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Jerry Espíndola está com músicas frescas e mais pop do q nunca!
O Matula Cultural foi conferir ontem (dom, 30/07) o show de Jerry Espíndola no projeto Estação Cultura. Acompanhado por Antônio Porto (baixo), Sandro Moreno (bateria), Guilherme Cruz (violão 12) e Alex Fralda (sanfona), o caçula dos Espíndolas deixou evidente que quer se reeencontrar de novo com o seu lado mais POP.
A verdade é que depois de radicalizar com o Jerry&Croa, onde se dedicou exclusivamente a polca-rock e outras fusões fronteiriças, Jerry agora quer sentir a popularidade de novo na pele!
O disco Polca-rock, apesar de ser sucesso de crítica fora de MS, não obteve o mesmo aqui dentro do Estado e todo o público que Jerry havia conquistado com o Pop Pantanal, disco que flertou escancaradamente com a embalagem POP mais comercialóide, meio que se assustou com o tom jazzistico de Jerry e Croa e foi parar em outras platéias.
Agora Jerry prepara novo disco, com as canções que apresentou no Estação Cultura e quer ver seus shows novamente lotados em Campo Grande. O cara agora está mesclando o repertório, com músicas com levadas quaternárias e ternárias, mas bem simples e sem os arranjos megalomaníacos que assustou a maioria em Polca-rock (um disco q adoro e q pra mim está entre os mais importantes já gravados pelo pessoal de MS).
Com isso, quem estava com saudade daquele Jerry mais zen e cantando mais mansamente vai se deliciar com o novo CD, que já está gravado e em fase de finalização.
Mas os que gostaram de polca-rock não se assustem. Ano que vem já está garantido mais um disco de Jerry&Croa, através da Petrobrás Cultural.
Mas não são poucas as perguntas que ficam: Será que o Jerry cansou desta tal de polca-rock? Só está dando um tempo? Sua visão da coisa mudou? Ser pop é mais gostoso? Outras fusões ternárias estão rondando a sua cabeça?
Já fica o convite Jerrão para uma entrevista aqui para o Matula Cultural.
Vida longa a Jerry Espíndola, com roupa nova e tudo!
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Cyclophonica, a única orquestra de bicicletas do mundo
A Orquestra de Câmara de Bicicletas batizada de Cyclophonica me elevou o pensamento no Festival América do Sul 2006. Fiquei olhando aqueles acadêmicos-músicos-cariocas em cima de suas bicicletas, girando em torno do público, tocando seus instrumentos adaptados, os olhos vidrados da maioria, que jamais tinha visto aquilo e a satisfação dos integrantes da orquestra ainda incrédulos de encontrar aquela comunhão artística em plena Corumbá quase Bolívia!
A Cyclophonica ainda se apresentou em Ladário, cidade ao lado de Corumbá, e em Puerto Soarez, na Bolívia. Rodaram pela terra calcária da Cidade Branca e fizeram a cabeça literalmente de todos. Na balada a noite, nos bares que rolavam os shows, lá estavam eles! A presença desta rapaziada cabeça-boa no evento, não me sai da memória. Os artistas com cachês com menos de 3, 2 dígitos! Responsáveis por momentos intensos de arte na veia.
Conversando com eles, me confessaram o que estava rondando suas cabeças, bem além das águas do rio Paraguai: articulam para realizar o que seria o sonho dos sonhos para uma orquestra de bicicletas! O óbvio, mais do que previsível! Levar a Cyclophonica para a China, onde existe nada menos do que 500 milhões de bicicletas. Imagino Leo Fucks e sua trupe sob rodas na frente de zilhões de olhos puxados… a trilha sonora seria Bachianas Nº5, do Villa…
Outros flashes do FAS, tipo camalotes descendo o rio, em breve!
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O Matula Cultural está começando a campanha SE LIGA ROCK MS! para que as bandas e músicos do estado fiquem por dentro do circuito musical alternativo do Brasil.
O objetivo é que os grupos de MS pelo menos inscrevam-se nos principais festivais do país e, de uma vez por todas, comece a aparecer na cena ?indie? que pipoca nos estados brasileiros.
Abaixo estão listados 10 festivais importantes da cena rock brasileira. Mãos a obra!
1 – ABRIL PRO ROCK
Onde: RECIFE (PE)
Quando : ABRIL
Site: www.abrilprorock.com.br
E-mail: abrilpr@abrilprorock.com.br
Última edição: 21 e 23 de abril de 2006
Se liga: Não existe inscrição nem regulamento no Abril Pro Rock
Eles recebem o material das bandas de todo o Brasil e exterior e, quando ficam interessados, entram em contato.
Endereço para mandar o material:
Abril Pro Rock
Caixa Postal 1030
Agencia Central – Recife – PE
CEP 50001 970
2 – FESTIVAL MADA
Onde: NATAL (RN)
Quando: MAIO
Site: www.festivalmada.com.br
Email: jomas.mada@uol.com.br
Obs: Segundo o overmano Yuno as inscrições estão sempre abertas! É só entrar em contato pelo email acima!
3 – BANANADA 2006
Onde: GOIÂNIA (GO)
Quando: MAIO
Última edição: 19 e 21 de maio 2006
Se liga: O sul-mato-grossense O Bando do Velho Jack este no evento este ano.
Site: www.monstrodiscos.com.br/bananada
4 – PORÃO DO ROCK
Onde: BRASÍLIA (DF)
Quando: JUNHO
Última edição: 2, 3 e 4 de junho de 2006
Site: www.poraodorock.com.br
Se liga: O maior festival independente do país! Este ano a Globo cobriu com direito a especial de tevê! A única aparição de MS foi em 2002 com os Impossíveis!
5 ? FESTIVAL NO AR COQUETEL MOLOTOV
Onde: RECIFE (PE)
Quando: AGOSTO
Site: www.coquetelmolotov.com.br
E-mail: coquetelmolotov@coquetelmolotov.com.br ou 81 8827 8222
Última edição: 01 e 02 de agosto
Se liga: Além de shows de música, a festival tem sessão de curtas e vídeos, palestras, show cases e exposição de fotos.
Quem tocou destas bandas e de outras: Móveis Coloniais de Acaju (Brasília); Spleen (França); Cocorosie (EUA); Rubin Steiner (EUA) e Tortoise (França).
6 – FESTIVAL DO SOL
Onde: NATAL (RN)
Quando: AGOSTO
Se liga: Na edição de 2006 tocaram mais de 35 bandas de 11 estados brasileiros. O Festival do Sol é conseqüência de um trabalho que vem sendo acalentado há mais de 15 anos pelo produtor Anderson Foca, 32, idealizador do Selo Do Sol (criado em 2002) ? pedra fundamental para o crescimento da marca, que atualmente também engloba o Estúdio Do Sol, o Do Sol Rock Bar, a Do Sol Image.
Bandas do Centro-Oeste: Quem tocou em 2006 no Festival do Sol dos estados do Centro-Oeste foram apenas Bois de Gerião (DF) e MQN (GO).
Última edição: 4, 5 e 6 de agosto de 2006
Site: www.dosol.com.br
E-mail: assessoria@dosol.com.br
Fone: (84) 3642-1520
7 – FESTIVAL CALANGO
Onde: CUIABÁ
Quando: AGOSTO
Site: www.cubodeensaio.blogger.com.br
Última edição: 18, 19 e 20 de agosto de 2006
Se liga: O MS não aparece no festival. Este ano a coordenação do evento não recebeu NENHUM material de grupo de MS.
8 – FESTIVAL LABORATÓRIO POP
Onde: RIO DE JANEIRO
Quando: AGOSTO
Site: www.laboratoriopop.com.br
E-mail: contato@laboratoriopop.com.br
Endereço: Avenida Afonso Arinos de Mello Franco, 191/314
Barra da Tijuca – Rio de Janeiro – RJ
Última edição: 3, 10, 24 e 31 de agosto
Se liga: O Festival Laboratório Pop – O Novo Rock do Brasil acontece no Teatro Odisséia, que fica na famosa Lapa (RJ). É organizado pelo pessoal da produtora Laboratório Pop, que é nome de uma revista bem legal também.
Quem tocou destas bandas: Móveis Coloniais de Acaju (Brasília); Macaco Bong (Mato Grosso); Lucy and The Popsonics (Brasília); Bois de Gerião (Brasília).
9 – DEMO SUL
Onde: LONDRINA (PR)
Quando: OUTUBRO
Site: www.demosul.com.br
E-mail: demosul2005@pop.com.br
Endereço para mandar material:
Braço Direito Produções
Rua Xingu, 136 Vila Nova, CEP 86025-370
Londrina ? PR
Se liga: Um dos poucos festivais de rock no interior do país.
10 – GOIÂNIA NOISE
Onde: GOIÂNIA (GO)
Quando: DEZEMBRO
Site: www.goianianoisefestival.com.br
Se liga: O Goiânia Noise Festival acontece NA PRIMEIRA SEMANA DE DEZEMBRO. Dá tempo de mandar material e entrar em contato com a produção. O festival é ligado a Monstro Discos. Aliás, se vc tem uma banda de rock e não sabe do que se trata a Monstro Discos trate de correr. Tá marcando toca… Em 2005, tocaram no Goiânia Noise as bandas mato-grossenses cuiabanas Macaco Bong e Revoltz! O troca-troca entre GO-MT está bem avançado. MS tá comendo poeira!
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Eis a Nossa Senhora Coca-cola!
Entrevista Evandro Prado por Rodrigo Teixeira
Desde Humberto Espíndola, ninguém sacudiu a sociedade campo-grandense como Evandro Prado! A série Habemus Cocam, em que mistura Fidel Castro, Papa João Paulo II e Nossa Senhora com a Coca-cola provocou a revolta a igreja e de alguns vereadores da capital sul-mato-grossense, insistentes em mantê-la arcaica. Processado pelo arcebispo da cidade (faço questão de não citar seu nome. Q procurem no Google), fulminado por políticos em programas de tevê, acusado de ser um farsante, o jovem de apenas 20 anos Evandro Prado é um dos maiores talentos das artes plásticas do Centro-Oeste surgido na última década. Esta é a mais pura verdade!
A mostra que detonou a ?revolta dos que não entederam nada?, obteve maior público ainda com a polêmica. O aval para a arte de Evandro Prado encontra eco mais fora de Campo Grande do que na própria capital. Em 2005, foi escolhido entre 1350 inscritos (com a instalação Em Casa de Capitalista Coca-cola É Santa) para fazer parte do seleto grupo de 78 artistas do renomado Rumos Itaú Cultural. Suas instalações que misturam santinhos, crucifixos, santuários e garrafas de Coca já passaram por Sampa, está no Paço Imperial no Rio de Janeiro e seguirá para Goiânia no Museu de Arte Contemporânea localizado no Centro Cultural Oscar Niemayer. Um carimbo de qualidade registrado em livro catálogo da exposição.
A escalada de Evandro Prado começou em 2003 no Salão de Arte em Dourados. Ele ganhou o prêmio de melhor pintura com 2 obras. A primeira premiação em um evento com cento e tanto inscritos. Em 2004, recebeu o primeiro prêmio na 3ª Bienal de Arte Moderna de Cuiabá, mostrando aos cult-cuiabanos que em Campo Grande também existe artes plásticas de qualidade. O único campo-grandense entre pouco mais de 300 inscritos. Em 2005, chamou atenção no Festival América do Sul, em Corumbá.
O maior salto, porém, acontece agora. Evandro Prado está no Salão de Goiás, um dos quatro mais importantes do Brasil. O Salão de Goiás equivale ao Salão de Brasília, que Humberto Espíndola participou em 1967 com estardalhaço. Com o Rumos e o Salão de Goiás no currículo, falta agora para completar o quadrilátero das artes plásticas o Salão da Bahia e uma indicação ao prêmio Marco Antônio Vilaça!
O trabalho assinado por Evandro no Salão de Goiás é uma espécie de continuação de Em Casa de Capitalista Coca-cola É Santa e Habemus Cocam! Fidel Castro Fala A Eco-92 é literalmente o que diz o título. É o discurso de Fidel Castro para a reunião da cúpula mundial que aconteceu no Rio de Janeiro amplificado para uma platéia de latas de Coca-cola. Segundo Evandro, é uma alerta de que reuniões políticas não servem pra nada! ?O mundo são latinhas de Coca-cola. Um mundo capitalista que vai se autodestruir?.
A entrevista foi na casa de Evandro, que mora com os pais, numa bela tarde de domingo. Vamos logo ao que interessa. Abaixo a entrevista exclusiva concedida ao Matula Cultural, inaugurando o Berrante News!
Rodrigo Teixeira ? Como é ser reconhecido em eventos importantes das artes plásticas brasileiras e aqui em Campo Grande sofrer severas críticas?
Evandro Prado – Tenho sido muito criticado pelo próprio pessoal de arte, na universidade e comunidades do orkut. Existe um anônimo que tem falado muito mal de mim e há muito tempo. E não tem vozes a meu favor. Não me importo muito porque o cara é anônimo. Mas ele fala da arte ruim. Ele ataca. Diz que sou um farsante. Tipo o que o Dante (o jornalista Dante Filho) fala. Tipo que faço para causar polêmica… Mas não me importo porque sei do meu trabalho e nunca esperei que gerasse esta polêmica. Achei que as pessoas iam entender quando vissem. Mas não entederam ou não aceitaram. Dizem que tem abaixo assinado com 10 mil assinaturas, mas eu nunca vi. É uma minoria na verdade. Mas entrar nestas seleções é a prova de que eu tenho um respaldo já nacional.
RT ? Como você se sente agora, no meio desta situação?
EV ? Tem dois lados. O positivo que é este do trabalho ter conseguido comunicar. Um trabalho forte de expressão, que não passa desapercebido. Ou gosta ou não gosta! É uma prova concreta de que é um trabalho que tem consistência. Ao mesmo tempo tem o lado do desgaste, que é esta questão de enfrentar protestos, emails dizendo que vou para o inferno, dizendo que sou nazista. Não têm conhecimento da história, confundem comunista com nazista, Mao com Hitler. Mas o lado positivo é maior que o negativo. To feliz! Apesar de tudo é uma prova de que o trabalho é bom, forte… e conseguiu comunicar. Consegui fazer um trabalho de impacto, forte, que é tudo que um artista quer.
RT ? Como esta idéia de misturar a Coca com outros símbolos veio a sua cabeça?
EV ? Tem 1 ano e meio que produzo esta série! Comecei em setembro de 2004. Mas no final de 2003 tinha assistido a um documentário, que falava sobre consumismo. Extremanente político e engajado. Uma crítica ao consumismo. Suplus, o nome! 50 minutos. Vi mais de 10 vezes. E sempre pensava que tinha que fazer alguma coisa em cima disso. Mas no fim sumiu e não fiz nada. Depois que veio esta série e após um tempo produzindo que percebi que era filha daquilo lá. Deu aquele tempo e depois a idéia veio. Foi um insite. Era um domingo e tava na chácara. Tinha acabado de almoçar e peguei garrafa de Coca-cola. Uma pet de 2 litros. Veio a idéia de fazer uma Nossa Senhora de Coca-cola… e foi amadurecendo. Vi que tinha de ser a de vidro. Fiz com a de 1 litro e percebi que tinha de ser a menorzinha mesmo. Surgiu o trabalho da Nossa Senhora da Coca-cola. Criei todos os objetos primeiro. Os oratórios que substituíam os santos pela Coca-cola. Eu pegava garrafa de 1 litro, colava santo e pendurava um terço… Pensei: é a religião do consumo. Aí que entrou um texto do Frei Beto depois que já estava produzindo. O texto fala da religião do consumo e era tudo o que estava fazendo. Esta subtituição de valores da sociedade, buscar respostas não mais nas igrejas, mas consumindo… Não mais nas missas, mas no shopping… Então não falo que tá errado ir no shopping ou missa. Mas to falando que isso mudou. Isso existe. O trabalho faz uma reflexão. É crítico, mas não é o principal. A idéia é a reflexão. Reuni todos estes objetos na instalação batizada de Em Casa de Capitalista a Coca-cola É Santa. Que foi a Festival em Corumbá e depois Rumos Itaú Cultural. Depois veio as pinturas, que demoraram quase seis meses e começaram muito tímidas. Primeiro a Sagrada Coca-cola de Jesus. Foi demorado, não uma atrás da outra. Eu fiquei parado uns 3 meses e depois pintei cinco obras em duas semanas.
RT ? Vc é mais intuitivo?
EP ? É. Não consigo desenhar, por exemplo. Pensei que sabia desenhar e descobri que não sei desenhar nada. Então as obras saem tudo da minha cabeça. Não consigo passar no papel certinho. Tenho que fazer na tela, já… Não tenho esta paciencia. Antigamente desenhava muito, mas desenhei demais e cansei. Então tenho um caderno de anotações que anoto as idéias. E os desenhos são abstratos só para registrar a idéia. Mas a realização é na obra mesmo. Junto com as sagradas Coca-colas, vieram as cuba-libres e por último a série da Guernica, que acho muito forte e o mais crítico. Principalmente pela questão da publicidade como um meio de enganar. Os slogans da Coca-cola ?Viva o q é bom? ?Boas vibrações líquidas? ?Otimismo q se bebe? são frases que não querem dizer nada. O mundo é de tristeza, é de desigualdade. É pessimista a série. O mundo está em degradação e caminhando para a destruição. E a publicidade em geral e a mídia não querem deixar você ver isso. Tipo ?não vamos falar da desgraça, vamus pensar q a coisa tá bem e concordar q um dia vc vai acender a burguesia e morar em uma casa boa tb…?
RT ? Vc é socialista?
EP ? Tenho ideologia socialista sim. O meu irmão gêmeo, mais novo 2 minutos, faz história. E o tema de mestrado da monografia foi a revolução cubana. E ele me passa muito e conversamos muito da revolução cubana. E quem estuda a revolução tem aquela coisa de românticos de Cuba libre e é um pouco o meu caso. Pq a gente vive em uma sociedade capitalista no Brasil de terceiro mundo. E no Brasil tem uma coisa chamada Rede Globo, q manda neste país. E, por exemplo, o sistema de jornalismo da Globo é esquema CNN. Não tem correspondente na América Latina. Tem um só na Argentina.
RT ? Mas isso não é só a Globo. Nenhum grande veículo do Brasil tem mais correspondentes na América Latina. Folha, Estadão, Band, Veja… Ninguém tem mais correspondentes…
EP ? São resquícios da Guerra Fria! Da propaganda anti-comunista…
RT ? Você acha que o Papa tomava Coca-cola?
EP ? Acho q naum. Acho que o Papa naum tomava, ele tomava vinho.
RT ? E o Fidel?
EP – (kkkkkkkkk) O Fidel tomaria…
RT ? Tomaria ou toma?
EP – Ele não toma. Espero que não. Pq naum existe Coca-cola em Cuba (kkkkk). Mas ele tomaria. Mas seria hábito dele não.
RT ? Acompanho as artes plásticas em MS desde a década de 80. Sempre foi uma classe mais organizada do que os músicos. Sempre teve os medalhões, mais ou menos o que acontece até hoje na música também. Por exemplo, tem o Paulo Simões, Guilherme Rondon, Geraldo Roca, Geraldo Espíndola que são os coronéis digamos assim um pouco da música. Eu quando fiquei sabendo do seu trabalho foi uma surpresa grande, porque nada me empolgava há tempos. Como você vê o cenário das artes plásticas no MS?
EP ? Não sou muito otimista não. Eu faço Artes Plásticas na UFMS e conheço várias pessoas lá. Vejo que falta mais vontade de fazer, mais perseverança, mais investimento, mais coragem, mais profissionalismo. Talvez não seja o objetivo para várias pessoas como é o meu, que luto muito e acredito muito no meu trabalho. Eu dou tudo de mim. Invisto todo meu dinheiro no meu trabalho. Pago 150 em um livro mas naum pago mais de 60 em uma calça nunca. Compro 3 livros por mês e 1 calça por ano. Compro material. Então para geração nova, a minha geração, tirando alguns, como a Priscila Pessoa, o Alex, são pessoas q realmente investem e acreditam no meu trabalho. Mas no geral falta produção, investimento e dedicação. E falta estudar, conhecer mais trabalhos.
RT ? Naum existe então um grupo de artistas mais jovens na área de artes plásticas que discuta, interaja, reflita?
EP ? Não existe. O que existe é uma guerra de egos muito grande. Você deve saber.
RT ? Por que? O pessoal subiu no salto? Este ano se comemora os 40 anos do primeiro movimento de 66 com os artistas de MT e MS, uma espécie de Semana de 22 pra gente. Realmente existia uma troca muito intensa entre os artistas plásticos da época. Fiquei surpreendido quando vi os artistas de MT retratando os ateliês da época, colocam o Humberto no meio como Cristo. Me impressionou muito e me abriu a cabeça também para entender porque este grupo tem esta força até hoje. Na área músical acontece hoje também um cada por si e não tem coletivo mesmo, salvo raras inciativas. Você se vê como um cavaleiro solitário?
EP ? Eu troco muito idéia com a Priscila. A gente conversa bastante, trocamos informações, gosta do trabalho um do outro. Mas não existe um grupo maior. Falta gente com esta disponibilidade, com trabalho bom e que produza.
RT ? Olhando seu trabalho não se situa muito de onde vem o artista. Poderia ser um pintor de Nova Iorque, Londres, Sampa… Não vejo o componente regional em sua arte. É só um fato. O Humberto, por exemplo, conseguiu fazer uma leitura de MS que é tão genial que as pessoas não entenderam até hoje. Como você processa a questão regional ou isso nem passa na sua cabeça?
EP ? Tenho pavor de regionalismo. Fala em regionalismo fico com medo já do pantanal. Que é aquela coisa que contamina as artes de MS, principalmente as artes plásticas. É a onça, o peixe… tem gente que faz onça legal, mas são exceções. E aquela coisa do pantanal naturalista, realista é uma pintura que não faz sentido mais. Pode-se criar um discurso bobo de que seja para alertar as pessoas da preservação ambiental, mas que não acredito. Na verdade é falta de conhecimento de artes mesmo. Falta uma vivencia de arte em Campo Grande. Saber de história de arte. Saber que não faz mais sentido hoje na arte contemporânea fazer este tipo de pintura. Prova disse é que um vereador, no dia da moção de repúdio que o vereador Paulo Silva tentou votar, soltou a seguinte pérola: ?Tanta coisa pra um artista retratar e vai fazer Nossa Senhora de Coca-colaaa? (kkkkkk). Na história da arte, quando foi o objetivo retratar o belo, foi em 450 a.C. na Grécia antiga. Depois disso a arte nunca foi mais buscar o belo. Sempre esteve a serviço da igreja, de Napoleão, falar das guerras. Então existe esta idéia errada em CG do que seja as artes plásticas. Pensam que arte é pintar girassol e mostrar coisas bonitas. E é não é isso.
RT ? Falta uma arte mais urbana, mais fumaça, asfalto…
EP ? Pode ser. Falta saber qual é o papel do artista na sociedade. O artista é o que? Qual o papel? Decorar as casas da pessoas, fazer um quadro que combine com o sofá da madame? Não é! Falta saber isso. Que o artista é um cara q tem q estar mandando um recado pra sociedade. Se ele acha que o mundo é colorido, ele que vá pintar o mundo colorido dele. Mas eu não acredito!
RT ? O Humberto Espíndola é mais reverenciado pelos músicos do que pelos próprios artistas plásticos. Vejo muita gente das artes plásticas com bode do Humberto. Você confirma isso?
EP ? Eu acho o Humberto o maior gênio q tem neste estado. Um dos maiores do Centro-oeste e do Brasil. Quem não gosta do Humberto é por inveja. Podem achar q é coisa de criança falar isso, mas é inveja. É pq naum admitem q existe um cara q consegue fazer um trabalho bom e que viva aqui. E é inveja mesmo porque o Humberto é muito inteligente e consegue fazer as coisas. Então se vc tem um trabalho fraquinho, naum consegue ver alguém q consegue e tem a mentalidade pequena, vc põe olho gordo! Fica aquela coisa: ?Pooooxaaaa é só o humbertoooo!? Já escutei um monte de gente falar isso: ?Tudo neste estado é só Humberto Espíndola. Por que que é ele?? É porque só ele tem a capacidade de fazer as coisas. É por isso! O dia que vc tiver um trabalho bom e correr atrás vc pode conseguir, mas por enquanto ele é o cara! Ele corre atrás e tem nome para fazer. É isso! O povo das artes, muita gente, tem este pé atrás. Não gosta! Acho a pintura do Humberto incrível, ele é um cara incrível e é bom pra caramba. O que é bom incomoda.
RT ? Por que vc acha que a Bovinocultura não tem mais representantes? Passou o conflito do Boi no estado ou a gente é ainda aquela sociedade que ele combatia?
EP ? Acho que ainda é aquela sociedade. A prova disso é o que aconteceu com a minha exposição. É a prova de que Campo Grande está bem coronelista. Lideranças políticas e religiosas que estão muito atrados.
RT ? Vc tem vontade de ir morar fora de Campo Grande?
EP ? Sou muito novo. Vou fazer 21 no final do ano. E me formo este ano. Quero permanecer em CG. Se tiver oportunidade de ir para fora até tenho vontade, mas não existem planos. To tranqüilo aqui, gosto de CG, da cidade…
RT ? Mas é dúbio isso. É bom para criar em CG?
EP ? Não.
RT ? Quer dizer: não é bom para criar, não tem mercado, não tem colegas… e vc insiste em ficar aqui? (kkkkkkk)
EP ? (kkkkkk) Talvez seja superproteção da família. Ter medo de morar sozinho, encarar um grande cidade. Tem isso tb. Mas não penso em sair por enquanto. Tenho vontade de levar meu trabalho para São Paulo, ter uma galeria que me represente…
RT ? Quanto custa um quadro seu? Se quiser comprar aquele quadro ali do coração (quadro q está na sala da casa de Evandro)?
EP ? 900 reais este quadro. Para mim esta é a pior parte. É um sacrifício botar preço.
RT ? Por que? O artista tem de ser o vendedor hj em dia tb?
EP ? Mas com base em que eu coloco o preço em minha pintura?
RT ? Eu que te pergunto.
EP ? Não sei. Comparo com preço de outros. Mas vou vender pra quem um quadro de 900? Não tem para quem vender?
RT ? Vc vende uma média por mês? Financeiramente como é a saída dos quadros?
EP ? Vendo quadros por ano. Quatro ou cinco eu vendi em 2005.
RT ? Pra quem? Aqui ou para pessoas de fora do estado?
EP ? De fora do estado. Veio um colecionador do interior de São Paulo, q só ele comprou 3 e eu vendi mais um aqui em MS em 2005 inteiro.
RT ? Até hj vc vendeu apenas 4 quadros?
EP ? Quatro em 2005. Por que antes, na minha primeira exposição, que era uma pintura realista, naturalista foi a que mais vendi. Fiz uma exposição batizada de Retratos de Campo Grande e de 13 pinturas vendi 8. Sucesso tremendo.
RT ? Poderia ter virado retratista de CG?
EP ? Sim. Igual fazer o pantanal. Então não existe um mercado de arte em CG, existe um mercado de pintura.
RT ? Mas o que os artistas fazem para criar este mercado de arte? Tem uma associação de artistas plásticos…
EP ? Existe mas está falida. Eu não faço parte e quem faz parte q eu converso diz q é uma coisa falida. O presidente era o Júlio Cabral, q eu acho q deixou a entidade ano passado… não sei quem entrou e se ainda existe. Falta interação entre os artistas e aquilo q ocorreu em 66, criar um movimento. Mas não existe esta tentativa.
RT ? Se quiser hoje fazer uma mostra com, por exemplo, oito artistas plásticos novos de Campo Grande com menos de 30 tem como?
EP ? Existe. Patrícia Rodrigues, Priscila Pessoa, Alex… o… começou a sumir os nomes (kkkkkkk)… o Douglas Colombelli… éeeee (kkkkk)… não temmmm! Falta acreditar no trabalho e saber que vai ser difícil, que o retorno é difícil, entaum às vezes a pessoa naum tem o dinheiro para investir. A sorte é q tenho renda, trabalho com meu pai e dou aula para crianças. Ganho uns 400/500 por mês e vai tudo! E naum tenho gasto pq moro com meus pais. Todo o meu dinheiro eu invisto em material, livro, tinta, tela… q é tudo caríssimo. Nesta exposição no Marco gastei uns 2 mil pq as telas eram todas grandes e eu q fiz para ficar mais barato. Os professores da UFMS por exemplo, a maioria, falta um pouco mostrar a realidade pros alunos do primeiro ano e tb dar toques de salões. Nunca fazem isso. No primeiro ano de faculdade ainda colocavam no mural, mas agora já não. Falta este lado de incentivar do professor. Estão mais preocupados a cumprir aquele tanto de aulas. E muito professor substituto ou mesmo os oficiais q precisam dar muita aula para ganhar 400 por mês! É absurdo.
RT ? Ter sido selecionado para o Rumos e o Salão de Goiás é uma prova de que seu trabalho tem futuro?
EP ? Sim. Com certeza. É uma maneira de dizer q to no caminho certo. É um icentivo. Porque aqui em CG toda esta dificuldade, sem ter pra quem vender, faz uma exposição querem cancelar… entrar em um salão deste é um incentivo. Vale a pena insistir.
RT ? O Dante Filho escreveu um artigo sobre o seu traballho. Disse basicamente que a polêmica seria maior que a obra. O que vc achou?
EP ? Falta uma crítica mais especializada em CG. O Dante foi infeliz porque no texto dele ele fala que ele não podia fazer uma análise de uma obra que ele não viu, que ele não queria ver e que ele não tem interesse pelas artes plásticas. Então foi contraditório e não sei porque ele escreveu aquele texto. Não sei se foi obrigação de ter de escrever. Eu não conheço o Dante e ele não me conhece. Ele não viu minha obra… e ele mesmo fala isso no artigo.
RT ? A crítica aqui ainda está na fase do falar por falar?
EP ? Não existe crítica de artes plásticas em CG. O que existe são os textos do museu, quando vc vai fazer a exposição. Mas crítica em jornal não existe. Nem um movimento para ficar comentando. É uma coisa tão morta que não existe o que comentar. O que eu acho é q esta minha exposição pode ser uma nova luzinha na história da arte em MS. Como o próprio Rafael Maldonado e Humberto comentaram: ?Fazia muito tempo que uma exposição não causava algo em CG?. Tomara q agora tenham outras exposições assim.
RT ? Vc se considera o novo Humberto Espíndola?
EP ? Jamais (kkkkkk)… falta muito!
RT ? Mas no sentido da provocação…
(Toca o celular de Evandro. Ele atende e sai andando pela sala. Volta e diz que vendeu dois quadros, um para a esposa do Ueze Zarhan. A Ana Carla Zarhan comprou o Experimento Novo, do Papa Light… e a esposa do Ueze comprou uma da série da Guernica!)
RT ? Afinal vc é o novo Humberto ou não?
EP ? Eu fico na saia justa…
RT ? Não é comparando o trabalho de vocês, é mais a postura…
EP ? Pra dizer a verdade, o próprio Humberto me disse isso há um ano e meio atrás. Então fico muito feliz de ouvir isso dele. Isso me dá uma força. E é uma responsabilidade tb. Estou preparado, acredito muito no meu trabalho.
RT ? Você concorda que o Humberto não tem o reconhecimento que merece aqui em MS?
EP ? Não concordo. Ele já tem o reconhecimento.
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Alow pessoal!
Hoje saiu a relação das bandas que irão tocar no 4º Festival Calango de Cuiabá. Vai reunir grupos de 15 estados em 18, 19 e 20 de agosto na capital mato-grossense.
Não tem nenhuma banda ou artista de MS! No ano passado também não teve.
Que as bandas e músicos de MS são lentosss o não-estar no Calango é apenas mais uma prova. Que o jornalismo cultural aqui também não está antenado com os festivais indies do Brasil também tá mais uma vez provado.
Mas parece que a produção do evento também não está muito interessada no que se passa neste lado do Matão. A produção é do Espaço Cubo, uma espécie de cooperativa de Cuiabá.
Como eu não consegui detectar o Festival Calango, aproveito para dar o toque do Mercado Cultural, um festival do barulho que rola em Salvador, (BA) em dezembro e reúne muitos grupos não só do Brasil, mas da América do Sul principalmente. ATENÇÃO! As inscrições vão até 30 de julho e só precisa CD e release! Inscrevam-se para não chorar depois!
Coloco abaixo a programação do Calango 2006! As únicas que me chamaram a atenção foram Los Porongas, do Acre, e La Punuña, do Pará. Confere aí, as em negritos são do Centro-Oeste! Os caras gostam das bandas de Goiania heinnnn…
Primeiro Dia 18/08/2006
01:30 Subtera(PR)
01:00 Fuzzly(MT)
00:30 Borderlinez(SP)
00:00 Maadame Saatan(PA)
23:30 The Dead Rocks(SP)
23:00 Zagaia(MT)
22:30 Johnny Sux n Fucking boys(GO)
22:00 The Uncle Butcher(SP)
21:30Coveiros(RO)
21:00 Chilli Mostarda (MT)
20:30 Sinestesia(TO)
20:00 Sangue Seco(G0)
19:30 Rockassetes(SE)
19:00 **
18:30 **
Segundo Dia 19/08
01:30 Astronautas(PE)
01:00 Vanguart(MT)
00:30 Ludovic(SP)
00:00 Macaco Bong(MT)
23:30 Pelebroi Não Sei(PR)
23:00 Revoltz(MT)
22:30 Los Porongas(AC)
22:00 Porcas Borboletas(MG)
21:30 Sapatos Bicolores(DF)
21:00 The Melt(MT)
20:30 Mezatrio(AM)
20:00 Asthenia(MT)
19:30 The Bonnie Situation(SP)
19:00 Regra Zero(RJ)
18:30 **
18:00 **
Terceiro Dia 20/08
01:30 Graforréia Xilarmonica(RS)
01:00 Lord Crossroad (MT)
00:30 Superguidis(RS)
00:00 La Pupuña(PA)
23:30 Caximir(MT)
23:00 Monno(MG)
22:30 Lazy Moon (MT)
22:00 Trilobita(PR)
21:30 Dragsters(MT)
21:00 Brinde (BA)
20:30 Enne(MG)
20:00 Lucy and the Popsonics(DF)
19:30 Unknown Project(SP)
19:00 **
18:30 **
18:00 Marakadage(MT)
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FOGO NA ROUPA
Sexo, drogas e rock’n roll
Capítulo 2
Saíram da churrascaria empanturrados e de bem com a vida. A garoa deixava uma fina camada líquida sobre os carros, refletindo o céu acinzentado. Estava frio. Hanny acendeu o cigarro, fez sinal para o táxi e pegou no braço dos dois na beira da calçada.
- Meus caros, não esqueçam que no outro domingo tem ensaio. Vou aproveitar a folga para resolver umas pendengas. Liguem! Toma um galo para vocês não baterem a carteira de nenhuma velhinha por aí. Aliás, dois. Um galo para cada um. Não aprontem como da última vez.
Hanny embarcou no táxi sem olhar para trás e a dupla foi descendo pela rua a pé. Nelsinho tinha de voltar para a sua área. Cacá era do mundo. Sem residência fixa. Por isso, se ofereceu para ir até o pico afastado do companheiro. Os dois tocavam guitarra na banda. Cacá forasteiro. Nelsinho local.
Decidiram ir de trem para economizar. Cacá deu graças pelo sol ainda raiar. A chance de cruzar gangues era remota. O barulhento trem prateado que percorria as linhas da periferia até as cidades próximas era freqüentado pelo povão. Via-se de tudo. Vendedores aos montes. Pregadores com a bíblia na mão se equilibrando para fazer discursos inflamados. Vagabundos mal-encarados. Bando de meninos esfarrapados. E a turma dos cabeças lisas que Nelsinho, dono de uma juba considerável, sempre era alvo.
Na tal última vez a que Hanny havia se referido, Nelsinho deslocou dois dedos ao espancar um moicano com o soco inglês que sempre leva malocado. Deu sorte. O cara carregava uma machadinha. Nelsinho era alto e de briga. Cacá de estatura mediana e da paz. Raramente havia partido para a porrada. Só nos tempos de colégio. E nem sempre se saiu vencedor. Por isso, a turma de Nelsinho lhe causava uma certa paúra.
Cacá ficou olhando a paisagem que passava pela janela. Balbuciou.
- Se a banda não for para frente vou me mandar. Queimar o chão.
- Não fica de baixo astral. Nós vamos arrebentar Cacá. Pára com isso. Estamos com tudo na mão. O Hanny tem a estrutura e a banda tá afiada. Bola para frente. Você não vai querer voltar para a casa da mamãe né?
Saíram da estação ferroviária e Nelsinho parou para ligar do orelhão. Cacá nem tinha acabado o copo de caldo de cana e Nelsinho veio apressado.
- Tudo certo. Vamos pro Boi que o primo dele tá chegando com a coisa cristalina. Embaçou no Rick porque a mina dele tá lá.
Cacá paga a garapa e emenda.
- Você nem vai dar um toque na sua casa? A tua mãe vai ter um troço.
- Fica frio… Parece uma tia velha.
Nelsinho apertou a campainha e já foi entrando. Boi estava fazendo um esporro no porão tocando bateria. Cacá tinha medo de cachorro e sabia que havia um dos grandes por ali. Dentro da cozinha, a bela irmã do dono da casa abria uma cerveja, de shortinho, mesmo com um frio de lascar. Abaixou sem cerimônia para pegar copos embaixo da pia.
- Vocês também querem uma cervejinha né? Os velhos estão viajando e a festa vai começar. O Boi já tá que tá!
Desceram a escada de cimento e entraram no estúdio. Sem camisa, o dono da casa mantinha o físico que explicava o apelido. Suava em bicas e tinha um espelho com algumas carreiras ao lado da bateria. A irmã dele trouxe mais duas cervejas e ficou ali. Cacá e Nelsinho se olharam, como se dissessem ” como é gostosa esta criatura”. A morena chegou perto de Cacá e sussurrou.
- Não vou sair. Vem junto com o Boi na volta da balada e entra no meu quarto.
- Se o seu irmão pegar, vai dar encrenca.
- Bom, é melhor dormir na minha cama do que no chão duro.
Vai saindo.
- Isso, se quiser até lá.
Boi chama para apresentar o primo que estava no banheiro.
- Nelsinho, Cacá… tá a pampa? Pode chegar mano que a casa é de vocês. Hoje tô embalado e o primão veio de longe. O cara é loco. Queimou mais de 2 mil quilômetros e já quer ficar na nóia rodando. É o barato dele. Rapeize, este é o Martin.
- Vamos comemorar. Tô com duas cacholas. Uma é minha e a outra vocês dividem. Mas quero rodar. Aliás, fui.
O cara pôs os óculos ray-ban e tirou o Opalão preto da garagem. Só deu tempo dos três trancarem a porta do porão e entrar no carro já acelerado. O coração de Cacá batia em disparada e Nelsinho cada vez mais empolgado. Gostava da adrenalina. Boi permanecia inalterado.
Já eram dez horas da noite e uma patrulha embocou na rua junto com o carro. Martin não se afetou. Aumentou o som. A patrulha diminuiu a velocidade e dois policiais colocaram o corpo pra fora da bumba. Era área residencial, mas perto de uma bocada. Lá, aliás, era onde Martin planejava, em surdina, desovar a carga extra mutucada no estepe. Ele acendeu a luz interna do carro e todos ficaram imóveis.
A patrulha passou, lentamente.
Cacá sentiu a adrenalina caindo no sangue.
- Filhos da puta, que susto! Vem cá Martin, a gente está com muita coisa em cima? É melhor voltar pro Boi e ficar na boa no porão.
- Não, não, não… Vamos detonar isto tudo agora mesmo. Porra! Somos quatro cabeças. Uma voltinha na estrada e acabou.
Cacá resmungou.
- O barato é a nóia né!
Com o som em alto volume, ninguém ouvia ninguém dentro do Opalão preto. O carro era uma máquina. Perfeito para chamar a atenção dos homi. Martin tirou a caixa de pó do porta-luvas e entregou a Boi. Prevendo a tremenda paranóia que iria entrar dali para frente, Cacá resolveu jogar fora o fino que carregava no bolso. Sentiu claustrofobia.
Nelsinho não agüentou.
- Jogar fora porra nenhuma Cacá! Taca fogo, que este pedaço é limpo. Você tá na minha área. Tudo certo aí, Boi? Cuidado para não derrubar.
Martin provocou.
- Devagar que é da boa. Nem lembro mais a última vez que dormi.
Cacá já tava noiado.
- Vocês são loucos. Aqui tem um monte de polícia. Vamos logo com isso.
Boi propõe.
- Rapeize é o seguinte. Vamos fazer como gente grande. Divido a bagaça em quatro e cada um dá um tirambaço de uma só vez.
Martin não perdoa.
- Vai chapar! Aposto que algum de nós vai ter um treco. Só sei que não vai ser eu.
Nelsinho pira o cabeção.
- Che-ga! A gente tem que falar depois, vocês já estão atropelando. Pára de solar porra, parece o Hanny. Me dá este negócio aqui. Aí… detona as outras.
Cacá sentiu uma pequena ânsia quando o gosto amargo do pó caiu na sua garganta. Não tinha um pingo de fome. Grilava nestas ocasiões e gostava de saber que não levavam mais nada em cima. Tentou relaxar. Se aproximaram do bairro. Pararam na padoca antes de ir para a pracinha.
Nelsinho desce para pegar as cervas.
- Quem quer breja?
Nelsinho encontra dois conhecidos do outro lado da calçada. Martin informa que vai dar um rolé com Boi. Cacá sente um alívio quando sai do Opalão e vai atrás de Nelsinho.
- O Martin foi circular. Acho que este cara faz treta pesada. A coisita dele é de primeira. Vai dar zica ficar rodando com ele Nelsinho.
- Tá na boa, não grila. O primo do Boi é um otário mesmo. O Opalão dele é a maior pala.
Os dois foram descendo a ladeira que terminava na praça do bairro. Embalado, Nelsinho não parava de falar. Imitava o som de britadeira com a boca. Dava falsetes agudíssimos.
- Cacá, um dia ainda vou fazer muito sucesso.
Leia o Cap 1!
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Passados nove anos desta entrevista, Paulo Coelho está entre os 20 escritores vivos mais lidos do mundo, ao lado de monstros como Gabriel Garcia Márquez e Umberto Eco. Ao todo, seus livros já venderam mais de 65 milhões em 150 países. Mesmo longe de chegar perto de Sidney Sheldon, que vendeu mais de 300 milhões de livros, celebridades como Bill Clinton, Madonna e Sharon Stone se declaram leitores assíduos do Mago brasileiro. O gancho da entrevista foi o livro Monte Cinco, que estava sendo lançado em várias partes do mundo em 1997. Mas o papo acabou descambando para outros assuntos.
Como jornalista não tive do que me queixar. Foi razoavelmente fácil marcar a entrevista, bastou falar com o escritório, enviar o pedido da entrevista por fax (na época a Cult Press escrevia para uns 20 jornais espalhados pelo Brasil) e pimba lá estava eu e o fotógrafo Jorge Rodrigues Jorge entrando no Dom Camillo, na Avenida Atlântica, para encontrar o ex-parceiro de Raul Seixas. Sentamos em uma mesa para não atrapalhar o final de uma entrevista que Paulo estava dando para uma televisão alemã! Acabada a entrevista, nos cumprimentamos rapidamente e já estamos dentro do carro do cara, com chofer! Andamos umas quatro quadras e paramos no edíficio na própria Atlântica. Jorge faz as fotos rapidamente e cai fora. Lá tô eu com o escritor mais lido e ?malhado? do Brasil.
Permaneci umas 3 horas com o Guru das Letras em seu elegante apartamento em Copa. A vista do mar de sua janela é fenomenal. Paulo me pareceu seguro e sincero em seu discurso. Ressabiado quando o assunto era Raul Seixas, mas sem deixar de ser franco. Interrompeu várias vezes a conversa para falar com sua agente européia, pedia para eu acender cigarros para ele enquanto falava e não deixava de me tranquilizar: ?a gente recompensa o tempo depois!?. Eu confesso! Li Paulo Coelho. Diário de Um Mago foi unânime quando saiu. Todo mundo leu. Eu continuei em Alquimista, insisti em Brida e depois em As Valquírias e nunca mais consegui ler nada de Paulo. Quebrou o feitiço… heheeee
Nesta entrevista, o que chama a atenção é que o parceiro do Raul afirmou que a Academia Brasileira de Letras não era o seu clube. Em 2002 lá estava ele discursando para ocupar a cadeira 21 (no lugar de Roberto Campos) na associação fundada por Machado de Assis em 20 de julho de 1897 no Rio de Janeiro (só para constar Mário Quintana, Carlos Drummond de Andrade, João do Rio, Lima Barreto… estes sim, nunca perteceram ao clube da ABL). De todo o papo com Paulo Coelho, tirei o ensinamento de não mais falar do que ainda não fiz.
Passado um ou dois anos da entrevista, encontrei mais uma única vez Paulo. Foi no lançamento da novela Brida, no ainda funcionando prédio da emissora Manchete, que faliu totalmente tempos depois. Lembro que estava com meu amigo e jornalista Leandro Calixto. Todos pararam para ver Paulo Coelho e Walter Avancini (os dois poderosos baixinhos… hehehhe) entrando no recinto. Alguns meses depois a novela foi a primeira em todos os tempos de dramaturgia a não ter um final de verdade: as imagens dos personagens congeladas no vídeo e uma voz em off informando o destino de cada um.
Vamos a entrevista…
MAGO DAS LETRAS?
Entrevista Paulo Coelho
por Rodrigo Teixeira
RODRIGO TEIXEIRA ? VOCÊ ESTÁ PRESTES A ATINGIR A MARCA DE 18 MILHÕES DE LIVROS VENDIDOS. COMO ADMINISTRAR UMA MEGACARREIRA?
PAULO COELHO ? É uma loucura. Trabalho como todas as pessoas e muito graças à Deus. Não vou ficar vivendo de louros e glórias. Se ganho dinheiro é porque trabalho. Os dias são agitados mas as noites tranquilas, que é quando escrevo. Podia ser muito mais agitado se não tivesse a agente Mônica Antunes e a agência ICM – Internacional Criative Managger. Além do meu Instituto. Tenho poucos problemas, porque não sinto dificuldades em delegar poderes.
RT ? PROBLEMAS COMO O QUE ESTÁ ENFRENTANDO NOS ESTADOS UNIDOS COM A REEDIÇÃO DE ?O ALQUIMISTA? ILUSTRADO POR MOEBIUS, O MAGO DOS QUADRINHOS FRANCESES?
PC ? Exatamente. Está dando problemas porque a minha editora francesa não gostou do novo projeto dos americanos. Não me meto porque é um momento que estes dois mundos se chocam e aí complica um pouco. É administrar.
RT ? EM COMPENSAÇÃO O ?MONTE CINCO? TEVE UMA TIRAGEM DE 70 MIL EXEMPLARES NA PRIMEIRA SEMANA NOS ESTADOS UNIDOS…
PC ? Minha agente Heather Schroder me ligou falando que são ótimas as perspectivas de aceitação. Estes 70 mil são apenas as encomendas das livrarias. É excelente, já que lá esta marca já é considerada um best-seller.
RT ? QUAL A EXPECTATIVA DE LANÇAR O ?MONTE CINCO? NA FRANÇA E EM 38 PAÍSES SIMULTANEAMENTE DAQUI A DUAS SEMANAS?
PC ? Vai ser uma maratona de eventos. Acabei de dar uma entrevista de quatro páginas para a revista Paris Match e seis para a Elle francesa. A expectativa é grande para o jantar na pirâmide do Louvre e também para o debate com Jorge Amado. Vou enfrentar entrevistas em televisões de vários países como Inglaterra, Grécia e Israel, além da França. Isto porque em 1997 resolvi não lançar livro. Era um ano sabático. Não deixei de trabalhar, mas fiz coisas diferentes.
RT ? COMO SER BARMAN NA POLÔNIA E FUNCIONÁRIO DE UMA FÁBRICA DE PRESUNTOS. QUAL O PROVEITO DISTO?
PC ? Não perder o contato com as pessoas. Só conhecia na Polônia minha editora. Ela brincou falando se queria ser barman do restaurante que estávamos. Trabalhei por dez dias. Depois fui para o Sul da França trabalhar numa usina de presunto. Mas o dono era amigo. Agora voltei a carga total.
RT ? POR QUE SÓ DEPOIS DE SETE ANOS DE TER A IDÉIA COM O ROTEIRISTA DOC COMPARATO VOCÊ FECHOU COM A GLOBO PARA O ?DIÁRIO DE UM MAGO? VIRAR MINISSÉRIE?
PC ? Porque não se pode ter pressa. Tomo como exemplo a minha negociação do ?O Alquimista?, em 1993, com a Warner. Tive pressa e quebrei a cara. Não tem nada a ver com o preço (250 mil dólares).
RT ? VOCÊ CONSEGUIU UM PREÇO MAIS ALTO NA GLOBO?
PC ? Não falo sobre isso. O problema é que a Warner há cinco anos tenta um bom roteiro e não consegue. A verdade é que caiu nas mãos das pessoas que não deveria ter caído.
RT ? POR ISSO VOCÊ ESTIPULOU COM A GLOBO E COM A MANCHETE, PARA ?BRIDA?, UM TEMPO DETERMINADO PARA A PRODUÇÃO?
PC ? Aprendi com a Warner que é necessário colocar um limite. ?Brida?, por exemplo, precisa ser filmado em um ano. O prazo para ?O Diário de Um Mago? é de cinco anos. A minissérie também deverá ser filmada no Caminho de Santiago. Senão tenho os direitos de volta. ?O Alquimista? não. Vendi para a Warner por tempo indeterminado.
RT ? ALGUNS DESTES PROJETOS VOCÊ VAI ACOMPANHAR DE PERTO?
PC ? Nenhum. Recebi vários convites de Holywood para escrever o roteiro de ?O Alquimista? e a ?As Valkírias?, que está vendido para Sony-Hollywood, da Fox. Mas já descartei totalmente esta possibilidade. Não é a minha praia. O que gosto é de escrever livros. Quero ver pronto. Talvez ir na estréia ou mesmo pagar a entrada, assistir e gostar. Ou não.
RT ? ESTA SENSAÇÃO DE VER NA TELA O QUE VOCÊ ESCREVEU GERA UMA EXPECTATIVA?
PC ? Nenhuma. É o caminho natural de um livro ampliar seu público. Tenho meus livros para escrever e preciso estar presente nos países. O problema é muito maior para o adaptador. Se for bom, ótimo. Mas se for ruim o problema é dele. Os livros são bons.
RT ? A SUA TRANSFERÊNCIA DE EDITORAS EM 1996, ONDE EMBOLSOU MAIS DE UM MILHÃO DE DÓLARES, AJUDOU A PROFISSIONALIZAR O MERCADO EDITORIAL BRASILEIRO?
PC ? Realmente em vez de inflacionar, como falaram na época, profissionalizou. O mercado ficou adulto e as editoras não fazem favor em publicar. Somos trabalhadores e temos de ser tratados como profissionais. A minha negociação revelou que o mercado brasileiro já era profissional para os editores e amador para os escritores. Agora as pessoas estão se dando conta que seus trabalhos têm valor.
RT ? É MAIS DIFÍCIL IMPOR SUA OPINIÃO COM EDITORAS ESTRANGEIRAS?
PC ? Sem dúvida. Não podemos deixar nos tratar de qualquer jeito. Mas não quero julgar os escritores. Quero julgar o fato de que realmente eu e minha agente sempre tivemos uma noção do que queríamos. Sou o único escritor agenciado por ela, ela não tem tempo para nada, trabalha 24 horas por dia. Tem duas secretárias e não dá conta do recado. Por que têm mil coisinhas. Um edição pirata. Um editor que não paga. Coisas normais do ofício. Mas nunca chego com complexo de Terceiro Mundo. Nunca peço favores. Se quiser me editar ótimo, senão paciência. Têm países que não me quiseram. A Alemanha demorou cinco anos, até que agora taí a tevê alemã me filmando para o principal programa de literatura.
RT ? POR QUE VOCÊ DECIDIU ESCREVER SOBRE LOUCURA NO SEU NOVO LIVRO?
PC ? Não quero falar sobre o novo livro. Já acabei e estou fazendo a revisão. Escrevo desde 1996. É um romance baseado numa experiência de vida. Não exatamente minha. Não sei nem quando vai sair. Contratualmente não sou obrigado a nada. Prefiro falar perto dele ser publicado. Está pronto, senão nem tocava no assunto.
RT ? VOCÊ É SUPERTICIOSO?
PC ? Não. Mas a energia deve ser usada corretamente. Você não vai falar do que ainda não fez. Canso de ver em jornais gente falando do filme que vai fazer e do livro que vai escrever. Aí acompanho durante anos e nada acontece. Use a sua energia para fazer e não dispersar em palavras projetos que você não vai realizar.
RT ? VOCÊ PENSA EM CHEGAR NA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS?
PC ? A ABL representa muito bem a cultura brasileira, mas não cabe a mim pensar nisto. São planos que no futuro se conversará.
RT ? RAQUEL DE QUEIROZ E ARIANO SUASSUNA JÁ O CRITICARAM. VENDER MILHÕES INCOMODA?
PC ? Encaro as críticas como uma grande ajuda. Porque mostra que, primeiro, meu trabalho não é ignorado e, segundo, que vai contra o que eles fazem. Você critica aquele que não faz parte de seu clube. E isto me deixa muito contente, porque aquele não é o meu clube.
RT ? E QUAL É O SEU CLUBE?
PC ? Não sei qual, mas não é aquele. Meu clube é o que fala de simplicidade e cuja sofisticação consiste justamente não ficar demonstrando experiência e inteligência. Só adianta escrever se você tem uma coisa boa para dizer. Em Davos, falando para os bam-bam-bans, constatei que a academia está mudando. Ela está na UTI do pensamento discutindo os conflitos pequenos burgueses do século passado. Mas está se abrindo para as interpretações filosóficas como a lenda pessoal, a busca da espiritualidade, o despertar do feminino. Não faço o jogo da inveja, porque seria admití-la. Meu jogo é o da discussão filosófica. A inveja não é o que me alegra nas críticas. As vezes você vê que o cara nem leu o livro. Fico feliz por não pertencer ao clube do Ivan Angelo.
RT ? COMO VOCÊ ENCARA OS LIVROS DE AUTO-AJUDA?
PC ? As pessoas compram livros de ficção ou não basicamente atrás de informação. Esta separação de auto-ajuda só existe no Brasil. Mas o público é muito mais sábio do que pensam. Eles percebem o oportunismo e não prestigiam. Compram uma vez e não duas. A literatura reflete a sua época.
RT ? ATÉ QUE PONTO O RAUL SEIXAS INFLUENCIOU A SUA OBRA?
PC ? Muito. Porque eu era o típico intelectual, onde complicar que é bom e não ser entendido é o máximo. É insegurança de não saber passar as idéias. E o Raul me abriu o mundo do grande público, das letras de músicas e das pessoas. No começo reagi como todo o pseudo-intelectual. Achava que meu trabalho não podia virar música. Ele me ajudou muito na forma e a simplificar o texto. As letras deveriam ser dentro de uma meta.
RT ? VOCÊ DEIXOU DE LADO O ROCK’N ROLL TOTALMENTE?
PC ? Não acompanho muito. Hoje em dia escuto tudo. De Chitãozinho e Xororó a Vagner. De Andréa Boccelli a Roberto Carlos. Mas sou um ouvinte, não um crítico. Se acontecer de voltar a fazer letras deve ser por acaso.
RT ? VOCÊ TEM MEDO DE NÃO CONSEGUIR VENDER BEM E FRACASSAR?
PC ? As pessoas não ganham sempre e eu também. Acontece que não falo das minhas derrotas. Lambo as feridas e vou em frente. Muitas vezes só chega ao público o verniz do sucesso. Não penso no passado e futuro. Quero ser digno do sucesso que conquistei e continuar a busca espiritual, que é o mais importante. Estou sujeito a falhas e erros, mas não me deixo paralizar. A vida é um momento presente. O importante é continuar no Bom Combate.
Livros de Paulo Coelho/ano
? O Gênio e As Rosas (2004)
? Onze Minutos (2003)
? Histórias para pais, filhos e netos (2001)
? O Demônio e a Srta. Prym (2000)
? Palavras essenciais (1999)
? Veronika decide morrer (1998)
? Manual do Guerreiro da Luz (1997)
? Cartas de Amor do Profeta (1997)
? O Monte Cinco (1996)
? Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei (1994)
? Maktub (1994)
? As Valkírias (1992)
? O Dom Supremo (1991)
? Brida (1990)
? O Alquimista (1988)
? O Diário de um Mago (1987)
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Tudo passa? Tudo passa. Tudo passa! Tu-do- pas-sa…
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John adora tereré…
Quando fui tocar no Paraguai em dezembro de 2004 percebi que os assuncenos são loucos pelo John Lennon. Tem um ilustrador lá que pinta o parceiro de Paul como se fosse um morador da capital paraguaia. Esta ilustração da esquerda eu vi no ABC Color, um dos jornais principais de Assunção. O mesmo (assim que souber o nome escrevo aqui) fez a capa do disco da Kamikaze Records, esta que está a direita, um tributo dos artistas a John Lennon, com várias versões em espanhol/guarani…
Depois fiquei pensando que o John Lennon naum veio à América do Sul. Elvis Presley e Jimi Hendrix também naum né? Quem mais? Charlie ‘Bird’ Parker, Sid Vicius, David Gilmour, Miles Daves… ihhhhhhhh
Vou tomar um teraaaaa…