse: ?De Mato Grosso do Sul nenhuma banda mandou material, não nos procura, eu não sei o que acontece. Tenho uma leitura hoje, que é o seguinte. O Vaguinho atrapalha a movimentação, acreditava que ele era o cara, mas hoje já acho que ele atrapalha! Ele é um cara que centralizou muito nele a coisa toda ali, é pouquíssimo estratégico, pouco ágil, então acabou que viciou o pensamento da cena naqueles poucos contatos que ele tem. Ele é até bem intencionado, só que acaba por ser um cara só, não sabendo abrir pra novas pessoas que possam fazer daquela cena uma cena forte, porque eles têm condições de serem muito maiores que a gente!?
Vaguinho passava então de parceiro a ?atrapalhador?, desfazendo a imagem que Pablo vendia em entrevistas em 2005, tipo: ?Quem trouxe o Guitar Wolf foi um outro parceiro nosso, o Vaguinho, lá de Campo Grande. Foi aí que os caras do Autoramas conheceram os japas furiosos e dali surgiu à parceria que os levou para a turnê no Japão. Essa ação foi idealizada pela Panela, que também organiza uma série de eventos no Centro-Oeste, entre eles o Setembro Rock, que no ano passado trouxe ao Brasil a Margaret Doll Rod, um dos ícones do rock de Detroit, que tocou com a banda cuiabana Donalua. O Cubo e a Panela trarão outra atração gringa nesse segundo semestre, mas ainda não podemos divulgar nada. Garanto apenas que o Mercosul estará integrado mais rápido que imaginam!?. Pois é! Mas além de Vaguinho, a cena de Campo Grande foi menosprezada pelo calango-figura: ?Como que Cuiabá consegue dar um banho em Campo Grande?! Você não vê banda tocando em Campo Grande, não vê festival em Campo Grande, e lá eles curtem muito mais que a gente, a galera que organiza é tudo rock’n roll, curte a parada! O público curte mais que o nosso ainda, é um público mais indie… queria trazer talvez o Dimitri Pellz, mas não é uma banda que representaria Campo Grande?.
Bom aí, eu já fiquei interessado em questionar a cena roqueira de Campo Grande com quem está metido até o pescoço com este troço. Logo que encontrei Vaguinho e ele me deu um fly. No dia 19 de agosto, sábado, último dia de Festival Calango, estava marcada mais uma produção do Panela Eventos de Vaguinho. Provavelmente, lotando com umas mil pessoas o Café Moinho. Seis bandas de Campo Grande, inclusive com o retorno do Astronauta Elvis (banda de Vaguinho), e uma atração paulistana, o Level Nine. No canto inferior esquerdo do Fly, um vem aí: Glória (SP) e Vagazos, banda punk da Argentina. O discurso de Pablo que aqui em Campo Grande não rolava shows, bandas de outros estados e que Cuiabá dava um banho não estava encaixando. Algo não está batendo nesta história!
Só sei que um dia depois que a matéria estava postado no Overmundo, o comentário de músicos de Cuiabá começavam a chegar direcionados a Pablo Capilé, que retrucou sem papas na língua: ?O Espaço Cubo é um projeto tão visceral e orgânico que até para unir a escória ele serviu!?. Eu, que tô nessa de roquenroll há 20 anos, passei por inúmeras bandas, aqui, em Sampa, no Rio e conheci músicos pancadas de todos os lugares, sei que o verdadeiro roqueiro incomoda, não ofende. É grande a diferença!
Além de tocar a Panela Eventos (tem comunidade no Orkut), o Na Lata Zine e comandar o selo Cães de Aluguel Records, ele está articulando uma banda de Jovem Guarda e integra os grupos Impossíveis, Astronauta Elvis e a Unpunked. Quem quiser ficar por dentro de tudo o que o Vaguinho vai falar durante a entrevista vale uma chegada no www.fotolog.net/panela_eventos e www.cgzine.blogger.com.br.
Chega de blábláblá e vamos a entrevista do guitarrista e produtor Vagner Martins, o Vaguinho, de 32 anos, que falou não só de Pablo Capilé/Cuiabá, mas da cena musical de Campo Grande e Goiânia!
Rodrigo ? Como começou a sua história aqui com a música de MS?
Vaguinho ? Eu comecei aqui em Campo Grande em 1993. Montamos uma banda de punk chamada Impossíveis. Em 1996, eu montei a Panela Eventos, que está completando 10 anos. Decidi montar a Panela porque a cena em Campo Grande de 1993 a 1996 era muito metal e blues. Então começamos a produzir os eventos para promover a banda.
Rodrigo ? Nesta época então a cena em Campo Grande ainda não era diversificada?
Vaguinho ? Era muito dividida. Metal pra lá, blues e rock?n roll pra cá e por aí… Estão começamos desbravando os lugares. Na UCE, colégio Joaquim Murtinho, Clube Campestre Ipê, Edgar Bar… Em 1997, começamos os intercâmbios com bandas e trazer grupos de fora. Uma das bandas que a gente trouxe foi o GTW de Cuiabá, que era uma das bandas mais expressivas da cena na época. Em 1997 então começou este intercâmbio entre Mato Grosso do Sul com Mato Grosso e Goiás. Trouxemos também o Bloqueio Mental, de Cuiabá também, e o Mechanics, que é de um dos cabeças da Monstro Discos, do Márcio Jr. Inclusive o Mechanics tinha acabado de ganhar o Skol Rock etapa Goiânia… Em 1997, a gente deu também um puta passo porque a Miska fazia o Som do Mato e pedimos para colocar bandas de rock para fazer também. Aí abriram o espaço de um bloco para cinco bandas. Cada banda gravava 2 músicas e ótimo. E este material da TVE do Som do Mato que deu origem à primeira gravação das bandas daqui e começamos a lançar fitinhas. Em 1997 começamos a trabalhar mais organizadamente, mas o negócio vem desde 1993, quando o pessoal começou a se unir mesmo. Em 1998, começamos a estender nossos intercâmbios. São Paulo, Distrito Federal…
Rodrigo ? Mas como funcionava este intercâmbio?
Vaguinho ? Tinha muito esta coisa de vc me traz e eu te levo. Mas quando chegava aqui o buraco era mais embaixo. O cara tocava, ia embora e ficava por isso mesmo. Não rolava deles levarem a gente para lá, só o inverso. Aí em 1999 foi o ano dos Impossíveis colher os frutos. A gente foi participar de shows fora do estado, com O Bando do Velho Jack no Goiânia Moto Show, tocamos em Cuiabá três anos depois de ter trazido os cuiabanos para cá, fomos para o interior de São Paulo e interior de MS. Mas a questão é que não temos a preocupação de fazer em Campo Grande um grande festival de rock independente.
Rodrigo ? Por quê não?
Vaguinho ? A nossa visão é diferente. Nós temos shows aqui o mês inteiro, porque nós temos vários bares aqui e temos bandas. Em vez de fazer um festival aqui trazendo 40 bandas em um único fim de semana e isso me custaria muito caro e teria q ir atrás de patrocínio da prefeitura e governo, que é muito trabalhoso. Prefiro dividir os shows nos finais de semana.
Rodrigo ? Mas não vem tanta banda de fora.
Vaguinho ? Vem pra cá sim. Hoje Campo Grande está dentro do cenário. Trouxemos Guitar Wolf, do Japão, para tocar em um evento aqui em 2001. Em 2004 trouxemos Margareth Doll Rod dos EUA, que foi quando a gente trouxe o Donalua, que é a banda do Pablo e outras bandas de fora no mesmo evento. Nós temos hoje um evento, que se chama Setembro Rock, q não é um festival, mas está em sua oitava edição e nem se compara com os grandes festivais, porque é uma produção de custo baixo. A gente simplesmente pega um bar e faz todos os sábados do mês com uma atração grande de fora, uma atração de um estado próximo e bandas locais tocando. Então eu prefiro fazer mais shows em vários momentos a concentrar tudo em um festival.
Rodrigo ? Mas não seria interessante ter os dois? Os eventos e um festival também?
Vaguinho ? Hoje é o seguinte. Eu concentrei na questão de manter uma cena. Porque se você se concentra no festival, o festival vai tomar muito tempo. Porque para produzir um festival é no mínimo de 4 a 6 meses para concretizar. E aí a cena dá uma estagnada. Que nem acontece com o Festival Calango. Este ano eles mudaram o foco deles e o número de bandas regrediu em relação aos outros festivais. Só não participei da primeira edição do Calango, porque sempre estive presente nas outras. Até para ver como é que funcionava e se Campo Grande comportaria um festival tipo o Calango. E acho que não comporta um festival assim.
Rodrigo ? Por que não?
Vaguinho ? São vários fatores que envolvem. Ter uma pessoa para captação de recurso, porque não dá para cobrar um ingresso tipo R$ 10 ou R$ 15. E para cobrar menos que isso é preciso de um patrocínio maior. Para mim não compensa. Prefiro eventos menores, mas que sempre tenha eventos, do que parar tudo para me concentrar em um festival. É a minha visão. Campo Grande tem vários lugares para ir, bandas de fora vem tocar, então não precisa de um festival.
Rodrigo ? Como você compararia então a cena de Campo Grande com a de Cuiabá?
Vaguinho ? Morei em Cuiabá entre 2005 e 2006. Tinha sábado que ia dormir às 9 da noite porque não tinha onde ir. Aqui em Campo Grande se você quiser sair de quinta a domingo, pra quem gosta de rock?n roll, você sai. O pessoal lá se concentra muito no Festival Calango e esquece o resto do ano. É que nem Brasília. Tudo gira em torno do Porão do Rock, que é o maior festival que eles fazem e hoje virou algo mais comercial e fugiu completamente da postura inicial do evento. Vai saber se a maioria das bandas que estão lá não foi indicada. Então, às vezes você faz um evento e acaba que tendo que ceder.
Rodrigo ? Você acredita que a nossa cena é mais quente que a de Cuiabá?
Vaguinho ? Completamente. Totalmente. Isso há 10 anos. Hoje se você quiser sair de quinta a domingo para curtir rock tem opção de vários bares. Nós temos uma loja de rock que está completando 20 anos que é a Rock Show.
Rodrigo ? Mas por que as bandas de MS não estão presentes nos festivais independentes de rock que rola pelo Brasil afora?
Vaguinho ? Mas é complicado ir para estes festivais, porque ninguém quer pagar para você ir. Por isso, nem todas as bandas se interessam. Agora, todo mundo quer vir para Campo Grande e quer que a gente banque a vinda deles. E eu agora só vou trazer banda para cá e se forem me levar para lá depois. Senão, contrato uma banda, pago o cachê dela porque eu sei que vai me dar resultado. E ela não tem obrigação nenhuma comigo.
Rodrigo ? E estes festivais não têm passagem para as bandas?
Vaguinho ? A maioria não tem. E não é todo mundo que tem condições de bancar passagem. Cada um tem seus compromissos.
Rodrigo ? Mas Vaguinho, o que aconteceu com você em Cuiabá? Por que o Pablo, em 2005, ele falava que você era parceiro. E agora em 2006, disse que você atrapalha mais que ajuda. O que está rolando afinal?
Vaguinho ? Eu não posso dizer o que se passa na cabeça dele. É difícil falar do Pablo.
Rodrigo ? Por quê?
Vaguinho ? Ele quer que todo mundo fique do lado dele e ele ser o coordenador geral de tudo que está rolando. Mas só que quem colocou ele no esquema dos festivais foi a Panela. A gente o apresentou à Monstro Discos e automaticamente ele conheceu o Porão do Rock. Então quando ele foi para estes festivais ele viu que para o festival dele melhorar faltava muita coisa. Eu já nem me iludia em querer fazer um festival, depois que comecei a ver como é que funcionavam estes eventos. Tipo vou fazer um Goiânia Noise em Campo Grande. Mas o Pablo quer ter um festival tão grande como estes aí. Ele quer que Cuiabá entre no circuito.
Rodrigo ? Mas ele te tirando de parceiro não é pior para ele? Acho que aconteceu algo mais aí nesta relação de vocês.
Vaguinho ? O problema é que quando você não serve mais para a pessoa, a pessoa tende a te descartar. Tipo: ?já tenho o que precisava saber e tal?. Mas sou um cara mais pacificador e o mundo dá voltas.
Rodrigo ? Mas você é uma ameaça pro Pablo em termos de produção? Tipo pegar uma banda de Cuiabá para produzir que o Pablo estava envolvido ou algo assim.
Vaguinho ? Não, porque trouxe mais bandas de Cuiabá do que ele levou daqui para lá. Quase ninguém daqui toca lá. Para dizer a verdade, trouxe quase 80% das bandas que existem lá para Campo Grande. Mas no começo a gente era parceiro de intercâmbio, integração. Só que o Pablo começou a se queimar com algumas pessoas.
Rodrigo ? Por que você acha então que o Pablo falou em picuinha do povo daqui em relação aos cuiabanos?
Vaguinho ? Em Cuiabá tem muito este lance de disse-me-disse. Aqui em Campo Grande não tenho briga com ninguém de metal, blues, pagode, sertanejo… Converso com todo mundo. Agora chega em Cuiabá e pergunta: ?Você conhece o Pablo??. 70% das pessoas envolvidas com a música da cidade vão falar mal dele e 30% vão preferir não dizer nada. Quer dizer! Não critico o trabalho dele, até acho que ele faz bem, só que notei que em Cuiabá as pessoas tendem a cobrar muito de você. Porque quando cheguei em Cuiabá para montar a Rock Show o que aconteceu? Veio o Pablo e me perguntou de que lado estava? Veio a Ascum e fez o mesmo. Amostra Grátis a mesma coisa. Então lá é tipo. Se tô com Pablo não to com ninguém. Se estou com a Amostra Grátis não to com Pablo e Ascum e por aí vai. É tudo muito dividido. Todo mundo falando mal de todo mundo. Aqui em Campo Grande não tem disso.
Rodrigo ? E quando o Pablo fala que você centraliza demais e não dá o toque dos eventos para o resto das bandas de Campo Grande?
Vaguinho ? Ele acha que não passo as informações dos festivais. Mas não vou ficar ligando de banda em banda para falar que vai rolar festival em Cuiabá. Simplesmente posto, coloco na Rock Show, deixo em alguns bares e se alguém se interessar vai atrás. Se ninguém mandou é porque ninguém se interessou. Só isso. De repente não acharam que fosse um festival tão vantajoso assim para participar. Então não vão. Só que Campo Grande está muito à frente de Cuiabá. Muito mesmo.
Rodrigo ? Por que?
Vaguinho ? Campo Grande prefere ser uma Porto Alegre. Tipo, ninguém sabe o que rola, mas rola coisas legais. Não se sabe o que acontece em PoA, mas quando você vai lá, vê que tem muitas coisas legais. O governo, a prefeitura, as empresas apóiam e tem muita boa que nem precisa sair de lá e que tem muito público. É o caso do Filho dos Livres, por exemplo, que esgotam os discos deles, é o CD mais vendido em todas as lojas, o público dos caras é grande, o repertorio só de músicas deles… E outras bandas, como Olho de Gato, Bêbados Habilidosos e Bando têm isso também. Goiânia, por exemplo, produz muitas bandas boas para excelente. Os músicos são muito criativos. Porque eles são vivenciados. São uns caras que procuram saber das coisas e consomem.
Rodrigo ? E a Monstro Discos? É uma gravadora que ainda a maioria não conhece por aqui, apesar da proximidade com Goiás.
Vaguinho ? A Monstro começou um ano antes da Panela Eventos. Em 1995. Então a gente mantém este intercâmbio há muito tempo e vimos ela crescer e se tornar o que é hoje. Não sei se pelo fato dela estar do lado de Brasília, a capital do país e muita gente tem uma visão diferente de Goiânia do que tem de Campo Grande. Nós aqui somos total matão para os paulistanos. Tipo o Pantanal ser na cidade. Mas Goiânia é um berço do sertanejo também e mesmo assim o rock tem oxigênio. Todos os festivais de rock lá são lotados e as bandas mandam material mesmo para participar. As próprias gravadoras e imprensa se voltaram para eles. Mas foi de modo natural. E hoje a imprensa pede para ir para lá.
Rodrigo ? Mas já têm bandas aqui que estão caindo de madura e mais do que preparadas. Um exemplo é o Bêbados. Por que o Bêbados não está nos principais festivais de blues do país?
Vaguinho ? O Bêbados faltava um produtor. Agora estou trabalhando com eles. O primeiro disco deles saiu porque eu fui lá e fiz toda a correria, montei o projeto e foi aprovado pela lei de incentivo à cultura. Saiu o disco, vendeu pacas, as críticas foram excelentes… Muito bom. Eles acabaram de tocar em Cuiabá, num lugar pequeno, mas deu uma repercussão boa. O lance é que Cuiabá tem um problema. Não tem lugar para fazer show. Posso falar da cena de Cuiabá porque estive lá por quase um ano. Só que ninguém pode falar de Campo Grande porque ninguém veio passar um tempo aqui. Quando isso acontecer vou respeitar quando eles disserem que em Campo Grande não tem rock. Fui lá, montei a loja, fiz três shows lotados, o público de lá é sedento por rock mesmo, a molecada vai mesmo e consome. Mas lá um grupo faz um show agora e só daqui a três meses faz outro. Aí não rola.
Rodrigo ? Você fechou com a cuiabana Revoltz?
Vaguinho ? Não precisamente. A Revoltz é parceira antiga. O Ricardo Kudla, que é o responsável pela banda, vai estar lançando o novo disco e nós vamos estar envolvidos nisso.
Rodrigo ? Isso pode ter incomodado o Pablo e pode ter sido o motivo dele estar te alfinetando?
Vaguinho ? O motivo dele é não ter o que fazer. Só não falo para ele vir para Campo Grande ver o que rola e ficar um ano porque a minha casa não cabe.
Rodrigo ? Ele disse que Cuiabá dá um banho em Campo Grande e que o Dimitri Pellz não representa a cidade.
Vaguinho ? Na verdade é o seguinte. O Dimitri Pellz ia tocar no Grito Rock. Só que ele ofereceu pros caras eles viajarem por conta e ser o primeiro a tocar. Quer dizer. Você viaja 10 horas e vai tocar para ninguém porque é abertura. Para compensar o esforço da banda ir para lá, o mínimo é colocar em um horário legal. As bandas locais que estão começando curtiriam abrir. Então é preferível nem ir. Eles não se inscreveram no Calango porque o material da banda está sendo finalizado. Mas não precisava nem se inscrever. Porque nós já trouxemos diversas bandas de Cuiabá para cá e só por indicação. Já o meu esquema com a Monstro é diferente. Banda daqui que vai para lá por conta tocar em festival, quando fizer um festival, a banda de lá vai vir por conta também. Mas fora os festivais, se fizer uma banda de lá vir para cá, quando for o inverso, eles vão fazer o mesmo. Isso é parceria.
Rodrigo ? Quais as bandas de Campo Grande que você acha que pode virar?
Vaguinho ? O Dimitri Pellz promete. O próprio Astronauta q vai voltar com pique legal. Tem a DxDxOx (Dor De Ouvido), que pouca gente conhece, mas que tem material lançado no Japão, Finlândia e Europa. Agora pergunto: que banda de Cuiabá tem material lançado nestes países? Nenhuma. Temos bandas embaladas e o Pablo fica falando que não rola nada.
Rodrigo ? E o seu selo em que pé está?
Vaguinho ? Já lançamos o CD dos Impossíveis, O Bando do Velho Jack que é uma gravação com o Alex Batata, que foi o primeiro vocalista, lancei os 2 discos do Bêbados Habilidosos e estamos negociando o Dimitri Pellz e o Astronauta Elvis. Tenho uma distribuição irrisória, mas faço bem feito no que me proponho. Como trabalhei com o Bosco 10 anos consegui bons contatos.
Rodrigo ? Em Cuiabá tem associações de músicos?
Vaguinho ? Não sei se tem. Mas se tiver, com certeza, é a Espaço Cubo que vai montar, porque o Pablo quer ter tudo em volta dele. Quer ter o Cubo Card, o Cubo Ensaio, Cubo não sei o que e, na verdade, nada disso funciona.
Rodrigo ? Vamos fazer então o Festival Paz e Amor Cuiabá-Campo Grande?
Vaguinho ? Vamos sim… mas em Cuiabá! Não tenho nada contra o Pablo, a gente conversa, mas este negócio de ficar falando mal daqui é de quem não tem o que fazer. E esta briga vem desde a divisão de estado. E percebi isso lá, porque era um campo-grandense em uma cidade de cuiabano. E muitas vezes na loja não ia cliente porque era de um campo-grandense.
Rodrigo ? Algum recado pro seu amigo Pablo?
Vaguinho – Em homenagem ao rock campo-grandense foi lançado o livro Deitar e Rolar, nome de uma música dos Impossíveis, uma conclusão de curso de jornalismo de 2004. E a história do rock de Campo Grande vem desde anos 60, com o Miguelito e os Mini-Boys. Então não é uma história que começou há 3 anos com o Espaço Cubo em Cuiabá. Aqui o rock rola faz tempo!
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Márcio Armoa toca guitarra e flerta com o vocalista da The Rockfellller que pode virar Terra Imaginária!
Gosto das coisas que rolam naturalmente. E é o que acontece aqui neste instante. De uma conversa empolgada com meu amigo Márcio Armoa (guitarrista das bandas Rockfeller-Terra Imaginária e Tabacos Rip e jornalista) veio a idéia desta sessão: CONVERSA DE MSN. Como indivíduo internético já havia percebido que as pessoas, digamos, se soltam um pouco mais da conta pelo emeesseene. Agora como entrevistador-jornalista preciso aprender a lidar com esta ferramenta hehehehe!
Aqui a necessidade de ir direto ao assunto resulta em frases de impacto, bem ao gosto dos coleguinhas do impresso. Um papo q começou sem maiores intenções, descambou para uma análise da cena da música de MS e, o principal, acabou com as impressões de Márcio Armoa sobre a polca-rock. Ele insiste em uma suposta rejeição da maioria dos músicos do estado de MS quando Jerry Espíndola surpreendeu (a mim não) a todos quando empunhou a bandeira da polca-rock! Para ele, queimou o filme! Ou pelo menos ‘tostou a ponta da polca-rock‘. Será???
Melhor ainda são as dicas de pontos alternativos de shows na cidade e as bandas q ele cita, reclamando que muitas têm destaque fora do estado e que nada se fala por este lado do centro-faroeste do Brasil. Ainda reclama da egotripe burguesa dos músicos de CG, que preferem tocar na confortável Concha do Parque dos Poderes do que enfrentar a poeira da periferia da Capital. O engraçado é q Márcio está com material meu para um videoclipe. Depois dele inaugurar, sem querer, o CONVERSA DE MSN, minha impressão é que vai demorar para sair. Kkkkkkkkkk
CONVERSA DE MSN ? 01 ? MÁRCIO ARMOA
… Campo Grande (MS), umas 16h…
Rodrigo Teixeira: diz:
marcião
Rodrigo Teixeira: diz:
deixa pergunta una cosita
Marcio Armoa diz:
diga
Rodrigo Teixeira: diz:
vc conhece o Vaguinho?
Rodrigo Teixeira: diz:
claro né
Marcio Armoa diz:
sim
Marcio Armoa diz:
da Panela eventos
Marcio Armoa diz:
sim sim
Rodrigo Teixeira: diz:
O Pablo Capilé citou ele no Overmundo, o cara do Espaço Cubo lá de Cuiabá e q promove o Calango
Marcio Armoa
O Vaguinho ta sempre por Cuiabá… o Impossíveis…o Mantris…e outras bandas já foram tocar lá…
Marcio Armoa diz:
por exemplo…os Impossíveis já foram tocar em Goiânia…num puta festival underground de lá….já foram tocar em Brasília…
Marcio Armoa diz:
o Fuzzy Logic cansou de ir tocar em sampa…
Rodrigo Teixeira: diz:
Goiania Noise
Marcio Armoa diz:
isso
Marcio Armoa diz:
goiania noise
Marcio Armoa diz:
o lance do Calango…sei lá…esse lance do cara falar q ninguém aqui se inscreveu…não posso falar nda…
Rodrigo Teixeira: diz:
parece q foi isso mesmo
Rodrigo Teixeira: diz:
comprei briga com ele e dancei com este argumento. Disse q por aqui ninguém ouviu falar do festival, q naum saiu em mídia nenhuma. Ele disse q ninguém entrou em contato. Zero.
Marcio Armoa diz:
eu não soube…
Marcio Armoa diz:
nem sabia q tinham aberto inscrições e tals…
Rodrigo Teixeira: diz:
pois é
Rodrigo Teixeira: diz:
eu falei isso,
Marcio Armoa diz:
por exemplo
Marcio Armoa diz:
a Panela sempre tá fazendo eventos….sempre trazendo gente de fora…de cuiabá…de londrina…de sp…agora vem uma banda argentina…não concordo dele falar q centralizou as coisas…
Marcio Armoa diz:
na verdade…só ele q faz
Marcio Armoa diz:
o lance é o seguinte…e vou ser bem claro com o que se passa aqui…e espero q não fique bravo comigo.. musicalmente…o estado só existe lá fora se falarem de almir sater e família espíndola… na parte sertaneja.. de raiz.. e dupla.. tbm existe…tradição ae tá…tem a polca-rock…que pode ser algo daqui da região…
Marcio Armoa diz:
mas que o pessoal não aprendeu a curtir…e os que já escutaram…não curtem…sei lá…não pegou…se vai pegar…mesmo tendo ajuda da mídia e tals…é outra estória…
Marcio Armoa diz:
ae…levanta-se uma bandeira….que a Polca Rock é o som de Mato Grosso do Sul…. que não é…conta-se nos dedos qm faz o estilo…
Marcio Armoa diz:
vc …o filho dos livres…olho de gato (talvez…não sei..) e o Jerry…
Marcio Armoa diz:
fora isso..qm mais faz…
Rodrigo Teixeira: diz:
o olho naum
Rodrigo Teixeira: diz:
o filho dos livres faz mas naum assume
Marcio Armoa diz:
então…menos um ae ahahah
Marcio Armoa diz:
então…aí q está o lance…e na boa…
Marcio Armoa diz:
eu vejo o Jerry falando na tv que a polca rock é o som de mato grosso do sul…e não é…
Rodrigo Teixeira: diz:
este imbecil aqui vê um futuro pra polca-rock
Marcio Armoa diz:é o som que ele quer tocar..q vc quer tocar…
Marcio Armoa diz:
que vcs curtem fazer…
Marcio Armoa diz:
então…eu acho isso super legal..é questão de ter estilo
Rodrigo Teixeira: diz:
a polca-rock é tb o som de MS e naum apenas
Marcio Armoa diz:
e seguir nele…independente de tudo
Rodrigo Teixeira: diz:
eu nunca jamais disse isso
Rodrigo Teixeira: diz:
o próprio Jerry é um pouco descrente da polca-rock…
Marcio Armoa diz:
a polca rock é um estilo q existe aqui…como tbm já existia no paraguai… e redondezas….
Marcio Armoa diz:
então..voltando ao pensamento…
Marcio Armoa diz:
temos várias bandas aqui…
Rodrigo Teixeira: diz:
sim conclua
Marcio Armoa diz:
muitas mesmo…punk…ciber….eletronica…heavy
Marcio Armoa diz:
progressivo…e que lá fora o pessoal curte…e aqui…não se sabe…
Marcio Armoa diz:
vc sabia que a Fuzzy Logic foi uma super respeitada no meio deles…Hardcore…
Rodrigo Teixeira: diz:
com certeza
Marcio Armoa diz:
com putas críticas que saíram em guitar player….rock brigade…cover guitarra
Marcio Armoa diz:
e aqui…ninguém deu bola…
Rodrigo Teixeira: diz:
o próprio Alta Tensão foi muito respeitado
Rodrigo Teixeira: diz:
aqui naum existe uma mídia q repercuta a cena indie
Marcio Armoa diz:
o clipe deles saiu na mtv…(e foi eu qm fiz…) e aqui…os caras não tinham nenhuma notoriedade…nem oscar rocha foi enfrevistar eles…nem nda…
Marcio Armoa diz:
o casa4…banda de som eletrônico
Marcio Armoa diz:
tem alta aceitação no meio deles…já foram tocar fora…e tals…e aqui…ninguém fala nda
Rodrigo Teixeira: diz:
na verdade naum existe este espaço para se falar…
Marcio Armoa diz:
o Cão…é um cara que todos conhecem lá fora…com suas músicas do HIV…e afins.. o Cão é lendário entre os Punks…
Rodrigo Teixeira: diz:
este é o problema
Marcio Armoa diz:
na verdade …o espaço que existe é aquele q o Oscar quer dar…
Rodrigo Teixeira: diz:
mas cara, a gente naum pode ficar esperando o Correio abrir + espaço
Rodrigo Teixeira: diz:
temos q criar uma mídia alternativa
Marcio Armoa diz:
até a Carbonários…há uns 5 anos atras….gravou numa coletânea e todos babaram ovo….(ehhehe gravou eu…o rezende…o cão..e o marcelo sandim…em sto andré…)
Marcio Armoa diz:
tudo bem…cria-se a mídia alternativa…
Marcio Armoa diz:
mas a grande mídia…tá cagando e andando…
Marcio Armoa diz:
vou dar um exemplo….o Bonustrack…projeto super legal…sem fins lucrativos…foi rechaçado pelo Oscar….e das tvs que tinham aqui…só a TV Campo Grande deu importância…e isso pq eu trabalhava lá
Marcio Armoa diz:
e….aqui no estado…o que vale é a grande mídia…se eu criar um blog…blz…
Rodrigo Teixeira: diz:
nós temos q fazer pressão ao ponto da grande mídia não ter saída
Marcio Armoa diz:
muita gente vai ler…mas a maioria do público nem acessa internet direito…
Rodrigo Teixeira: diz:
mas se for nesta linha pessimista, vamos deitar o morrer
Rodrigo Teixeira: diz:
hehehhe
Marcio Armoa diz:
a grande verdade é que o povo daqui só acorda qdo vem de fora…
Marcio Armoa diz:
não é linha pessimista…é a realidade…não digo q não vai mudar…acho q muda…um dia muda…
Rodrigo Teixeira: diz:
a maioria dos estados é assim
Marcio Armoa diz:
massss…a realidade é essa…
Rodrigo Teixeira: diz:
tudo bem realista
Marcio Armoa diz:
sim…na maioria dos estados é….mas aqui sei lá…parece q estamos em cima de um sapo morto enterrado…
Marcio Armoa diz:
mas se vc for olhar…
Marcio Armoa diz:
o meio underground tá rolando…
Marcio Armoa diz:
tem o bar do tião
Marcio Armoa diz:
ali na rui barbosa com afonso pena…
Marcio Armoa diz:
q sempre rola som
Marcio Armoa diz:
tá rolando som num centro comunitário lá no josé abraão e redondezas
Marcio Armoa diz:
som pesado…punk…hardcore…
Marcio Armoa diz:
sabe o q falta aqui…tocar na periferia…
Marcio Armoa diz:
e não ficar pensando em tocar em concha…e tals…
Marcio Armoa diz:
me lembro qdo toquei numa escola no aerorancho…..com a Roquefeller…
Marcio Armoa diz:
foi um dos melhores shows…ae vc vê que o pessoal é carente de opção
Marcio Armoa diz:
e como o que rola nos bairros é moda de viola…pagode…sertanejo….vai imperar isso
Marcio Armoa diz:
o Bom de Mais…aquele clube
Marcio Armoa diz:
vive lotado…e é longe da cidade…
Marcio Armoa diz:
já rolou lá até roupa nova…
Marcio Armoa diz:
hahaha
Rodrigo Teixeira: diz:
agora finalmente chegamos a um ponto em comum.
Rodrigo Teixeira: diz:
temos q ir pra periferia
Rodrigo Teixeira: diz:
isso é ponto pacífico
Rodrigo Teixeira: diz:
e neste sentido (deixa eu falar um pouco)
Rodrigo Teixeira: diz:
eu toquei domingo passado no Rock Horto
Rodrigo Teixeira: diz:
lá o público é com certeza da periferia
Rodrigo Teixeira: diz:
to com novo repertório, mesclando, rock mesmo com polca-rock pq cheguei a conclusão q estava dando tiro no pé só tocando polca-rock
Rodrigo Teixeira: diz:
e a recepção foi muito bacana mesmo
Rodrigo Teixeira: diz:
inclusive nas polca-rock com a moçada batendo (finalmente) cabeça
Rodrigo Teixeira: diz:
to fazendo mais pesado agora
Marcio Armoa diz:
então..só abrindo um comentário…
Marcio Armoa diz:
por exemplo…qdo o Jerry “abraçou” a polca rock…
Marcio Armoa diz:
porra…. e com violão..sem guitarra…sem nda que lembrasse rock
Marcio Armoa diz:
aa é foda isso
Rodrigo Teixeira: diz:
eu falo por mim márcio
Marcio Armoa diz:
o mangue beat…puta som do maracatú..com guitarra nervosa…
Rodrigo Teixeira: diz:
quando comecei a pensar nisso intelectualmente foi em 1988 e o jerry nem existia neste lance pra mim
Marcio Armoa diz:
mas então…vc fala por vc…mas qm acabou “manchando” a polca rock foi isso…
Marcio Armoa diz:
e vc há de concordar um pouco com isso..
Marcio Armoa diz:
mas é a verdade
Marcio Armoa diz:
tenha certeza
Rodrigo Teixeira: diz:
o meu som naum tem nada a ver com o dele
Marcio Armoa diz:
tipow…queimou o filme da polca rock
Rodrigo Teixeira: diz:
quem não for surdo vai entender
Rodrigo Teixeira: diz:
naum acho q queimou naum
Marcio Armoa diz:
bem…tostou então…
Marcio Armoa diz:
ahahahha
Marcio Armoa diz:
tossstou a ponta
Rodrigo Teixeira: diz:
pode ter queimado a polcarock dele e mesmo asism naum concordo
Rodrigo Teixeira: diz:
o jerry fez barulho lá fora com a polca-rock de verdade
Rodrigo Teixeira: diz:
fez bastante shows, em lugares e projetos importantes
Rodrigo Teixeira: diz:
naum acho q é desta maneira
Rodrigo Teixeira: diz:
eu fiz show no rio, em sampa, em assunção
Rodrigo Teixeira: diz:
e a reação foi excelente
Marcio Armoa diz:
bem..mas daí falarem q esse é o som do mato grosso do sul…me desculpe..não é
Rodrigo Teixeira: diz:é da onde?
Marcio Armoa diz:
meu…é um estilo…não é o estilo daqui…
Rodrigo Teixeira: diz:
qual o estilo daqui?
Marcio Armoa diz:
se fosse..toda esquina tinha uma banda …
Marcio Armoa diz:
essa é a diferença
Marcio Armoa diz:
não é um estilo criado aqui…. q todos abraçam e fala q isso é som daqui…
Rodrigo Teixeira: diz:
ué, mas eu pensei isso aqui, fiz as músicas aqui
Marcio Armoa diz:
quer saber oq é um som daqui…o que o tradição faz… q não tem nda a ver com chamamé…pq se vc levar lá em SC…e RS…o pessoal pensa que é timbalada e dança como axé…
Rodrigo Teixeira: diz:
a base toda é com referencias daqui
Marcio Armoa diz:
acho q aí está o erro ….de falar q é o som de mato grosso do sul…é um estilo…q tem em assunção…tem em outros lugares…
Marcio Armoa diz:
essa coisa de paternalizar o estilo q acho q é o erro..
Rodrigo Teixeira: diz:é um som q só poderia sair de um lugar fronteiriço
Rodrigo Teixeira: diz:
e saiu de Mato Grosso do Sul sim… naum entendo pq vc nega isso… isso é mais do q naum gostar… é má vontade mesmo
Marcio Armoa diz:
desculpe…mas não concordo..
Marcio Armoa diz:
e não é não gostar…
Rodrigo Teixeira: diz:
e sim, é um rock em 3/4, em ternário, algo diferente do resto do rock do Brasil
Rodrigo Teixeira: diz:
e q vem de Campo Grande
Rodrigo Teixeira: diz:
qual o problema disso?
Marcio Armoa diz:
blz…isso é q vc pensa…..a maioria dos que tocam aqui não pensam…
Rodrigo Teixeira: diz:
foda-se a maioria
Marcio Armoa diz:
blz…
Rodrigo Teixeira: diz:
eu faço isso pq acredito e naum tem nada de armação
Rodrigo Teixeira: diz:é o q vem do coração
Marcio Armoa diz:
mas tipow…eu não me identifico com polca rock…e pra mim não é o som de MS…e sim…um estilo que tem na fronteira…
Marcio Armoa diz:
aí que está a diferença…
Rodrigo Teixeira: diz:é natural… quando componho já vem assim
Rodrigo Teixeira: diz:
o q vem da fronteira é a polca, o chamamé, a guarania
Marcio Armoa diz:
e não é por modismo que vou me juntar à um momvimento …concorda…
Rodrigo Teixeira: diz:
claro q naum
Rodrigo Teixeira: diz:
vc tem a acreditar nisso
Marcio Armoa diz:
então…dae falar q existe um movimento chamado polca rock…
Marcio Armoa diz:
tbm são outros 500…
Rodrigo Teixeira: diz:
mas é claro q se um dia a polca-rock tiver algum destaque, der certo em algum sentido
Marcio Armoa diz:
e é aí q te falo
Rodrigo Teixeira: diz:
aí vai aparecer os caronheiros, como aconteceu com o próprio manguebeat
Marcio Armoa diz:
q o Jerry queimou…pq sempre falou que existia um movimento…cansei de ver várias entrevsitas..
Rodrigo Teixeira: diz:
eram meia duzia de bandas
Rodrigo Teixeira: diz:
depois q começaramn a fazer um pouco de sucesso, Recife estourou com mais de 400 bandas de manguebeat… todo mundo quyeria ser manguebeat
Rodrigo Teixeira: diz:
isso é natural
Marcio Armoa diz:
bem…no mangue beat..a história é bem diferente…existia um grupo de bandas…que acreditavam no maracatú..e. dalí fizeram o estilo…. é uma coisa muito maior….envolvia sociedade…estilo de vida das pessoas do mangue…
Marcio Armoa diz:
o mesmo foi com a Tropicália…estilo de pensamento…e porae vai…ou o rock gaúcho….que sempre teve sua independência…
Marcio Armoa diz:
ae…pá…da noite pro dia…a polca rock é o estilo de mato grosso do sul…
Rodrigo Teixeira: diz:
sim aqui as pessoas não valorizam em nada a cultura de MS
Rodrigo Teixeira: diz:
a polca-rock é um estilo q está germinando no MS sim sim
Marcio Armoa diz:
e não me venha falar que nao foi assim…pq foi assim…e na boa…eu só fui saber do estilo…qdo o Jerry começou a tocar…pq antes….nem ouvia falar…e no meio underground….a coisa q rola é outra…
Rodrigo Teixeira: diz:
isso é ponto pacífico queiram ou não
Marcio Armoa diz:
por exemplo…o Katástrofe…gravou um chamametal…
Marcio Armoa diz:
ahhaha…em 3
Rodrigo Teixeira: diz:
sim o Jerry acabou sendo o maior divulgador da polca-rck sim com certeza
Rodrigo Teixeira: diz:
e para o desespero de uns e outros vem mais um disco de Jerry&Croa em 2007
Marcio Armoa diz:
acho blz…
Marcio Armoa diz:
caraca….o papo tá bom…mas tenho q pegar minha filhaaaaaaaa….
Marcio Armoa diz:
cinco e meia
Marcio Armoa diz:
puta qpariu
Rodrigo Teixeira: diz:
pelo jeito aquele video de Salinger Polck naum vai sair
Rodrigo Teixeira: diz:
até pq vc detesta polca-rock né
Marcio Armoa diz:
ahaha
Marcio Armoa diz:
vai sim…
Marcio Armoa diz:
nada a ver uma coisa com outra
Marcio Armoa diz:
não…não detesto
Rodrigo Teixeira: diz:
como vc vai trabalhar algo q naum concorda, q naum gosta, q detesta
Marcio Armoa diz:
até gosto…mas não sou um ativista dela…é diferente
Rodrigo Teixeira: diz:
q naum ve futuro, q naum ahca q é daqui
Rodrigo Teixeira: diz:
e q é uma BOSTA
Marcio Armoa diz:
ahaha
Marcio Armoa diz:
tem coisas q eu gosto nela…e lembre-se sou paraguaio…ahahah tenho um pé na polca…
Marcio Armoa diz:
a minha divergência é sobre ela ser uma bandeira daqui
Rodrigo Teixeira: diz:
os paraguaios gostaram
Marcio Armoa diz:
claro porra
Rodrigo Teixeira: diz:
para mim isso é estimulo até hj
Marcio Armoa diz:
a
Marcio Armoa diz:
se não gostassem
Marcio Armoa diz:vc tinha q sumir
Marcio Armoa diz:
aa
Marcio Armoa diz:
tudo lá é em 3 ahahaha
Marcio Armoa diz:
ahhahahaahahhaha
Rodrigo Teixeira: diz:
foda-seeeeeeeeeeeeee
Rodrigo Teixeira: diz:
kkkkkkkkkkkkkkkk
Marcio Armoa diz:
deixa eu ir embora….q minha filha tá na creche
<str
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A foto mostra Renato Teixeira e sua banda em ação no Festival América do Sul 2005, sete anos após esta entrevista! Tocando violão ao lado, seu filho Chico Teixeira. Para mim, a obra de Renato precisa ser reconhecida pela dita elite cultural brasileira, porque o povão já a celebra!
A sessão DO FUNDO DO BAÚ voltou…
Nós não somos irmãos. Talvez parentes distantes. Mas, sem dúvida, guardamos algumas semelhanças. Crescemos no interior e, mesmo em locais diferentes, acabamos de alguma maneira ligados ao Mato Grosso (do Sul).
Encontrei Renato Teixeira no Hotel Glória, no Rio de Janeiro, um lugar realmente garboso. Com seus cabelos enormes despenteados e os olhos vermelhos e de japonês, o compositor de Romaria, Frete, Amora, Sentimental Eu Fico, Cavalo Bravo… é sem dúvida um autor que praticamente fundou o que se poderia chamar de Música Popular Caipira.
Pela primeira vez Renato estava realizando um show grande no Rio de Janeiro. A apresentação foi registrada num CD para comemorar os 30 anos de carreira. Já havia cruzado com Renato na época que morava em São Paulo e ele próprio se “assustou” ao me ver. Isso foi em 1998 e eu estava afundado até o pescoço com jornalismo.
Para os músicos de MS, Renato Teixeira é uma espécie de padrinho. Sua obra é muito admirada e influenciou muita gente. O Renato é meio que o ‘Caetano’ da música caipira. Vamos ao falatório!
Entrevista Renato Teixeira
por Rodrigo Teixeira
RODRIGO TEIXEIRA ? POR QUE VOCÊ DECIDIU COMEMORAR OS 30 ANOS DE CARREIRA COM UM DISCO AO VIVO, GRAVADO NO CANECÃO?
Renato Teixeira ? Pela primeira vez estou vindo ao Rio. Já fiz show aqui, mas nada profissional. Agora é no Canecão, a casa de shows de maior prestígio da história do Brasil. Mas foi uma idéia que tive com o pessoal da Kuarupe, que fez o “Ao Vivo em Tatuí”, com Pena Branca e Xavantinho. E pintou a idéia. Surgiu das circunstâncias.
RODRIGO ? POR QUE É TÃO DIFÍCIL O ARTISTA CAIPIRA TOCAR NO RIO DE JANEIRO?
Renato ? O que acontece é que tem um padrão de produto que encaixa na filosofia da mídia carioca. Até repercute bem mais do que em São Paulo. O que a gente tem de fazer é facilitar as coisas porque as pessoas, assistindo, gostam. Mesmo porque este show, por exemplo, está mastigado. Toco ele há um ano e meio. E a reação é sempre muito boa. Aqui não foi diferente. O Rio é um mercado interessante para se fazer ainda. Se a gente fizer uma pressão vai abrir para todo mundo. E é uma cidade que tradicionalmente gosta de coisas vinculadas à cultura brasileira. A história desta cidade é isto.
RODRIGO ? A MÚSICA MAIS VINCULADA À FRONTEIRA DO PARAGUAI, LIGADA A GUARÂNIA E POLCA, TEM UM ESPAÇO A PERCORRER EM TERMOS DE MÍDIA NOS GRANDES CENTROS…
Renato ? Mesmo quando toco “O Rio de Piracicaba”, toco porque descobri que no pagode de Tião Carreiro tem uma coisa africana forte que se aproxima muito do samba e da parte rítmica e da pulsação da música latino-americana. Isto é uma coisa nova. Existe uma música continental, se você for pensar. Acho que vai mais por aí. E vai haver uma grande fusão musical na América Latina toda. O tango é muito forte, a influência da guarânea na música brasileira, da música paraguaia na formação destas duplas, até da música mexicana… Isto é uma tendência. Não sou eu que to dizendo. Já existe. E quando comecei a compor, uma influência muito forte que tive foi, no final dos anos 60, quando conheci Mercedes Sosa. A partir daí comecei a fazer “Frete” e “Cavalo Bravo”, com influencia do samba argentino. Sinto que este ciclo é viável. Mas o samba vai ser sempre o samba e o tango sempre o tango. Mas acho que quando isso aqui for um lugar só, estas coisas vão ter muito mais facilidades. No sistema geopolítico que a gente vive aí, imagina quando vier esta integração.
RODRIGO ? A SUA MÚSICA TEM MAIS A VER COM A CULTURA DA AMÉRICA LATINA DO QUE COM O SAMBA EM SI.
Renato ? A minha música e a música do pessoal do Almir Sater tem uma grande influência da música caipira. E a música caipira e o caipira são a primeira definição sociológica deste país, que é o caiçara e o caipira. Em tupi-guarani, caiçara é o de baixo e caipira é o de cima. Caipira em tupi-guarani quer dizer mais acima… Pessoal do lado de lá da serra. Aqui a influência da música européia é quase nada. Ao contrário da música nordestina… Os repentistas citam maravilhosamente bem aquelas coisas dos gregos e romanos… É uma música que assimilou muita coisa de outros povos. O caipira não e o caiçara não. O lado mais comercial do caipira é aquelas coisas dos mariachis, a música paraguaia com as harpas. Assimilamos e tiramos o que tinha de melhor. O samba e a música caipira com certeza são as duas manifestações culturais musicais mais representativas da raça brasileira.
RODRIGO ? VOCÊ JÁ PASSOU POR GRAVADORAS GRANDES E PEQUENAS. COMO VOCÊ ANALISA O SURGINDO DE TANTOS SELOS INDEPENDENTES?
Renato ? As gravadoras grandes cada dia mais vão trabalhar com os megas e aquela coisa comercial. Existe um mercado que precisa ser absorvido. Está havendo uma grande quantidade de gravadoras para abastecer este mercado, porque nós temos muitos artistas e pouca mídia. Na verdade, não é todo artista que cabe na mídia. Porque acho que não cabe mais. Achar um espaço dentro da mídia é difícil, porque ela está usada, congestionada. A bola é maior que o cesto. É um país que se manifesta musicalmente com muita energia. Em todos os cantos você vê bons músicos, compositores, cantores… Cada cidade do Brasil hoje tem três ou quatro estúdios que dá para gravar um disco com padrão internacional. É bem mais fácil. A música ganha com isso e os esquemas perdem. A mídia vai se ver obrigada a ampliar o seu espaço cada vez mais. E é o que está acontecendo. Estamos no início de uma grande revolução que favorece muito a música, o autor, a música regional, porque possibilita que todo mundo se expresse. Estou vendo uma coisa muito boa pela frente.
RODRIGO ? VOCÊ VÊ A MESMA POSSIBILIDADE DE EVOLUÇÃO PARA O DIREITO AUTORAL?
Renato ? O problema do direito autoral, como a própria palavra diz, direito, tem a ver com cidadania. Um dos direitos do cidadão é o direito autoral, quando ele produz alguma coisa. Como a cidadania no Brasil hoje é de quinta categoria, isso repercute no direito autoral também. Vem evoluindo como evolui a cidadania.
RODRIGO ? MAS NEM “ROMARIA” TE DÁ UM BOM RETORNO?
Renato ? Não me dá. É um direito autoral de quinta categoria.
RODRIGO ? COMO A MÚSICA CAIPIRA CHEGOU PARA VOCÊ?
Renato ? Eu nasci em Santos, passei a minha infância em Ubatuba e com 11 anos fui para Taubaté. Mas ainda em Ubatuba, eu sou de uma família de músicos amadores, e todo mundo tocava na porta de casa, violão, flauta… E ouvia a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, mas nunca tinha visto e ouvido música ao vivo. E um dia teve um circo em Ubatuba, devia ter sete anos, e ia ter um show com um trio caipira. Então tinha lá? Luis, Teodoro e Creuza, Os Três Turunas. Eles cantavam músicas do Anacleto Rosa Júnior, que é um compositor de Taubaté, e que para mim é o maior compositor caipira que existe no Brasil. Foi inesquecível ver os artistas cantarem no microfone… Tanto que a primeira música que eles tocaram era “Mestiça” e nunca mais esqueci. “Se você for para o Mato Grosso não deixe de me avisar…“. E esta canção produziu em mim uma imagem do Mato Grosso. Me apaixonei pelo estado, um ubatubano e um lugar que nunca imaginava que poderia ir um dia. Era criança. Aí quando mudei para Taubaté, fui trabalhar na rádio e um dos discotecários era um dos cantores deste Os Três Turunas. E dali eles começaram a me apresentar à música caipira, através de Anacleto, que é um taubateano que fazia não só “Mestiça”, como fez uma porrada de música para o Mato Grosso. E me envolvi ainda mais, pois fui encontrar com o cara da primeira música. E sempre cantei a música. Aí quando queria fazer uma música com influências rurais, já tinha um pouco desta coisa de “Mestiça”.
RODRIGO ? ESTA INFLUÊNCIA DA MÚSICA CAIPIRA PEGOU POUCOS COMPOSITORES DAQUELA ÉPOCA, COMO CAETANO E CHICO. VOCÊ ERA UM ESTRANHO NO NINHO PARA OS ARTISTAS DA DÉCADA DE 60, MAIS LIGADOS AO ROCK, AO SAMBA E A BOSSA NOVA?
Renato ? Não tinha muita consciência da coisa. Mas era uma influência realmente minha. “Mestiça” é a pedra filosofal da minha poesia. Porque foi a primeira música que me bateu. E o cara cantou, escutei uma vez e nunca mais esqueci.
RODRIGO ? E COMO VOCÊ CONHECEU O ALMIR SATER?
Renato ? O tempo foi passando e pela primeira vez me chamaram para tocar em Cuiabá. O estado já estava dividido, mas cheguei meio impressionado. Porra é aqui. Terra da “Mestiça”. E estava em um quarto de hotel e de repente bateram na minha porta. Era o Almir: ?Vamos tocar aqui no quarto do lado?. A gente não se conhecia, só tinha se cruzado uma vez ou outra. Mas nunca tinha a oportunidade de conversar. Tava o Almir, o Pedrinho Ortale e a Alzira Espíndola. Aí eles começaram a cantar para mim a música do Mato Grosso do Sul e pirei. Foi daí que surgiu a identidade. É por isso que quando canto a música do Mato Grosso no meu disco “Sonhos Guaranis”, canto com toda a autonomia que um artista que tem esta ligação com o estado tem que ter. E todo o conhecimento e toda moral para fazer este disco. É um disco que não admito discutir, porque é a minha visão. E a minha visão está certa da música do Mato Grosso.
RODRIGO ? TIVERAM PESSOAS QUE DISSERAM QUE ERA UMA INTROMISSÃO DE UM ARTISTA QUE NÃO MORA NO ESTADO. UM OPORTUNISMO.
Renato ? Mas a música de Mato Grosso não é de ninguém. A música de Mato Grosso já é a música deste país. E junto com o maior autor sul-matogrossense, que é um dos melhores autores deste país, junto com ele e com a minha poesia, que pesquei em Ubatuba e Taubaté, esta mesma poesia influenciada por este cara que já amava o Mato Grosso e não era de lá, fiz junto com ele algumas obras que hoje já estão inseridas dentro dos clássicos brasileiros, como “Tocando Em Frente” e “Um Violeiro Toca”. E este disco do Mato Grosso do Sul corresponde ao “Fina Estampa” do Caetano. Ele mostrou à geração dele que ouvia aquele tipo de música e eu to mostrando através do “Sonhos Guaranis” a mesma coisa. Embora não fosse o meu estado, ele me influenciou de uma maneira fantástica. Me orgulho dele. E meu filho só quer ir para o Mato Grosso.
RODRIGO ? POR QUE VOCÊ ACHA QUE ESTA MÚSICA FEITA NO MATO GROSSO DO SUL ESTÁ REPRESADA E NÃO CONSEGUE REALMENTE CONQUISTAR UM ESPAÇO NA MÍDIA. O QUE ESTÁ FALTANDO?
Renato ? A mídia precisa fazer uma autocrítica, porque a Globo com “O Rei do Gado”, novela que explorava a cultura contemporânea rural, o Ibope foi lá para cima. O que quê o público quer ouvir hoje em contrapartida a violência da tevê, os jornais, trânsito caótico, poluição… O povo ta desejando paz de espírito, um bom lugar para viver, um horário digno de trabalho, poder estar consigo mesmo, ser feliz… E acho que de certa forma eu, Almir, Pena Branca e Xavantinho, e todo este pessoal lá do MS, somos meio que os mensageiros deste novo sonho. De paz e felicidade. Mas não é aquele sonho babaca, feliz de boutique. Feliz consciente da nossa identidade cultural, quem nós somos. E de repente ficar pasmado com o suingue que tem e a modernidade da música caipira de hoje. Só um adendo.
RODRIGO ? O QUÊ?
Renato ? Para mim o Almir Sater é um dos maiores compositores da música brasileira de todos os tempos. O Almir é um violeiro maravilhoso, impecável. E sendo o maior violeiro do Brasil é o maior do mundo. Mas acho que antes de tudo ele é um compositor e melodista fantástico. (P.S. Renato e Amir acabaram ‘unindo’ a família. A filha de Renato casou com o irmão de Almir) Na minha opinião também está no Mato Grosso do Sul o maior poeta brasileiro de hoje. Chama-se Geraldo Roca. Se falassem para mim: escolha um artista para dar de presente para o povo brasileiro. O nome desta pessoa seria Geraldo Roca. O conheço há mais de 25 anos e sempre defendo esta tese. O lance é que o Roca é louco para cacete.
? Entrevista concedida e publicada pelo extinto caderno cultural Cult Press, da agência Carta Z Notícias.
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Como estou numa correria danada e sem conseguir escrever como gostaria, tiro da manga uma matéria escrita pelo ?overmano? paranaense Omar Godoy sobre a polca-rock! A reportagem foi publicada em 31 de agosto de 2005, no jornal Gazeta do Povo, de Curitiba.
O interesse de Omar para escrever a matéria surgiu depois que dei meu disco Polck quando nos conhecemos no seminário da Petrobrás no Rio de Janeiro, em agosto de 2005, para a preparação do lançamento do Overmundo.
A polca-rock tem futuro sim e já é fato presente! Aos poucos, ela vai se tornando um ponto de ligação entre músicos de uma nova geração. Por enquanto chama mais atenção fora de MS.
Abaixo a matéria de Omar Godoy!
TENDÊNCIA
Pop, MPB e música paraguaia se misturam
na nova cena musical do Mato Grosso do Sul
Nos embalos da polca rock
Cerca de 40 mil famílias de origem paraguaia vivem em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. É a maior colônia estrangeira da região, com influência direta na cultura e costumes locais. Aliás, um pedaço do estado já pertenceu ao país vizinho, sendo anexado ao Brasil após a Guerra do Paraguai. Não é de se estranhar, portanto, que boa parte dos sul-matogrossenses se identique mais com os hermanos paraguaios do que com os compatriotas de outras localidades.
Música popular, por lá, é sinônimo de guarânia e polca paraguaia ? além, é claro, do sertanejo, presente em qualquer lugar do Brasil interiorano. ?A polca paraguaia é um ritmo dançante, de festa, uma espécie de guarânia mais rápida. É o som que rola quando você quer agitar um bailão?, ensina o cantor, compositor e instrumentista Rodrigo Teixeira, de 36 anos, figurinha carimbada da cena cultural de Campo Grande. Ao lado de Jerry Espíndola (irmão das cantoras Tetê e Alzira), Teixeira é o grande divulgador de uma mistura musical em plena ebulição na cidade: a polca rock.
Apesar do nome, não se trata de uma mera fusão do gênero paraguaio com a urgência roqueira, como fizeram os Raimundos e tantas outras bandas barulhentas na década passada. A polca rock tem como chamariz harmonias sofisticadas típicas do trabalho de artistas como Almir Sater. É também um mix de regionalismo, jazz, blues, reggae e funk. ?Trocamos o violão e a sanfona da polca por teclado, guitarra, baixo e bateria. Mas, na verdade, gente como o Almir já fazia isso nos anos 70 sem saber que estava fazendo?, diz Teixeira.
De acordo com o músico, uma nova leva de grupos descobriu e adotou a polca rock nos últimos anos ? nomes como Arara Rara, Filhos dos Livres, Vaticano 69, Croa e Bando do Velho Jack, entre outros. Todos influenciados por uma lista de artistas praticamente desconhecidos no resto do país: Geraldo Roca, Geraldo Espíndola, Antônio Porto, Carlos Colman. Sem contar as referências paraguaias, cada vez mais explícitas por conta do recente intercâmbio cultural entre os dois países.
Um passo importante nesse sentido foi dado a partir do Festival América do Sul, organizado pelo governo do Mato Grosso do Sul e que levou à cidade de Corumbá (em pleno Pantanal) artistas de dez países sul-americanos, das mais variadas áreas. A segunda edição do evento, realizada em maio deste ano, contou com mais de 300 atrações ? do argentino Pedro Aznar ao brasileiro João Bosco, passando por escritores, grupos folclóricos e até uma banda de rock paranaense (Terminal Guadalupe). ?A idéia é criar um corredor cultural que também passe por Foz do Iguaçu e outras cidades do Paraná?, afirma Teixeira, jornalista de formação.
Após o festival, esse ?corredor? ganhou um reforço considerável. Trata-se da gravadora paraguaia Kamikaze Records, ponta-de-lança de um boom roqueiro que toma conta daquele país. ?Está havendo por lá uma explosão de rock nacional como a que aconteceu por aqui nos anos 80. E a Kamikaze é a gravadora que mais investe nesse segmento?, explica Teixeira, cujo segundo álbum-solo, Polck (2004), passou a ser distribuído pela empresa, sediada em Assunção.